Autora: Elizabeth Macneal
ISBN: 9789898917973
Edição ou reimpressão: 05-2019
Editor: TopSeller
Páginas: 384
Sinopse:
Uma história inebriante sobre uma mulher que sonha ser artista e o homem cuja obsessão pode destruir o mundo dela para sempre.
Londres, 1850. O edifício que albergará a Grande Exposição está a ser construído em Hyde Park. No meio da multidão que ali se junta, duas pessoas encontram-se por mero acaso. Para Iris, uma aspirante a artista, aquele é apenas um encontro efémero, esquecido passados poucos segundos. Mas para Silas, um colecionador fascinado por coisas estranhas, aquele momento marca um novo começo…
Quando Iris é convidada a posar como modelo para Louis Frost, um pintor pré-rafaelita, ela aceita, com a condição de que Louis também a ensine a pintar. De súbito, o mundo de Iris transforma-se numa experiência dominada pelo amor e pela arte, indo além de tudo aquilo com que sempre sonhou.
Só que o mundo de Iris pode ruir a qualquer momento, pois Silas só consegue pensar numa coisa desde o primeiro encontro de ambos. E a sua obsessão torna-se cada vez mais sombria…
Opinião:
Capa lindíssima! A pessoa pode pensar o que quiser da narrativa e da própria sinopse, mas não há como negar que esta capa é simplesmente lindíssima!! E sim, admito que mais uma vez escolhi o livro pela capa, pois li a sinopse e nem me despertou assim tanta curiosidade quando isso, mas a capa, uau!
Iris trabalha com a irmã numa das costureiras de Londres. Um trabalho com que poucos podem sonhar, numa época em que a pobreza reina em Londres e em que em qualquer esquina só se encontram pedintes, de todas as idades possíveis e imagináveis. Enquanto que a irmã de Iris não almeja por algo melhor, devido a males passados, Iris quer pintar! Quer ser pintora, viajar pelo mundo e expôr a sua arte! Mas nada naquele lugar é fácil e dar um passo de fé pode ser difícil...
Mas dá-lo ao conhecer Louis, um pintor que vê nela a sua musa. Um pintor com quem faz um trato, aceitando ser sua muda em troca de aulas de pintura!!
Enquanto a vida de Iris dá uma volta de 360º, também a vida de Silas o faz. Um colecionador de objetos e seres estranho, cuja arte é o embalmasento. Vê em Iris a sua nova fixação, pois esta tem um problema de malformação nos ossos do ombro, que levam Silas, fascinado por seres estranhos, a querer torná-la no seu objeto pessoal de adoração.
Um livro estranho em parte da história. E excelente a transmitir o mundo nesta Londres de 1850. Uma Londres suja, triste e extremamente pobre. Provavelmente esta foi a parte que mais gostei de todo o livro, as descrições fantásticas. E tenho que admitir que por norma nem sou a maior fã de descrição nos livros. Mas neste senti-me lá, sentia os cheiros, a pobreza e tristeza. Sem dúvida que foi um livro que me surpreendeu imenso nessa parte.
As personagens são todas muito diferentes entre si, apesar de nenhuma ser perfeita. Essa "falta" de perfeição leva a que existam inclusive alturas em que sentimos pena de Silas, a personagem mais estranha e talvez macabra de todo o livro.
Contactamos especialmente com Silas e Iris, pois são os nossos dois grandes narradores, sendo Iris a linha de todo o livro. Mas tenho que admitir que a personagem que mais gostei foi do pequeno Albie! Uma criança órfã que vive com a irmã no bordel onde esta trabalha. Extremamente pobres, enquanto a irmã trabalha como prostituta no bordel, Albie vai à procura de recados para fazer... ou de bichos mortos que possa vender a Silas para este embalsamar.
Um história diferente do que estou habituada a ler, com diversas nuances e escrita de tal forma cuidada que para além de sentir que estava na narrativa, várias coisas ficaram gravadas na minha memória quando à história. Pena o final em aberto, mas tal é um gosto pessoal e admito não ser muito fã de finais abertos.
Um livro tal como referi diferente do que costumo ler. Uma narrativa com um estilo gótico que gostei e me surpreendeu.