terça-feira, 13 de agosto de 2013

Entrevista a Jessica Thompson



Pode falar um pouco sobre si?
O meu nome é Jessica Thompson, Tenho 2 anos de idade e vivo em Londres. Adoro escrever, animais (especialmente cachorrinhos queridos), livros, filmes e caril. Aqui estão alguma coisas ao acaso para ti!

De onde vêm as suas ideias?
As minhas ideias não costumam vir de apenas um sítio pré definito. Há tantas coisas que me inspiram na vida, desde os meus amigos e família a coisas com que me encontro na minha vida profissional. Quando era uma jornalista aprendi tantas coisas sobre as pessoas e como há situações que podem ser complexas e isso foi um tempo inspirador e interessante e acho que ele nunca me irá abandonar. Também acho a música muito inspiradora. Se oiço música e fecho os meus olhos quase que consigo imaginar a história toda a desenvolver-se à minha frente, é tão bom.

Identifica-se nas suas personagens? E tem alguma personagem que seja especial para si?
Tenho que dizer que há sempre um pouco dos escritor nas suas personagens ficticias. É díficil escrever algo que venha do teu coração e que não tenha também um pouco de ti mesma! Sienna, de "Duas Vidas", é muito especial para mim. Consigo imaginá-la muito claramente, ouvir a voz dela quando escrevia o seu diálogo e quase que conseguia dizer como ela iria reagir em qualquer situaão. Porque como "Duas Vidas" foi o meu primeiro livro, Sienna vai sempre ser uma personagem muito especial para mim.

Tem algum hábito "esquisito" enquanto escreve?
Tenho a tendência de me tornar um pouco antisocial. Esqueço-me imensas vezes de comer e beber e fico um pouco perdida dentro do mundo ficcional. Mas é maravilhoso, é um sítio fantástico para se estar.

Admito que isto é uma questão com ratoeira, mas que acha das capas portuguesas dos seus livros?
Absolutamente adoro-a! É linda e fiquei maravilhada quando a vi. Acho que é muitíssimo romântica.

Desde que se tornou uma autora publicada, qual a coisa mais fantástica e ao mesmo tempo estranha que lhe aconteceu?
Acho que ouvir dos autores é sempre a coisa mais maravilhosa mas ao mesmo tempo estranha. Não te consigo dizer o quanto incrível é pôr horas e horas na escrita de um livro e depois ser contactada por alguém a dizer que se consegue relacionar com ele... Faz com que valha mesmo a pena. Também é estranho porque não parece real. É um privilégio ser um autor publicado e eu sinto-me abençoada. Não parece real.

Que pensa da comunidade bloguer? Acha que de alguma forma ela ajuda no aumento de popularidade dos seus livros?
Não fazia ideia de como era uma comunidade forte antes de me tornar um autor publicado. O apoio da comunidade bloguer tem sido incrível e estou muito agradecida.

Finalmente, tem alguma mensagem para os seus leitores portugueses?
Espero que tenham gostado de "Duas Vidas" tanto quando eu adorei escrevê-lo! Adoro ouvir notícias vossas, muito obrigada a todos que me contactaram.

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Entrevista em Inglês

Could you talk a little bit about yourself?
My name is Jessica Thompson. I'm 26 years old and I live in London. I love writing, animals (especially cute puppies), books, films, and curry! There's some random stuff for you!

From where did you get your ideas?
My ideas don't tend to come from one set place. So many things inspire me in life, from my own friends and family to things I have encountered in my working life. When I was a journalist I learned so much about people and just how complex situations can be, it was such an inspirational and interesting time and I don't think that will ever leave me. I find music particularly inspiring too. If I listen to music and close my eyes I can almost imagine whole stories playing out as I do so, it's nice.

Do you identify yourself in your characters? And have you got some character that is special to you?
I'd say there's always a little bit of the writer in all fictional characters. It's hard to write something so close to your heart and not put a bit of you in there too! Sienna, from This is a Love Story is very special to me. I found myself able to picture her really clearly, hear her voice when I wrote her dialogue and almost be able to tell you how she would react in almost any situation. Because TIALS was my first book, Sienna as a character will always be very special to me.

Do you have any "weird" habits while writing?
I tend to become a bit antisocial! I often forget to eat and drink, and become a bit lost in a fictional world. It's lovely though, such a great place to be.

I admit this is a trick question, but what do you think about the portuguese cover of your book?
I absolutely love it. It's beautiful and I was over the moon when I saw it. I think it's really romantic.

Since you became an a published author, what were the most amazing and at the same time weird thing that has hapenned to you?
I think hearing from readers is always wonderful but strange too. I can't tell you how incredible it is to put hours and hours into writing a book to then be contacted by someone to say they could relate to it... It really makes it worth it. It's also weird because it just doesn't feel real. It's such a privilege to be a published writer and I feel very blessed. I don't think it has sunk in really.

What to you think about the bloguers community? Do you think they were of any help when your first book was realeased?
I had no idea how strong it was before I became a published writer. The support from the blogger community has been incredible and I'm so grateful.

And finally, do you have any message for your portuguese readers?
I hope you enjoyed This is a Love Story/Duas Vidas as much as I loved writing it! I love to hear from readers, thanks so much to everyone who has got in touch.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Há Sempre Um Amanhã

Autora: Anita Notaro
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 468
Editor: Quinta Essência
ISBN: 9789898228857

Sinopse:
A maior parte das pessoas consegue lembrar-se de um momento decisivo na sua vida. Uma fração de segundo quando o tempo parou e a vida mudou para sempre. Para Lily Ormond, esse momento chegou ao fim de um dia, quando foi abrir a porta e descobriu que, enquanto estava a esmagar alho e alecrim e assistir a telenovelas, a sua irmã gémea Alison se tinha afogado. Foi difícil conciliar-se com a perda da única irmã e melhor amiga, e mais ainda tornar-se mãe de Charlie, o filho de Ali com três anos de idade, mas descobrir que a sua irmã gémea levava uma vida secreta havia anos quase destruiu Lily... E assim começa uma viagem relacionada com quatro homens que tinham feito parte de uma vida que ela nem sabia existir. Uma viagem que obriga Lily a reconciliar-se com a memória do pai que nunca se importou realmente com ela, com uma criança que precisa muito de si e com uma irmã que não era o que parecia.


Opinião:
Admito... A capa deste livro simplesmente não consegue chamar-me a atenção... É uma capa que me diz "tens na mão um livro de drama... se queres algo não dramático estás no lugar errado". E foi esta capa que a muitos pode ter chamado a atenção que a mim me manteve afastada deste livro durante imenso tempo. A razão de o ter lido? Emprestaram-mo e como tal tinha que o ler e até gostei, pois este livro acabou por ser mais "chick-lit" (nome dado a romances mais femininos, sendo uma leitura leve e engraçada) do que propriamente dramático.

Um dia que parecia normal muda repentinamente quando Lily recebe a notícia da morte da irmã. Uma morte que apesar de tudo foi com alguma sorte, pois das duas pessoas prestes a morrer, salvou-se o pequeno Charlie, filho de Ali, irmã de Lily. De um momento para o outro a sua vida fica virada ao contrário. Entre decidir como fazer para cuidar o filho da irmã e ter que preparar e tratar de todos os assuntos necessários para o funeral, Lily acaba por conhecer quatro homens que parecem ter tido com a sua irmã uma relação deveras estranha e mais pessoal do que ela julgava. Afinal de contas, do ponto de vista de Lily, a irmã não se dava com homem algum desde que nascera o pequeno Charlie, embora a sua irmã fosse toda ela encanto e sensualidade, algo que Lily não possuía embora fossem irmãs gémeas.

Mas a chegada destes quatro homens vem dificultar o que só por si já era difícil. Em luto pela sua querida irmã, os encontros com estes homens vêm relembrá-la constantemente do quanto diferente era da irmã, de como esta era sensual e tinha um certo charme que parecia pertencer a si mesma. Falam de Ali como se falassem da melhor amiga e daquela paixão platónica que nunca devem revelar. Mas afinal que se passou entre estes homens e a irmã?

Muito sinceramente este livro até me surpreendeu. Não estamos perante uma obra de arte, longe disso, afinal este livro tinha uma premissa que poderia dar pano para mangas, mas de alguma maneira a autora andou ali às voltas de algo que tinha mais potencial do que aquele que ela retirou da história. Porque digo isso? Porque durante toda a história considerei a irmã de Ali, Lily, uma idiota... Sim, é mau dizer isso, mas a partir do momento que todos os factos estão perante si e ela continua sem perceber que a irmã andava com aquela gente toda ao mesmo tempo... É um "mistério" que qualquer leitor percebe logo ao início e mesmo assim Ali mantêm-se a si mesma na total ignorância!

Foi por esta razão que gostei mais das histórias desses quatro homens com as mulheres. Temos desde o mulherengo, passando pelo homem que ama a mulher mas que devido a problemas médicos o sexo já não é o que era. Este livro aborda vários homens distintos e foi isso que me fez até simpatizar com a história, sendo que a história principal, a de Lily, acabou para mim, por ficar em segundo plano, pois embora tenha simpatizado com a personagem, não precisam de a fazer tão coitadinha e ignorante.

Um livro que se lê bem e que embora não seja nenhuma obra de arte, acaba por valer a pena pelas personagens masculinas.

domingo, 11 de agosto de 2013

Passatempo de Aniversário "O Espião Português" (autografado)

Com o precioso apoio do autor Nuno Nepomuceno vimos oferecer um exemplar autografado do seu livro "O Espião Português".

Se querem ter a oportunidade de ganhar este maravilhoso exemplar é só responder às pequenas e simples questões que se seguem. Todas as respostas podem ser encontradas no blogue do autor ou por uma curta pesquisa na internet. Boa sorte e boas leituras!!

Regras do Passatempo:
1) O Passatempo decorrerá até às 23h59 do dia 17 de Agosto (sábado).
2) Só é válida uma participação por pessoa e residência.
3) Participações com respostas erradas e/ou dados incompletos serão automaticamente anuladas.
4) O vencedor será sorteado aleatoriamente pela administração do blogue, será contactado por email e o resultado será anunciado no blogue.
5) O envio do prémio será realizado pelo autor, via CTT.
6) Só são aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.

sábado, 10 de agosto de 2013

Entrevista a Vasco Ricardo

 
Fala-nos um pouco sobre ti.
Hum, a pergunta difícil, não é? Se perguntares a 100 pessoas diferentes todas elas dirão uma imensidão de verdades e algumas ideias erradas. Nenhuma dirá o mesmo. Por isso a minha versão será sempre deturpada aos olhos dos outros. Sou só um gajo que escreve melhor do que ontem e pior do que amanhã.

Como surgiu a escrita na tua vida?
As ideias e a mentalidade desde sempre, a vontade desde que soube que ia ser pai.

Identificas-te em algumas das tuas personagens?
Nem por isso, embora as pessoas que me conheçam bem me vejam nalgumas delas.

Quais são as tuas referências e inspirações enquanto escreves? 
Referências são muitas, é tudo o que me rodeia e assimilo. Confesso que se deus existisse na forma literária, veria Jonathan Coe como o grande criador. Ultimamente tenho apreciado imenso Murakami, Afonso Cruz, Jack London ou Charles Bukowski. A inspiração vem do dia-a-dia, das situações vividas e daquelas que gostaria, recearia ou detestaria de experimentar.

E qual é que achas que é o papel da blogosfera em geral na divulgação literária?
É importante para chegar a um público bem definido mas que tem potencial para crescer todos os dias.

Tens recebido feedbacks dos teus leitores, sejam eles mais antigos ou novos na descoberta da tua escrita?
Sim, tenho recebido, através do facebook e dos blogues. É sempre bom saber que as pessoas leram as minhas coisas e principalmente que se importam em transmitir o que sentiram.

Tens planos literários futuros?
Os planos passam por escrever. Até ao final do ano terminarei as ‘Crónicas de um Portugal demasiado português’ no Destante (http://destante.blogspot.pt/2013/06/cronicas-de-um-portugal-demasiado_27.html), e acerca das quais reservarei uma grande surpresa para quem retira prazer em segui-las. Tirando isso, concluí este mês uma ficção, a oitava que desenvolvi, e certamente não tardarei a iniciar outra. Quanto a publicações, honestamente não tenho pensado nisso.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A Meninas dos Chocolates

Autora: Annie Murray
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 496
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892316130

Sinopse:
Edie, Ruby e Janet são amigas e dedicam-se a fazer chocolates na famosa fábrica Cadbury, em Inglaterra. As suas vidas poderiam ser de sonho, não fossem as atribulações familiares e a eclosão da Segunda Guerra Mundial.
Edie casa muito jovem. A sua fé no futuro é ilimitada mas o destino tem outros planos para ela. Com apenas dezanove anos, Edie enfrenta a guerra sozinha e tomada pela dor após a perda do marido e do filho. Até que uma noite, durante um bombardeamento, uma criança abandonada é deixada ao seu cuidado…
Entretanto, a sua jovial amiga Ruby, apesar do medo de ficar solteirona, acaba por se casar com Frank, desconhecendo o seu carácter temperamental.
E há também Janet - inteligente, bondosa e atraída pelos homens errados. Profundamente magoada pela sua última relação amorosa, Janet está convencida de que nunca mais se apaixonará.
Mas David, a criança que Edie acolhe, conquista o coração de todos. E quando tem idade suficiente para questionar a sua verdadeira identidade, David vai novamente transformar as suas vidas e proporcionar-lhes algo com que nunca sonharam…
Três mulheres cujas vidas são marcadas pela amizade, a guerra e o amor por uma criança.


Opinião:
Há algo na capa deste livro, nas cores, na maneira como as imagens estão colocadas, que me chamou de imediato a atenção. Sabem aqueles livros que vocês têm curiosidade em ler e depois aqui e acolá vão lendo boas críticas e a curiosidade acumula-se de tal maneira que mal têm oportunidade lêem o livro de imediato? Este foi um desses casos!

Edie, Ruby e Janet acabam por se encontrar umas com as outras devido a um simples facto, a vida. Duas são amigas desde pequeninas. Outras duas são amigas devido ao voluntariado. E as outras duas são amigas porque queriam conhecer "as amigas das amigas".

Edie queria sair de casa brevemente. Odiava viver com os pais, uma das formas mais cruéis que conhecia de viver. Quando conhece o homem dos seus sonhos e este a pede em casamento, Edie aceita, mas a guerra estava à porta e este acaba por aceitar ir. O pior é que este acaba por morrer antes mesmo de ir para a guerra, deixando Edie grávida e sem dinheiro para fazer o que quer que seja.

Já Ruby, a amiga divertida e alegre, que gosta de ser livre, acaba por juntar-se com Frank, um dos melhores amigos do ex-marido de Edie. Um homem que durante o namoro se mostra divertido e que parece adorar Ruby, mas após o casamento mostra a falta de fé que tem naquele relacionamento e acaba por descarregar todo o seu ódio em Ruby.

Por fim temos Janet, uma pessoa que transpira simpatia. Uma pessoa adorável, simpática e prestável, que quer a todo o custo esquecer-se do passado e de tudo o que fizera de errado na infância. A única forma que conhece de se esconder do passado é fingir que ele não aconteceu e manter-se afastada de homens, o que acaba por se provar mais difícil do que parecia.

Não sei o que pensar sobre este livro. Por um lado gostei muito dele, por outro queria algo mais "romance". Após ler a sinopse pensava que este livro se ia centrar na amizade das três personagens e na criança que Edie acabara por adoptar. Mas afinal, pelo menos para mim, tais pormenores foram secundários, sendo que todo o livro se centrou mais nas suas vidas, no que tiveram de ultrapassar para sobreviver a diversos obstáculos e como a guerra as afectou. Como afectou as suas amizades, a sua família, o seu trabalho.

Esta é a realidade do livro. E é o que faz com que o livro seja muito diferente do que eu esperança. Não diferente pelo lado negativo, mas algo mais sério e profundo do que eu esperava desta leitura.

Um livro que recomendo, mas que acaba por ser uma leitura mais pesada do que parece pela sinopse.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Conto "Máquina do Tempo" de António Silva


Fazia um voo baixo a uns dez metros do solo. Era engraçado ver a reacção das pessoas quando viam o meu disco voador aproximar-se. Alguns fugiam em pânico, outros apontavam para o céu com cara de espanto, outros ajoelhavam-se pensando que se tratava de uma manifestação divina.
Os frequentes rebanhos de animais que surgiam fugiam, com a aproximação da minha nave, para desespero dos seus pastores.
Não sabia ao certo em que tempo me encontrava, mas acho que recuei no tempo mais de mil anos e encontrava-me agora a voar algures sobre o Médio Oriente. Não estava muito preocupado com o onde e o quando. Apenas desfrutava a viagem.
Precisava de fugir à realidade, às mágoas do arrependimento e ao sofrimento que me impingiram. Por isso desejei uma máquina do tempo, para poder recuar atrás e corrigir os erros do meu passado. Então, uma noite, acordei sobressaltado com luzes na janela. Levantei-me rapidamente num misto de medo e adrenalina. Seria um assalto? Pensei. Segurei numa faca de cozinha e corri para a porta de entrada.
Mas quando saí para fora lá estava ela. A máquina que tanto desejei, em forma de disco voador prateado. Ouvia-a falar comigo telepaticamente. Como se tivesse consciência própria e me conhecesse bem. Não senti medo, embora não soubesse como foi ali parar nem tão pouco de onde veio. Sabia apenas que era uma coisa de outro mundo e estava ali por mim.
O chamamento era tão forte que não hesitei em entrar. A nave era controlada pelo meu pensamento e por isso, apenas desejei partir. Era uma tecnologia fascinante, parecia que a minha mente se tinha fundido com a própria máquina. Perante a minha ordem levantou voo rumo a um destino longínquo. Não sei para onde. Apenas ordenei que fosse para longe. Assim foi. E desde então tenho vindo a vaguear por tempos e terras diferentes.
Dentro daquele disco voador tinha todas as comodidades de um apartamento de luxo. No centro do aparelho existia uma enorme sala de convívio, com um bar recheado de todo tipo de bebidas, sofás em toda a volta e um gigantesco ecrã que me dava acesso a todos os canais do mundo e à internet. Optei por não usar essas opções, decidi desligar-me mesmo da realidade.
Para descansar, existia um quarto fabuloso que metia inveja a qualquer suite presidencial de um hotel de cinco estrelas. Já a sala de comando era um local mais sério. Sem decorações refinadas, apenas com algumas poltronas onde as informações que a nave transmitia se tornavam mais técnicas. Estudei alguns mapas astrais com rotas para outros mundos. Era um conhecimento espantoso!
Cheguei a viajar até à lua. No entanto, o espaço tem tanto de belo como de assombroso. A vastidão das estrelas é demasiado solitária. Uma solidão tão forte e tão profunda que me assustou. Devido a isso não me aventurei a ir mais longe no cosmos. Voltei para a Terra.
Foi durante aquele voo rasante que o vi. No topo de um monte com o polegar levantado a pedir boleia. Assobiava de forma descontraída. Parecia uma personagem de uma comédia surreal.
A nave parecia conhecê-lo e ele parecia já estar à espera. Decidi então fazer o que a máquina queria. Parei e puxei o homem para dentro através de um raio de tracção que parecia saído de um filme de ficção científica.
Assim que entrou abriu os braços na minha direcção e curvou-se ligeiramente, como um actor que agradece os aplausos. Era uma figura bastante desleixada. Usava uma túnica já bastante gasta e suja. Era moreno, tinha o cabelo comprido e a barba por fazer. A higiene também deixava muito a desejar. Os olhos eram de um exagerado azul intenso, no entanto de uma beleza intensa e infinitamente profundos. Parecia que me hipnotizavam. O mendigo esboçou um sorriso aberto, tal como um velho amigo e abraçou-me.
– Jesus!? – Disse-lhe incrédulo.
– Que foi? Achas que exagerei no azul dos olhos? – Disse-me Ele, em tom gozão, enquanto colocava as suas mãos sobre os meus ombros.
Senti o corpo a ficar dormente. Creio que paralisei naquele momento possuído pelo temor, ou pela emoção… Não sei explicar. Apenas gelei, sem conseguir mexer-me ou falar. Então Jesus estalou os dedos e foi como um acordar para mim. Saí imediatamente do transe e respondi:
– Não é isso. Não estava à espera de Te encontrar... Tu és Jesus! És Deus! Que queres de mim? – Apesar o temor que sentia, existia algo de muito familiar nele. Estranhamente parecia que o conhecia desde sempre. Por isso tratei-O como um velho amigo.
– Não esperavas!? Típico. Era mesmo de prever. Então desejas uma máquina do tempo, ela aparece-te à porta e tu esqueces quem ta enviou! – Repreendeu-me Ele num tom áspero.
– Mas eu perdoo-te. – Respondeu-me logo de seguida retomando o sorriso, de quem estava a brincar.
– Foste Tu que ma enviaste? – Perguntei ainda incrédulo.
– Quem havia de ser! ET’s!? Fartei-me de te ver chorar a queixares-te da vida fechado em casa. Deixa que te diga que parecias uma menina mimada a lamuriar-se. Que espectáculo degradante. Devias ter vergonha.
Baixei a cabeça comprometido. De facto senti-me embaraçado perante aquela descrição.
Jesus, esse, dirigiu-se ao bar da nave e tirou uma cerveja fresca. Perguntou-me se também queria uma. Acenei-lhe que não e Ele continuou:
– Como disse, estava fartinho de te ver choramingar pelos cantos. Por isso, quando resolveste rezar-Me a implorar por uma máquina do tempo, achei no mínimo um pedido original. Por isso e para te calar, decidi enviar-te uma.
– Obrigado… – Respondi envergonhado.
– Só não percebi uma coisa. – Disse Ele enquanto se sentava descontraidamente na sala de comando a beber mais um gole de cerveja.
– O quê? – Perguntei enquanto me habituava à ideia de ter ali Jesus à minha frente. A confidenciarmos como dois amigos.
– Porque não voltaste atrás para mudares o teu passado, tal como desejaste e em vez disso, andaste por aí a passear no tempo?
A pergunta calou-me. Um certo cansaço caiu em cima de mim. Sinceramente não sabia o que responder…
– Não sei... Medo… Cobardia, talvez... É tudo muito confuso. Mas Tu já sabes a resposta, melhor do que eu. Sabes o que penso, o que vai na minha mente magoada, porque me perguntas? – Respondi-lhe como se estivesse numa mistura de consulta de psicólogo com uma confissão a um padre. Uma lágrima começou a escorrer-me pelo rosto e eu limpei-a com a manga.
De forma imprevisível Jesus deu uma gargalhada enorme e disse: – Bem respondido. Embora fujas à questão. Mas confesso que gostei da forma como andas a assustar pessoas com a nave.
Ri-me também. – Sim, tem piada. – Disse.
– Mas já te divertiste bastante. Não podes continuar assim. Está na altura de tomares uma decisão. – A expressão de Jesus mudou. Tornou-se séria, quase repreensiva. Como um pai que aconselha o filho. Senti os seus olhos a penetrar a minha alma. Então perguntou-me novamente: – Porque é que ainda não alteraste o teu passado?
– Tenho medo de reviver aquilo que me fez sofrer. Mesmo que altere o passado, vou-me lembrar de toda a dor que senti. – Respondi, enquanto mais lágrimas me escorriam pelo rosto.
Jesus colocou a mão sobre o meu ombro e esboçou um sorriso. Possivelmente o sorriso mais reconfortante que vi na vida. Pois demonstrou que me compreendia e não me condenava. O desabafo foi como se um peso me saísse das costas.
– Sabes. – Disse Ele, como um sábio que dá um conselho. Afinal de contas Ele era Jesus. Maior sábio não deve existir. – Quer queiramos, quer não, o sofrimento faz parte da vida. Mas também a alegria. E podes acreditar em mim quando digo que há mais alegria no mundo do que dor. Não podes viver escondido com medo de sofrer, assim nunca conhecerás a felicidade.
Acenei com a cabeça. Deixei que as lágrimas escorressem livremente. Sabia bem que o que Ele dizia era verdade. O sofrimento está por toda a parte. Mas a vontade humana de alcançar a felicidade é mais forte.
– E acredita que de sofrimento percebo eu. Houveram uns fulanos que me crucificaram! – Jesus brincou com a situação, embora mantivesse a expressão pesada. Foi então a vez dele de baixar o rosto. – Seria fácil para mim simplesmente ir embora. Ignorar o sofrimento porque devo passar. E depois? Quem seria eu sem a dor para poder mostrar ao mundo o valor da felicidade?
Sentia-se mágoa na voz dele. Eu concordei com aquelas palavras. Compreendi o segredo da felicidade: O sofrimento faz parte da vida…
Houve um longo silêncio. Quando finalmente nos olhamos, acabamos por sorrir os dois. Bateu-me com as mãos nas costas e perguntou: – Que vais fazer?
– Vou voltar a casa. – Disse-Lhe.
– E o teu passado?
– Não o vou alterar. – Respondi muito mais sereno. – Se alterasse aqueles erros iria acabar por cometer outros. Prefiro viver com as consequências e procurar ser feliz assim. Sem medos.
Ele abraçou-me festivamente, como se comemorasse uma vitória. Eu retribuí e festejei com ele. Também me senti vitorioso.
– Podes deixar-me aqui. – Pediu Jesus. – Está na altura de cumprir o meu destino…
Assim fiz. Os seus olhos profundamente azuis exibiam um certo orgulho. Pelo menos foi assim que interpretei.
Então, depois de Lhe agradecer imensas vezes. Parei a nave e baixei-O perto de um vilarejo, junto a uma estrada.
– Só mais uma coisa! – Falou enquanto o sistema de anti-gravidade O descia. – Quando voltares para o teu tempo, deixa a nave num descampado bem longe de casa e foge dali. Foge o mais rápido possível. É que ela pertence a uns tipos cinzentos, pequenos, cabeçudos, de olhos esbugalhados e com muito mau feitio. Eu trouxe-a sem pedir autorização. Roubei-a, compreendes? Portanto seria chato se eles te encontrassem...
Acenei-Lhe afirmativamente e não deixei de soltar uma enorme gargalhada. O Seu sentido de humor não parava de me surpreender. Foi um conselho muito estranho para terminar aquela aventura. Mas toda ela tinha sido assim, louca, no entanto reveladora.
Por isso concordei e tracei o meu caminho de volta. Estava na altura de voltar ao presente, à minha vida, e fazer dela uma aventura onde o herói sou eu.

António Silva

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O Diabo do Rio

Autora: Patricia Briggs
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 288
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896374426

Sinopse:
Bem-vindo ao mundo de Patricia Briggs, um lugar onde bruxas, vampiros, lobisomens e seres feéricos vivem lado a lado com os humanos. Só uma mulher invulgar como Mercy Thompson poderia sentir-se em casa num lugar assim.
A mecânica Mercy Thompson sempre soube que havia algo de diferente em si, e não era apenas a sua paixão por carros. Mercy é uma metamorfa, um talento que herdou do seu falecido pai. Mas a jovem também consegue ver fantasmas, tornando-a parte de uma espécie ainda mais rara, os caminhantes. E se nunca antes recebera a visita do fantasma do seu pai, tudo vai mudar na sua lua-de-mel com Adam, um lobo Alfa.
Entretanto, algo terrível esconde-se nas profundezas do rio Columbia, causando vítimas inocentes. Quando Mercy conhece finalmente outros caminhantes, terá que aceitar a sua herança paterna e exorcizar o mundo da lenda conhecida como o Diabo do Rio… Qual será o preço a pagar? A sua vida? A de Adam? Ou o seu casamento?


Opinião:
Todos sabem que eu adoro esta saga. É uma saga que tem uma protagonista forte, inteligente, dedicada e feminina mas sem exageros e dramatismos a mais. São todos estes ingredientes que me fazem adorar este livro e a imaginação prodigiosa da autora, que mesmo já estando no sexto livro consegue sempre surpreender-me e aprofundar facetas novas de Mercy e das personagens que a rodeiam.

Mercy e Adam estão noivos. Finalmente depois de todos os obstáculos que encontraram no caminho conseguiram entender-se e já têm data anunciada de casamento. Este é um acontecimento único para a mãe de Mercy que quer torná-lo em algo inesquecível e em grande. Uma coisa que Mercy dispensava, pois esta quer um casamento simples e recatado. Desesperada acaba por tomar uma decisão com Adam. Irão casar-se dali a dois dias.

Mal se casam sentem necessidade de estarem sozinhos e com esse fim vão passar uma lua de mel num local onde ninguém os pudesse encontrar. Mas nem nas férias Mercy consegue estar sossegada. E o salvamento de um homem que se está a afogar transforma as férias que eram supostas ser calmas em algo muito diferente do que Mercy estava à espera.

Como já referi, a autora em cada novo livro consegue arranjar uma história diferente para contar e desta vez isso não foi diferente. Tendo no outro livro sido apresentados de forma mais profundas os sentimentos de Mercy e Adam, neste livro temos um grande aprofundamento das raízes de Mercy. Mercy nunca conhecera outro coiote, outro alguém da sua espécie, tendo-se sempre sentido sozinha no mundo. Neste livro isso muda, com o aparecimento não só de outro iguais a ela mas do seu próprio pai, em forma de fantasma.

Um livro de uma saga que recomendo. Com uma escrita fantástica e uma história maravilhosa!