Quem sou eu?
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Vanessa Montês
- Anteriormente conhecida como v_crazy_girl, a 30 de Agosto de 2014 essa conta foi apagada, tendo assim decidido criar algo mais pessoal e próprio para o blogue literário de longa data.
Com tecnologia do Blogger.
Devaneios de 2018
- 47. O Egomaníaco
- 46. Uma Coisa Absolutamente Incrível
- 45. A Promessa
- 44. Sonhos Proibidos
- 43. Caraval
- 42. O Medo
- 41. A Rainha de Tearling
- 40. Na Boca do Lobo
- 39. Três Coroas Negras
- 38. O Adeus a Zöe
- 37. Muito Mais do Que Amigos
- 36. Monteperdido
- 35. Os Humanos
- 34. Uma Mulher Respeitável
- 33. Procura-me quando a Guerra Acabar
- 32. Artemis
- 31. O Anjo da Guarda
- 30. Destemida
- 29. A Dama e o Vagabundo
- 28. Uma Duquesa (Im)Perfeita
- 27. Sete Dias para se Apaixonar
- 26. Boneca de Trapos
- 25. Eliza e os seus Monstros
- 24. Uma Flor para Outra Flor
- 23. O Boss
- 22. O Escândalo de uma Rebelde
- 21. Numa Ilha Deserta
- 20. Traição
- 19. Pedido de Amizade
- 18. A Verdade Segunda Ginny Moon
- 17. A Magia de um Abraço
- 16. Eu Sou Eric Zimmerman
- 15. Amo-te (Quase) Para Sempre
- 14. Quando Tu Voltaste
- 13. Uma Noite Inesquecível
- 12. Guerra Americana
- 11. No País da Nuvem Branca
- 10. Um Desejo Inevitável
- 9. Espada de Vidro
- 8. O Poder do Amor
- 7. Mirror Mirror
- 6. Reino de Feras
- 5. Possuída pelo Passado
- 4. A Ilha das Quatro Estações
- 3. A Casa de Bonecas
- 2. Marcado na Pele
- 1. A Vingança Serve-se Quente
Devaneios de 2017
- 41. Um Mais Um - A Fórmula da Felicidade
- 40. Isto Acaba Aqui
- 39. Insónia
- 38. Uma Mulher em Fuga
- 37. Ilhas de Paixão
- 36. Viver Sem Ti
- 35. Nos Sapatos de Valéria
- 34. A Química do Amor
- 33. A Duquesa Acidental
- 32. O Amor que nos Une
- 31. Desejo Concedido
- 30. Se Conhecessem a Minha Irmã...
- 29. O Milésimo Andar
- 28. As Pedras Élficas de Shannara
- 27. Perigo, Prazer e Fuga
- 26. Prometes Amar-me?
- 25. As Piores Intenções
- 24. Ninfas - Paixão Mortal
- 23. Sinto a Tua Falta
- 22. Uma Proposta Indecorosa
- 21. A Casa Misteriosa
- 20. Os Pecados de Lord Cameron
- 19. Se Eu Fosse Tua
- 18. A Rapariga de Antes
- 17. O Código da Morte
- 16. O Complexo dos Assassinos
- 15. Sinto a Tua Falta
- 14. A Derradeira Ilusão
- 13. 10 Segredos para ser Seduzida por um Lorde
- 12. O Escultor
- 11. O Casamento Escandaloso de Lady Isabella
- 10. Confissões
- 9. Um Conde Apaixonante
- 8. O Mar Infinito
- 7. A 5ª Vaga
- 6. Uma Noite para se Render
- 5.O Pai
- 4. A Maldição do Vencedor
- 3. Incarnate - Encarnação
- 2. 9 Regras a Quebrar para o Conquistar
- 1. Encontrada
Devaneios de 2016
- 77. Príncipe dos Espinhos
- 76. 9 de Novembro
- 75. Tens Coragem?
- 74. A Herdeira
- 73. Sem Igual
- 72. A Felicidade é um Chá Contigo
- 71. Intensidade Máxima
- 70. Anexos
- 69. Gregor - A Segunda Profecia
- 68. Gregor - A Primeira Profecia
- 67. Verdade Escondida
- 66. FanGirl
- 65. Eleanor & Park
- 64. A Devota e a Devassa
- 63. O Terno Rebelde
- 62. Só Se Ama Uma Vez
- 61. Confia em Mim
- 60. A Viúva
- 59. A Rapariga do Calendário Vol.I
- 58. Visão de Prata
- 57. Casamento Cortês
- 56. Porto de Abrigo
- 55. Flores Silvestres
- 54. A Última a Saber
- 53. A Última Fugitiva
- 52. Nós os Dois
- 51. As Raparigas Esquecidas
- 50. Livre para Amar
- 49. A Loucura de Lorde Ian Mackenzie
- 48. O Erro
- 47. O Pacto
- 46. O Amor é Vermelho
- 45. Fraturada
- 44. Perdida
- 43. Não é Tarde para Amar
- 42. O Retiro
- 41. A História de Uma Serva
- 40. Confesso
- 39. DUFF
- 38. Os Sinais do Amor
- 37. RoofToppers
- 36. A Voz
- 35. As Lições do Amor
- 34. Vendetta
- 33. Agora Sou Chique
- 32. Sonho de Cetim
- 31. Deixa-me Odiar-te
- 30. Bando de Corvos
- 29. Caminhos Sombrios
- 28. Ligação Explosiva
- 27. Regresso a Mandalay
- 26. O Número das Estrelas
- 25. Milagre
- 24. Atracção Magnética
- 23. Simplesmente Nua
- 22. Um Duque Glorioso
- 21. Estranhos ao Luar
- 20. Mais do que Sedução
- 19. Aqui e Agora
- 18. After 2
- 17. P.S. Ainda Te Amo
- 16. A Escolha
- 15. A Bela e os Lobos
- 14. Casamento de Conveniência
- 13. A Prometida do Capitão
- 12. Miúda Online 2: On Tour
- 11. Sr. Sherlock Holmes
- 10. A Espada de Shannara
- 9. Fusão
- 8. Espera por Mim
- 7. Não Me Deixes
- 6. Fala-me de um Dia Perfeito
- 5. Trono de Vidro
- 4. Volta para Mim
- 3. Quando as Estrelas Caem
- 2. Vida Roubadas
- 1. A Noiva do Marquês
Devaneios no tempo
- Aquisições do mês do ano 2018
- Aquisições do mês do ano 2017
- Aquisições do mês do ano 2016
- Leituras 2015
- Aquisições do mês do ano 2015
- Desafios Literários 2014
- Aquisições do mês do ano 2014
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- Devaneios de 2012
- Aquisições do mês do ano 2012
- Devaneios de 2011
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segunda-feira, 30 de março de 2015
Autora: Paulo Fonseca
Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 194
Editor: Papiro Editora
ISBN: 9789896361846
Sinopse:
(...) De repente a iluminação piscou. Os olhos de ambos fixaram-se no horizonte, até onde alcançavam, e começaram a ver a luzes extinguirem-se, umas atrás das outras, como peças de dominó, como se as trevas fossem tragando a luz num gloop-gloop dantesco; anúncios atrás de anúncios, cartazes electrónicos atrás de cartazes electrónicos, salas de escritórios atrás de salas de escritórios; e os candeeiros nas ruas...
Uma espécie de rastilho correu as ruas de Lisboa apagando tudo o que eram luzes.
Fez-se trevas.
Um piscar trémulo e insistente atraiu a atenção de Gabriel. Um dos candeeiros da Av. 5 de Outubro extinguia-se como uma brasa, para logo se reacender como se assoprado, até que desistiu. Lembrou-o, sarcasticamente, da esperança da humanidade...
As trevas desceram sobre Lisboa.
Opinião:
Admito que já há algum tempo não ouvia falar deste autor. Há uns anos lembro-me de ver na blogosfera diversas postagens sobre este autor, sobre os seus livros e alguma publicidade aos mesmos. Mas foi algo repentino e passageiro. Quando fui contactada pelo autor lembrei-me de imediato dessa altura e, visto na altura ter ficado curiosa com este livro, não resisti a aceitar a proposta e começar a ler este livro.
O futuro aparenta-se negro para a sociedade. Estranhas criatura aparecem do nada, alimentando-se do caos e destruição. Gabriel acorda e não se lembra de como fora parar ao hospital. Não se lembra do que acontecera e fica preocupada quando vê que todos estão cansados, com medo e receio pelo seu futuro. Fica ainda mais assustado quando recebe mensagens de um colega e amigo que lhe diz que o futuro está a escapar à humanidade entre os dedos. E quando este lhe confirma a existência de extraterrestres o seu mundo parece cair-lhe aos pés.
Decidido a lutar e a salvar a humanidade, Gabriel acaba por conhecer Laura, uma mulher lindíssima que o havia salvo das garras de uma dessas estranhas criaturas. Uma mulher que acaba por lhe contar mais sobre o que se passa no mundo e sobre o seu futuro após ter sido atacada por uma das horríveis criaturas.
Este livro deixou-me um pouco dividida. Se por um lado adorei a ideia inicial e achei a escrita do autor muito boa, fluída e interessante, por outro lado achei que o rumo que a história tomou não foi o melhor. A ideia de extraterrestres estava boa, mas foi um pouco exagerado acrescentar outros seres, como vampiros e lobisomens. Acho que se o autor utilizasse a ideia de extraterrestres e desenvolvesse melhor o que estes tinham feito em outros planeta, o mau da fita estava mais do que bem caracterizado. Não era necessário adicionar outros seres.
Outro ponto que foi muito puxado foi Gabriel achar, desde o início, que era o salvador da humanidade. Um pouco de humildade faz bem a todos e esta personagem não é de forma alguma humilde. Acha de imediato que é a esperança da humanidade e tal deveria ser revelado lentamente ao longo da narrativa (e não pela própria personagem). E de preferência com uma razão de ser como plano de fundo.
Por fim, outro dos pontos menos positivos foi a estranha relação entre as pessoas. A humanidade apenas estava em declínio há uma semana e já estavam todos loucos por sexo e com vontade de sentir-se perto de outras pessoas, não se sentido sós. Acredito que se realmente ocorrer algo deste género essa reação seja totalmente credível, afinal de contas estamos a falar dos instintos animais, que por vezes são mais fortes que outros, mas não deixa de ser um pouco exagerado e achei que após uma semana esses instintos estavam demasiado fincados.
Estes foram os pontos menos positivos de todo o livro, mas se fossem alterados acho que iria gostar ainda mais do livro! Afinal de contas a ideia inicial é excelente e a escrita do autor é muito boa para o género, nem demasiado poética nem descuidada, acabando por ser uma escrita que denota grande cuidado e revisão. Não consegui largar o livro enquanto não o terminei, pois a narrativa acaba por viciar o leitor ao ponto de ser impossível parar.
Admito que fiquei com curiosidade de saber a continuação da história e em saber como o grupo irá salvar a humanidade. Um autor que me surpreendeu e foi uma boa "iniciação".
Admito que já há algum tempo não ouvia falar deste autor. Há uns anos lembro-me de ver na blogosfera diversas postagens sobre este autor, sobre os seus livros e alguma publicidade aos mesmos. Mas foi algo repentino e passageiro. Quando fui contactada pelo autor lembrei-me de imediato dessa altura e, visto na altura ter ficado curiosa com este livro, não resisti a aceitar a proposta e começar a ler este livro.
O futuro aparenta-se negro para a sociedade. Estranhas criatura aparecem do nada, alimentando-se do caos e destruição. Gabriel acorda e não se lembra de como fora parar ao hospital. Não se lembra do que acontecera e fica preocupada quando vê que todos estão cansados, com medo e receio pelo seu futuro. Fica ainda mais assustado quando recebe mensagens de um colega e amigo que lhe diz que o futuro está a escapar à humanidade entre os dedos. E quando este lhe confirma a existência de extraterrestres o seu mundo parece cair-lhe aos pés.
Decidido a lutar e a salvar a humanidade, Gabriel acaba por conhecer Laura, uma mulher lindíssima que o havia salvo das garras de uma dessas estranhas criaturas. Uma mulher que acaba por lhe contar mais sobre o que se passa no mundo e sobre o seu futuro após ter sido atacada por uma das horríveis criaturas.
Este livro deixou-me um pouco dividida. Se por um lado adorei a ideia inicial e achei a escrita do autor muito boa, fluída e interessante, por outro lado achei que o rumo que a história tomou não foi o melhor. A ideia de extraterrestres estava boa, mas foi um pouco exagerado acrescentar outros seres, como vampiros e lobisomens. Acho que se o autor utilizasse a ideia de extraterrestres e desenvolvesse melhor o que estes tinham feito em outros planeta, o mau da fita estava mais do que bem caracterizado. Não era necessário adicionar outros seres.
Outro ponto que foi muito puxado foi Gabriel achar, desde o início, que era o salvador da humanidade. Um pouco de humildade faz bem a todos e esta personagem não é de forma alguma humilde. Acha de imediato que é a esperança da humanidade e tal deveria ser revelado lentamente ao longo da narrativa (e não pela própria personagem). E de preferência com uma razão de ser como plano de fundo.
Por fim, outro dos pontos menos positivos foi a estranha relação entre as pessoas. A humanidade apenas estava em declínio há uma semana e já estavam todos loucos por sexo e com vontade de sentir-se perto de outras pessoas, não se sentido sós. Acredito que se realmente ocorrer algo deste género essa reação seja totalmente credível, afinal de contas estamos a falar dos instintos animais, que por vezes são mais fortes que outros, mas não deixa de ser um pouco exagerado e achei que após uma semana esses instintos estavam demasiado fincados.
Estes foram os pontos menos positivos de todo o livro, mas se fossem alterados acho que iria gostar ainda mais do livro! Afinal de contas a ideia inicial é excelente e a escrita do autor é muito boa para o género, nem demasiado poética nem descuidada, acabando por ser uma escrita que denota grande cuidado e revisão. Não consegui largar o livro enquanto não o terminei, pois a narrativa acaba por viciar o leitor ao ponto de ser impossível parar.
Admito que fiquei com curiosidade de saber a continuação da história e em saber como o grupo irá salvar a humanidade. Um autor que me surpreendeu e foi uma boa "iniciação".
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sábado, 21 de fevereiro de 2015
Continuação...
Esta pergunta surpreende-me. Normalmente perguntam-me quais são as minhas inspirações e referências no que respeita ao mundo literário. A minha resposta a isso é simples. Cresci rodeado de policiais e livros de espionagem; foram essas as minhas primeiras referências, li Agatha Christie, Ruth Rendell, Ellery Queen, Sir Conan Doyle, John Le Carré, Konsalik, para referir alguns. Depois li clássicos como Balzac, Tolstoi, Stendhal, Cervantes, Kafka, Nietzsche, Marquês de Sade, Almeida Garrett, Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Miguel Torga, etc. O Fantástico chegou-me tarde às mãos - infelizmente; foi o livro «Os caçadores da Lua Vermelha», de Zimmer Bradley, que me conquistou e depois «O Senhor dos Anéis», de Tolkien, fez o resto. Desde então faço um esforço por manter o meu menu literário equilibrado em termos de géneros; todos são importantes.
Contudo, se a pergunta era efectivamente a colocada, respondo a isso, em parte, reportando para minha primeira resposta à entrevista: a mim interessa-me muito a verdade escondida por detrás da mentira, as coisas que se inventam com um propósito mesquinho e que acabam por tomar grandes proporções, fogem do controlo, e têm grandes consequências, influenciam gerações e, às vezes, a história de nações; sinto especial apetência por estes temas, bem como pela multiplicidade da verdade, ou seja, o facto da verdade, enquanto construção sociocultural, poder variar consoante a perspectiva de quem a observa. Estas são as minhas referências temáticas e posso dizer, sem grande margem para erro, que são 90% da minha inspiração. Os restantes 10% serão os autores contemporâneos que me fazem acreditar que é possível viver da escrita de romances, ser-se respeitado enquanto escritor; cada um deles é um professor, ou mentor, e cada romance pode ser um divertido manual de aprendizagem.
Qual é que acha que é o papel da blogosfera em geral na divulgação literária?
A blogosfera em geral é fundamental na divulgação do que quer que seja, hoje em dia. No que respeita às artes, em especial à literatura, é muito importante.
Para mim, que não contei com uma editora tradicional, a blogosfera tem sido essencial na divulgação do meu trabalho de escritor; e estava tão consciente disso que a primeira coisa que fiz, depois de lançamento de «Império Terra: o princípio», em 2008, foi criar o blogue Imperio Terra. Mais tarde, quando me apercebi que teria de ser eu a promover o meu trabalho, criei um perfil do facebook e - muito recentemente - a minha página de autor paulopfonsecaescritor; criei um site e criei o meu blogue de autor; e é claro, o blogue EPA|Escritores Portugueses Autopublicados, também existe, embora sem conteúdo. Por isso, tenho plena consciência da importância da Blogosfera.
Blogues como este podem ajudar levar novos autores ao conhecimento de novos leitores, podem ajudar a promover o trabalho de escritores que são tão bons, senão melhores, do que alguns dos que são publicados pelas editoras tradicionais e dessa forma ajudá-los a serem notados por essas mesmas editoras.
E sobre a blogosfera deixo ainda um aparte: nem tudo é bom; foi exactamente este facilitismo em publicar opiniões que levou à criação da ideia de que todos podem ser escritores, frequentemente justificada com a anglosaxonização - se é que existe esta palavra - do conceito escritor/Writer. É verdade que no mundo anglosaxónico todos os que escrevem são Writers, e esta panaceia tem sido papagueada por todos os que escrevem livros de autoajuda para escritores, esquecendo-se de dizer que, na Anglosaxónia, ninguém é só Writer, há os Novell Writers, por exemplo. Trazendo isto para a língua portuguesa, teremos de dizer que todos somos escritores, porque sabemos escrever, mas nem todos são escritores de ficção; nem todos podem. Este fenómeno encheu as editoras tradicionais de milhares de trabalhos, o que as impede de chegar a todos; e deu muito trabalho - criou um mercado - para as editoras de autopublicação. Há um esforço a ser feito, quer do sistema educativo português, quer dos governos, no que respeito à criação de uma política de educação cultural que permita, por um lado, apoiar quem pode alimentar a cultura, por outro, fornecer a cultura a quem dela precisa e não a pode produzir e, pelo caminho, separar a palha do joio, pela educação.
Está a referir-se ao ebook «Marta», com certeza. A Trilogia Império Terra tem fãs à espera do terceiro livro e tive muitos feedbacks positivos. Quanto a «Marta», a situação é muito diferente, quanto mais não seja por ser um ebook.
Vamos falar de ebooks. O ebook é novo no mercado português, no sentido de que as pessoas se sentem pouco relacionados com ele; o português - e não só - gosta do papel e de mexer no papel, do cheiro dos livros. Quem gosta dos ebooks, gosta deles pela ideia de que podem ser gratuitos, o que significa que pagar por ele não faz parte dos seus planos. Apostar nos ebooks, com sucesso, implica apostar numa internacionalização o que obriga à tradução do livro para inglês - pelo menos; e isso é muito caro.
Assim, não posso dizer que tive feedback sobre o ebook: é só mais um, no meio de milhares, e ainda por cima numa língua que poucos entendem. Contudo, quem leu a versão anterior à publicação, os Betareaders, como agora se diz, adoraram.
Tem algum plano literário para o futuro? Pretende reeditar os livros já lançados anteriormente?
Não sei se podemos chamar plano literário à minha firme decisão de continuar a escrever. Mas essa é a única coisa que posso afirmar. O que pretendo, acima de tudo, é conseguir ser publicado por uma Editora Tradicional. No entanto, recuso-me a deixar os meus trabalhos a ganharem pó numa gaveta - falando metaforicamente; se uma editora tradicional não aceitar o meu trabalho, publicá-lo-ei eu mesmo.
Comecei nisto, já lá vão 7 anos; e têm sido bons anos de aprendizado. A única forma de um Editora Tradicional aceitar trabalhos de um novo autor, e repare que não digo autor desconhecido - esses não têm hipóteses -, é se esse autor garantir leitores. A lógica é muito simples, na verdade: as Editoras são empresas, têm de garantir lucros, e lucros são vendas que são conseguidas com legiões de leitores - não há por onde criticar. Por isso, ou se tem a sorte tremenda de alguém pegar num livro e achar que é bom e acreditar que aquele trabalho devidamente promovido pode dar lucro, ou se faz o trabalho de casa e se constrói uma legião de leitores; tem sido este o padrão verificado, nos autores que se autopublicam, especialmente na Anglosaxónia e em ebooks: quando atingem um valor interessante de vendas, as editoras caem em cima deles.
Eu, neste momento, tento as duas coisas. Acredito que meu trabalho tem a qualidade necessária para ser publicado por uma Editora Tradicional e tenho a esperança de encontrar esse alguém que acredite que vale a pena apostar em mim; entretanto, enquanto isso não acontece, quero construir a minha legião de leitores.
Quanto à Trilogia Império Terra, existe um projecto para depois de terminar a revisão final do terceiro volume: apresentar a Trilogia inteira a uma editora para a reedicção dos dois primeiros volumes e a edição do terceiro. Digo, sem papas na língua, que quem apostar em mim, só terá a ganhar, porque o universo da Trilogia tem um infindável filão de histórias a ser explorado; quem leu os dois primeiros livros, sabe bem que existem ali referências que podem dar lugar a novos romances; alguns personagens, só por si, podem dar lugar a novos romances. Tenho muito para dar ao mundo e é por isso que digo que o meu plano passa, de certeza, pela continuidade da escrita.
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Fale-nos um pouco sobre si.
Nasci em Lisboa, em 1973, cresci em Almada, passei uma parte da minha infância no Alentejo e
formei-me em Sociologia pela FCSH. Actualmente exerço funções numa financeira e escrevo sempre que posso e tenho tempo para tal. Gosto de ler e de cinema, gosto de videojogos e sou um entusiasta da arte digital; sou uma pessoa de múltiplos interesses que gosta de saber e aprender coisas novas. O meu sonho é poder viver para a escrita e da escrita.
formei-me em Sociologia pela FCSH. Actualmente exerço funções numa financeira e escrevo sempre que posso e tenho tempo para tal. Gosto de ler e de cinema, gosto de videojogos e sou um entusiasta da arte digital; sou uma pessoa de múltiplos interesses que gosta de saber e aprender coisas novas. O meu sonho é poder viver para a escrita e da escrita.
Interessa-me particularmente o inexplicável, os fenómenos estranhos, as possíveis explicações que se encerram por detrás da explicação oficial e - essencialmente - as verdades escondidas, ou a mentira que esconde as verdades. Com um reportório destes nunca me poderia cingir a um único género literário, porque todos eles me fornecem imensas possibilidades. Ainda assim, prefiro o género Fantástico. Considero-me uma maratonista; isto quer dizer que prefiro o romance ao conto. No entanto, também escrevo contos, porque - por vezes - a história é para um conto e não para um romance.
A todos aqueles fundamentalistas que não admitem o facto de alguém conseguir escrever diferentes géneros, ou àqueles que acham que o Fantástico não é literatura, tenho apenas uma coisa a dizer: ninguém deve assumir que as suas limitações são a norma, nem que a excepção à regra é uma anormalidade.
Como entrou a escrita no seu dia-a-dia?
A primeira coisa que escrevi foram poemas - ainda escrevo. Depois comecei a escrever sinopses - só pela piada. E, finalmente, resolvi participar num concurso escolar com um conto; não era nada de especial, mas serviu para instalar o bichinho. Anos mais tarde, motivado pelo meu professor de português que adorou uma pequena redacção que fiz, sobre um pescador e o mar revoltado - tendo-me chegado a comparar a Raúl Brandão -, voltei a escrever. Nesse ano comecei a escrever o meu primeiro romance policial - ainda não terminado; parei quando entendi que precisava de experiencia de vida para o acabar. Um dia o acabarei... No entanto, até 2006, por diversas razões a escrita ficou para trás, tendo a produção sido reduzida a alguns poemas e contos; em 2006 resolvi que estava na altura de assumir a minha faceta de escritor. Escrever faz-me bem, faz-me sentir completo, faz-me viver, dá um sentido maior à minha vida e dá-me um propósito no mundo. Acredito que seja por isso que a escrita surgiu na minha vida e por que, de todos os sonhos de juventude que tinha, este seja o único do qual nunca abdiquei.
Esta é uma questão cuja resposta será longa e levar-me-á a referir aspectos que poderão - à primeira vista - não estar relacionados, mas estão.
Em 2008, a publicação de «Império Terra: o princípio» foi a realização de um sonho. Foi uma tempestade emocional, porque acreditei que dali em diante tudo seria melhor e mais fácil. Acontece que o mercado editorial tem as suas idiossincrasias e eu não estava preparado para elas. Foram 6 meses de felicidade e depois veio o desânimo e a revolta. Em 2010, quando publiquei o segundo livro da Trilogia Império Terra - «Guerra da Pirâmide» -, acreditava ter dominado parte dessas idiossincrasias, por isso escolhi melhor a editora, escolhi a minha própria capa - é única, porque foi desenhada de propósito para o livro - e fiz um excelente lançamento; acreditei que este livro poderia ser a minha afirmação... Mas por vicissitudes do mercado editorial o livro nunca saiu dos armazéns. Por isso, ser um autor publicado é bom, quando se tem uma editora tradicional por trás; em regime de autopublicação, não é muito saudável: não há garantias, não há esforço promocional, não há venda do produto nem do autor e - ainda por cima - pagou-se.
Contudo, quero deixar claro que não sou contra a autopublicação: é uma alternativa para quem quer publicar e enquanto não consegue chegar a uma editora tradicional. Eu próprio recorri a ela, em 2014, para publicar o ebook «Marta» e tenciono voltar a recorrer se, entretanto, não conseguir publicar por uma editora tradicional. Eu defendo que os autores não se deixem amordaçar pelo facto das editoras tradicionais não os publicarem; digo isto, porque apesar de escrever ser uma coisa que me faz bem, que me completa, que dá um sentido maior à minha vida e um propósito no mundo, nada disso será possível se não for lido; e talvez tenha sido por isso, por me sentir assim, que tenha começado a avançar com um projecto denominado de EPA|Escritores Portugueses Autopublicados - uma plataforma de divulgação dos autores que se autopublicam em Portugal -, mas a ideia de autopublicação é tão mal vista que são os próprios autopublicados a não admitirem que o são. De todos os convites que fiz - poucos se dignaram a responder -, não houve uma única resposta positiva.
Identifica-se com alguma das suas personagens?
Todos as personagens reflectem uma parte de nós; mesmo os vilões. Este fenómeno de transferência ocorre inconscientemente e, muitas vezes, só nos apercebemos disso quando relemos o que escrevemos, muito tempo depois. Para muitos, escrever funciona como uma espécie de descarga emocional, uma catarse, e por isso é natural que muitos dos seus processos mentais resultem numa transcrição para os textos dessas emoções transmutadas em acções ou pensamentos das personagens. De uma forma ou de outra, as personagens reflectem-nos sempre, nem que se seja num detalhe, e por isso é natural que nos identifiquemos mais com algumas personagens do que com outras, consoante o nível de transferência que fizemos.
Mas este fenómeno é também uma necessidade do processo de escrita, esta transferência do escritor, ou de outras pessoas que o escritor conhece, para a personagem, é isto que humaniza uma personagem e que a torna credível para o leitor, porque só assim o leitor se pode, por sua vez, identificar com as personagens; se a personagem não tiver essa carga emocional, dificilmente um leitor a aceitará e o livro perderá a sua função, tornar-se-á uma pilha de folhas.
A segunda parte da entrevista será publicada brevemente!
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