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quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Autora: Isabel Stilwell
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 704
Editor: Esfera dos Livros
ISBN: 9789896263690

Sinopse:
Com apenas 7 anos, Maria da Glória torna-se rainha de Portugal. Um país do outro lado do oceano que nunca havia pisado. A sua infância foi vivida no Brasil, entre o calor e os papagaios coloridos que admirava na companhia dos seus irmãos e da sua adorada mãe, D. Leopoldina. A ensombrar esta felicidade apenas Domitília, a amante do seu pai, imperador do Brasil e D. Pedro IV de Portugal. Em 1828 parte rumo a Viena para ser educada na corte dos avós. Para trás deixa a mãe sepultada, os seus adorados irmãos e a marquesa de Aguiar, sua amiga e protetora. Traída pelo seu tio D. Miguel, que se declara rei de Portugal, e a quem estava prometida em casamento, D. Maria acaba por desembarcar em Londres onde conhece Vitória, a herdeira da coroa de Inglaterra a quem ficará para sempre ligada por uma estreita relação de amizade. Aos 15 anos, finda a guerra civil, D. Maria pisa pela primeira vez o solo do seu país. Seria uma boa rainha para aquela gente que a acolhia em festa e uma mulher feliz, mais feliz do que a sua querida mãe. Fracassada a sua união com o tio, agora exilado, casa-se com Augusto de Beauharnais que um ano depois morre de difteria. Maria era teimosa, não desistia assim tão facilmente da sua felicidade e encontra-a junto de D. Fernando de Saxo-Coburgo-Gotha, pai dos seus onze filhos, quatro deles mortos à nascença. 


Opinião:
Nunca tinha lido nada desta autora, embora já tivesse ouvido falar imenso da mesma e até tenho um livro dela que me foi oferecido. Foi assim que, tendo-me apaixonado pela belíssima capa e sinopse, descobri mais sobre uma das grandes rainhas de Portugal.

Maria da Glória vive com os pais no Brasil. Filha de D. Pedro IV, rei de Portugal e imperador do Brasil, e de D. Leopoldina, arquiduquesa da Áustria e imperatriz de Brasil, Maria era uma menina adorada pelos pais, que sempre tiveram um instituto paternal muito grande, mimada e que gostava de impôr as suas decisões a todos, mas ao mesmo tempo era uma rapariga terna com os irmãos, decidida e que protegia aqueles que a protegiam. Vivendo uma infância que desde cedo a obrigou a crescer, Maria era rainha de Portugal desde os seus 7 anos, vivia a ver constantemente o seu adorado pai a ter rápidas mudanças de humor (algo que todos diziam que Maria tinha herdado) e a enganar a sua mãe com diversas mulheres, embora Domitília tenha sido a pior de todas essas mulheres, alguém que fazia do rei gato sapato e este, caidinho por esta mulher, deixava o povo brasileiro descontente com as atitudes que este tinha relativamente à sua verdadeira mulher, muito estimada pelo povo.

Tendo viajando também desde muito cedo, Maria é uma criança a quem sempre dizeram que seria rainha e esta ideia que lhe tinha sido cultivada fê-la imediatamente começar a tecer planos para destronar o tio D. Miguel, de que muitos portugueses gostavam mais, pois afirmavam que trabalhava mais para o crescimento de Portugal do que D. Pedro, que estava apaixonado pelo Brasil e pela sua amante. Após diversas reviravoltas, Maria acaba por se tornar rainha de Portugal e tem um reinado quase absolutista.

Gostei muitíssimo deste livro. D. Maria foi uma rainha que o facto de ter sido muito mimada em criança e tendo crescido com pessoas constantemente a dizer-lhe que iria ser rainha, lhe cultivou um orgulho fora do normal. Mas se pensam que tal é algo bom, nem sempre foi. Muitas vezes tal era bom, a rainha não se deixava influenciar pelo povo cuja opinião era muito dispersa entre ele e mudava muito rapidamente, mas por outro lado havia alturas em que quando todos a recomendavam a uma coisa, o povo, os ministros, o marido e até mesmo a rainha Victoria de Inglaterra com quem era muitíssimo amiga, mas D. Maria achando que ela é que comandava o país, ela é que sabia e não eles, ia levando o país a entrar em inúmeras guerras civis que eram aplacadas pela rainha Victoria e até mesmo pelo seu marido, um homem que o povo achava submisso e sem opinião, quando a realidade é que a rainha mesmo gostado imenso dele, não lhe dava conhecimento de metade das suas opiniões, tendo uma vez inclusivé escondido uma gravidez do marido (não era difícil, pois D. Maria após o nascimento dos seus filhos foi ficando cada vez mais obesa, tendo inclusive dores no coração, e já ninguém ligava a uns quilos a mais ou a menos), simplesmente porque este iria avisar os médicos e tomar as devidas precauções, algo que ela achava inútil e a irritava profundamente.

Para além de conhecermos esta rainha, conhecemos o seu marido, D. Fernando, homem estrangeiro em terras lusitanas, que adorava as artes e que embora a rainha não ligasse à sua opinião era um pacifista cuja opinião era importante para diversos ministro e países estrangeiros, pois todos o achavam mais terra a terra que a rainha. Também adorei conhecer a rainha Victoria, rainha esta que governou imensos anos (mais de 50 anos), tendo este sido o reinado mais longo que houve em Inglaterra. Mas não foi o facto de o seu reinado ter sido longo que gostei, mas sim a própria maneira de ser da rainha. Inteligente e tendo sido educada toda a sua vida para aquela propósito, era uma rainha muito melhor preparada que D. Maria, mas não se deixava reinar pelo convencimento e pedia a opinião sobre as suas decisões ao marido, aos ministros e até mesmo a D. Fernando, marido da rainha de Portugal. Continuava a querer saber a opinião do povo, coisa que D. Maria desde cedo desistiu de fazer, tendo inclusive parado de ler os jornais, e toda esta sua maneira de ser fez Inglaterra ter durante o seu reinado um crescimento enorme e que se nota no livro, quando Victoria fala de novas máquinas, novos medicamentos, etc.

Outra personagem que me despertou imenso a atenção (de tal forma que quando acabei o livro fui pesquisar sobre ela), foi o príncipe herdeiro, Pedro, um rapazinho curioso e com uma grande fome de conhecimento, que ao crescer já tinha opiniões muito fixas e chegava mesmo a contestar determinadas opiniões da mãe, achando que esta não tomava as decisões certas para ajudar o país. 

Sem dúvida um livro que me surpreendeu imenso e que gostei imenso de ler! Uma autora que irei seguir.

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