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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Autor: Antonio Iturbe
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 384
Editor: Editorial Planeta
ISBN: 9789896574321

Sinopse:
Auschwitz-Birkenau, o campo do horror, infernal, o mais mortífero e implacável. E uma jovem que teima em devolver a esperança. Sobre a lama negra de Auschwitz, que tudo engole, Fredy Hirsch ergueu uma escola. Num lugar onde os livros são proibidos, a jovem Dita esconde debaixo do vestido os frágeis volumes da biblioteca pública mais pequena, recôndita e clandestina que jamais existiu. No meio do horror, Dita dá-nos uma maravilhosa lição de coragem: não se rende e nunca perde a vontade de viver nem de ler porque, mesmo naquele terrível campo de extermínio nazi, «abrir um livro é como entrar para um comboio que nos leva de férias».


Opinião:
Este livro teve um estranho efeito em mim. Gostei imenso da capa e quando li a sinopse fiquei ainda mais curiosa por duas razões principais. Porque para além de o livro falar sobre uma bibliotecária em Auschwitz (sendo os livros proibidos nessa verdadeira prisão), é referido que as personagens deste livro são reais e não é todos os dias que se lê um livro romanceado sobre Auschwitz baseado em personagens reais.

Dita sempre tivera uma paixão secreta por livros. Estes encantavam-na, tornavam o seu mundo muito melhor e feliz. Por grande sorte sua, quando entrou em Auschwitz, destacaram-na para o bloco 31, um bloco onde se juntavam todas as crianças de Auschwitz para se distraírem e supostamente para não incomodarem os pais, de forma a estes serem mais produtivos. Mas na realidade aquele bloco era onde se aprendia a criar uma mente própria, uma opinião sua. Um segredo para os guardas e um esconderijo para os prisioneiros. Quando Fredy Hirsch, que coordena o bloco descobre a paixão de Dita para com os livros encarrega-a de um perigoso trabalho. De os esconder e proteger, algo que se fosse descoberta fazer seria imediatamente morta. Mas de acordo com Dita, era um trabalho que valia a pena.

Através deste livro e pelo olhar ainda inocente de Dita, descobrimos os segredos de Auschwitz, as lutas que se passaram dentro daquela prisão, o que os prisioneiros faziam para sobreviver e ainda mais o que os próprios donos da prisão faziam para parecer que aquilo não era tão mau como era na realidade, para demonstrar aos outros países.

Devo dizer que este é um livro que deveria ser lido por todos, pois conta de uma forma que é leve para o tema e para que qualquer um consiga ler, sobre este tema obscuro, percebendo o que se passava dentro daqueles arames farpados. E devo dizer que gostei de ler sobre como alguns dos guardas daquela prisão estavam contra o que se passava, só que não se podiam rebelar do nada pois para além de eles serem castigados, todos aqueles com quem se preocupavam seriam também castigados e mortos.

Um retrato negro que é muito bem escrito e foi dos melhores livros que li nos últimos tempos! Recomendo a todos, pois é um relato fantástico, bem escrito e muito leve para o tema que se refere, embora nos atinja e bem, com as suas palavras escritas.

"Haverá quem pense que foi um acto de coragem inútil num campo de extermínio, quando há outras preocupações mais prementes: os livros não curam doenças, nem podem ser usados como armas para derrotar um exército de verdugos, não enchem o estômago nem matam a sede. É verdade: a cultura não é necessária para a sobrevivência do homem, bastam o pão e a água. É verdade que com pão para comer e água para beber o homem sobrevive, mas só com isso morre a humanidade inteira. Se o homem não se emociona com a beleza, se não fecha os olhos e põe em marcha os mecanismos da imaginação, se não é capaz de interrogar-se e vislumbrar os limites da sua ignorância, é homem ou é mulher, mas não é pessoa: nada o distingue de um salmão de uma zebra ou de um boi-almiscarado." nota do autor no livro

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