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sábado, 16 de junho de 2012
Como surgiu a escrita na tua vida? 

De braço dado com a leitura. Tratam-se, efectivamente, de dois gostos com origem no primeiro contacto que tive com as letras, e com os quais cresci e aprendi a olhar como duas actividades inseparáveis e a aperfeiçoá-las com o passar do tempo. 


O que é que te levou a escrever este livro? 

Como qualquer outra história, este livro nasceu de uma ideia que comecei a escalar tentando perceber até onde iria dar esse caminho que tinha pela frente e se tinha condições para o explorar ou se, pelo contrário, estava condenado a abandonar o trilho a meio. Quando escrevo, não o faço com nenhum propósito específico, a não ser talvez pelo prazer pessoal que sinto em passar as minhas ideias para o papel e compilá-las numa história coerente. Vontade de escrever nunca me faltou, e a persistência, lá me fui cruzando com ela pelo caminho.


O que sentiste ao receber a resposta afirmativa de uma das editoras revelação portuguesas?

Senti que ao meu trabalho estava a ser reconhecido valor por alguém “fora de portas”, isto é, fora do habitual núcleo familiar e social para quem qualquer rabisco meu era sempre merecedor dos mais rasgados elogios. Nesse sentido, posso afirmar que constituiu, como é natural, um motivo de grande motivação e satisfação pessoal.


Quais foram as suas referências e inspirações enquanto os escrevias?

Enquanto escrevia, as minhas inspirações passavam inevitavelmente pelas minhas leituras, a referência principal de toda a minha acção literária. Porém, as fontes de inspiração extravasam largamente o domínio da leitura, passando por uma série de outros estímulos e influências com que nos defrontamos interna e externamente, todos eles trazendo sangue novo à história que nos dispomos a contar.


Alguma vez tiveste medo que não funcionasse?

Nenhum processo de escrita é imune a dúvidas e receios. Quando iniciei as primeiras páginas deste livro, não tinha certeza se seria um projecto viável ou apenas mais um condenado a perecer na minha gaveta. Assim, só o facto de ter chegado ao fim, e de ver a minha ideia original materializada num romance já me leva a afirmar que, de facto, “funcionou”. O objectivo fundamental concretizou-se quando o meu livro ficou escrito, e tudo o que vier a receber nesta fase autónoma e posterior da publicação será sempre uma mais-valia face a esse objectivo primário.



Qual é que achas que é o público-alvo dos teus livros?

Desenhar um público preferencial seria prender o livro a uma faixa etária específica ou a um leitor-tipo, exercício que não me atrevo a fazer. Direi apenas que O Templo dos Três Criadores é o primeiro livro da saga Crónicas de Lusomel, que se enquadra dentro do género do fantástico, e cuja acção se desenrola num mundo criado de raiz. Quem sentir o apetite aguçado e estiver interessado em lê-lo é livre de o fazer, o que constituirá para mim, enquanto autor, motivo de grande orgulho. No entanto, cada leitor é um mundo, e o próprio melhor que ninguém pode julgar se o livro se adequa ao seu perfil.


Podemos ficar à espera de outro livro teu?

Tenho no horizonte o segundo livro da minha saga, ainda em fase de construção. A curto prazo, posso adiantar que, se tudo correr bem, ainda este ano terei oportunidade de ver o conto que submeti ao concurso literário Erótica Fantástica da editora Draco ser alvo de publicação no primeiro volume da respectiva Antologia de contos vencedores, o qual deverá estar disponível no último trimestre deste ano. Trata-se de um processo que tenho vindo a acompanhar.


Que importância atribuis à blogosfera literária?

A blogosfera tem um papel que considero fundamental no âmbito da divulgação e crítica literárias. Parece-me evidente que já existe nos dias de hoje uma comunidade muito grande de leitores que se agrega em torno deste e de outros blogues literários, trocando ideias e impressões acerca daquele que é o interesse comum que os une: a leitura. Sem dúvida um espaço privilegiado onde tenho muito orgulho e prazer em dar a conhecer o meu trabalho.

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