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terça-feira, 14 de junho de 2016
Autora: Katherine Rundell
ISBN: 9789898730213
Edição ou reimpressão: 2015
Editor: Individual
Páginas: 256

Sinopse:
Sophie é resgatada por Charles Maxim das águas do Canal da Mancha, após o barco em que viajava ter sofrido um naufrágio. Sozinha no mundo, a criança não terá mais de um ano e fica a viver em Londres sob a tutela provisória de Charles, que a ama e educa como uma filha de verdade. Sophie cresce na esperança de vir encontrar a mãe, perdida no naufrágio. Mas cresce também num misto de felicidade e angústia, pelo receio de um dia ser forçada a ir para um orfanato.
E é naquela esperança, que no amor funde a irracionalidade da crença com a audácia e a astúcia da vontade, que chegado esse dia, Charles e Sophie decidem que há só uma saída: fugir de Londres e ir para Paris, à "caça" da mãe.
É aqui que Sophie conhece os vagabundos dos telhados e os torna cúmplices leais da sua aventura. É uma história de amor e de afetos, de laços de amizade e cumplicidade, de medos, angústias, sacrifícios, de hesitações e coragem, de argúcia e destreza. Dá voz aos mais pequenos e aos ignorados e marginalizados da sociedade. Os atos mais simples são os mais generosos, e a bondade é uma virtude relembrada a cada som que a música, sempre a música de um violoncelo, vai ecoando ao longo das páginas, por cima dos telhados.
E é uma história sobre a mãe. E sobre a filha. E sobre um homem que, não sendo pai, foi o melhor pai de sempre.


Opinião:
Desde que este livro saiu que queria lê-lo. Foi dos primeiros livros desta editora que eu vira e foi um que me chamou logo a atenção pela fantástica capa e pela estranha sinopse. Achei-a tão diferente do normal, única. Quando finalmente arranjei este livro por empréstimo (yeeaahhh!!), comecei a lê-lo e devo dizer que o que realmente me surpreendeu na narrativa foi o tom diferente da autora. Tem uma escrita muito própria e isso é o que se evidência de imediato durante a leitura.

Sophie dá literalmente à costa era ainda pequena demais para ter memórias da sua vida. Ninguém sabe quem é aquela criança, mas sabem que um navio naufragara no mar, sendo que provavelmente aquela pequena fora a única sobrevivente. Acaba por ser encontrada por Charles, um professor que adora o conhecimento e que, apesar de não ter experiência nenhuma a criar jovens mulheres, decide aventurar-se. Afinal de contas, existe algo naquela pequena que o faz querer adorá-la, não a conseguindo deixar abandonada ou simplesmente entregá-la aos serviços sociais.

A criança cresce e acaba por tornar-se um ser curioso e cheio de vida. Numa época em que uma mulher de calças e criada sozinha por um homem não era algo bem visto, a relação única que Charles tem com a sua filha, não é compreendida por ninguém. Sophie encontra-se constantemente a brincar com rapazes, a trepar árvores e a fazer atividades que apenas são adequadas para rapazes e não para raparigas, aprendendo mais sobre história e matemática do que costura e etiqueta, algo que a assistente social que acompanha o seu caso acha inadmissível.

Quando Sophie entra na adolescência, a assistente social acaba por determinar que Charles não é a pessoa adequada para a criar e a ajudar a compreender o ensino que todas as jovens deveriam ter e apesar de serem duas pessoas que se adoram, decidem que os vão separar. É assim que, levados pelas loucura, acabam por fugir para Paris, onde Sophie acredita que a sua mãe vive e onde Charles acredita que a assistente social não lhes pode tocar.

Esta é uma estranha história sobre os laços de amor. Não os laços de sangue, mas sim os laços criados entre nós e todos aqueles que nos dizem alguma coisa. Sobre o amor que cresce de uma relação entre dois sujeitos que não são nada um ao outro mas que se apoiam e adoram tudo o que fazem juntos. Foi sem dúvida alguma um livro que adorei sendo e que explora esse sentimento. O amor. Amor entre família e entre aqueles que decidimos que farão parte dessa família.

A autora explora todo esse sentimento de uma forma muito imaginativa e estranha, mas é essa mesma estranheza que se entranha durante toda a leitura do livro, viciando o leitor. Queremos saber mais sobre Sophie e a misteriosa mãe. Torcemos todo o livro para que Charles nunca se separe da filha adotiva e tudo o que não abona a esse favor nos faz ficar irritados. Queremos saber mais sobre os vagabundos dos terraços, em especial sobre um dos vagabundos.

Sim, é um livro diferente do normal, mas sem dúvida que é um livro que marca por essa diferença. Aconselho.

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