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domingo, 27 de maio de 2012
Autora: Jean Sasson
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 624
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892316741


Sinopse:
Sultana é o pseudónimo de uma corajosa princesa da Arábia Saudita. Ela é uma das dez filhas da família real mas a sua vida, rodeada de luxo e riquezas inimagináveis, está longe de ser um conto de fadas. No seu país, as mulheres - qualquer que seja o seu estrato social - estão sujeitas à tirania ditada por um fanatismo religioso que promove a poligamia, dá ao homem o poder de castigar cruelmente qualquer mulher e incentiva os casamentos forçados, as mutilações e a violência sexual, as execuções por apedrejamento ou afogamento.
Quando aceitou contar a sua história à jornalista e escritora Jean Sasson, Sultana sabia que estava a pôr em risco a própria vida. Foi conscientemente que abdicou da sua segurança pessoal para denunciar o brutal quotidiano das mulheres sauditas. A sua voz dá-nos a conhecer um mundo no qual a sumptuosidade e a extravagância coexistem com a violência e a barbárie. A princesa partilha connosco a sua intimidade e a das mulheres que a rodeiam: as suas filhas, primas, amigas… mas, na sua franqueza e coragem, ela fala por todas as mulheres.


Opinião:
Nunca fui muito de ler livros baseados em factos verídicos, os famosos livros "documentários". Para mim os livros são um escape à realidade, onde mundos diferentes se conjugam, onde sofremos com personagens que sabemos que nunca poderiam existir na vida real, ou então personagens que gostaríamos de conhecer um dia quando menos esperassemos. Mas a sinopse deste livro atraiu-me de tal forma que não resisti a lê-lo, e sinceramente, ainda bem que tomei essa decisão.

Sultana é uma princesa da Arábia Saudita. Uma das mais jovens entre as irmãs, uma das mais bonitas e sem dúvida a com ideias mais perigosas de todas elas. Sultana vive num mundo onde a liberdade de expressão existe apenas para os homens e onde as mulheres são vendidas com animais e tratadas pior que estes, sendo na maior parte dos casos escravas sexuais e onde os homens descarregam as suas frustrações. Embora seja uma princesa, Sultana sempre quis saber mais sobre o seu povo, se a vida limitada que vivia era apenas por ser da família real ou se era algo mesmo dos costumes do país, acabando por descobrir que sendo princesa, o que ela sofria em nada se comparava com o que inúmeras mulheres árabes sofrem todos os dias.

Começamos neste livro por conhecer esta princesa, ainda jovem. Uma rapariga que fala demais para o seu próprio bem e cujo grande objectivo de vida é livrar o seu país do poder abusivo que os homens têm sobre as mulheres. Sendo das filhas mais novas de uma grande e importante família, desde cedo que Sultana sabia que os pais a iriam entregar a um homem que pagasse bem por ela e que garantisse algo à sua família. Mas a sua persistência, a sua luta por algo diferente fez com que o seu casamento fosse facilitado, chegando inclusivé a conhecer o marido antes do casamento (algo deveras invulgar no seu país) e para sua sorte casou com um homem árabe de grandes famílias cuja mente não era tão fechada com a de todos os homens com quem ela já se tinha cruzado, acabando mesmo por se apaixonar por ele.

Esta é apenas um exemplo do que esta princesa tenta mudar e alcançar. Embora nunca tenha conhecido a verdadeira pobreza, tal não a torna hipócrita e resignada e tenta lutar para alcançar diferentes objectivos, para melhorar a vida das mulheres do seu povo.

Acabamos por acompanhar a vida da princesa ao longo da sua infância, adolescência, maternidade. Vemos como ela tenta mudar a mentalidade de mulheres e homens começando por aqueles que lhe são mais próximos (família e amigos) e aos bocados começa a ajudar "cladestinamente" diversas mulheres do povo. Uma mulher que quer mudar o seu mundo por si e pelos outros. Uma personagem (real) deveras interessante e profundamente fascinante, que torna todo o livro demasiado viciante para largar, mas que por outro lado nos choca ao ver descritas (por vezes com imenso pormenor) cenas chocantes que em diversos países levariam imediatamente o autor do crime a pena de morte ou perpétua!

Sem dúvida um livro que eu aconselho todos a lerem, embora não possa ser algo que eu aconselhe para as pessoas mais sensíveis.

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