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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Contagem Descrescente

Autor: Bruno Franco
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 532
Editor: Chiado Editora
ISBN: 9789895121090

Sinopse:
31 de Dezembro. Passagem de ano.
Rodrigo Tavares, um proeminente detective da Polícia Judiciária, encontra-se em Almada para assistir ao espectáculo pirotécnico quando recebe um telefonema que muda a sua vida por completo, levando-o a perceber que tinha chegado o momento que tanto temera: a concretização de uma ameaça homicida proferida pelo assassino que mais lhe custara capturar no passado. Rodrigo tem até dia 15 de Janeiro para deter o assassino, ou as consequências serão devastadoras. E não apenas para si.
Quando o detective observa a forma excruciante e desumana como a primeira vítima fora assassinada, percebe a importância e a seriedade do que está a acontecer, e é então que começa a corrida contra o tempo.
O que começa por ser uma caça ao homem transforma-se rapidamente em algo muito maior e aterrorizador. Ao mergulhar num mundo de trevas e muitas dúvidas, medo e desespero, Rodrigo receia o futuro como nunca antes o fizera.


Opinião:
Lembro-me de na altura do Natal ter visto alguma divulgação a este livro em diversos blogues. Na altura o que me deixou de pé atrás foi pertencer à Chiado Editora, mas de imediato fiquei rendida à fantástica capa que aponta de imediato para um policial com um ambiente de cortar à faca.

Rodrigo Tavares é um detetive reconhecido, tendo já participado em grandes investigações policiais, entre as quais o caso "O Queimador". Um caso cruel que muito exigira do detetive, tanto emocionalmente como fisicamente, e que o tornara conhecido em todo o país. Mas é apenas desta vez que Rodrigo compreende que aquele caso nada mais era do que um primeiro teste. Um teste feito unicamente para ele, tendo em jogo não apenas a vida de pessoas inocentes mas a vida das pessoas que lhe são mais próximas e extremamente queridas.

As mortes são muitíssimo violentas, sendo que cada vítima é deixada de forma extremamente profissional, sem deixar pistas algumas que a ligue ao assassino. Apenas um pegada que em nada parece ajudar... Mas quantos mais homicídios começam a acontecer, mais indícios existem e tudo se começa a interligar repentinamente. Pistas que apontam para um estranho objetivo...

Devo dizer que fiquei extremamente admirada com este livro, e pela positiva!! O livro tem tudo o que um bom policial deve ter. Crimes macabros, detetives com problemas emocionais, um assassino com um objetivo extremamente claro e imenso simbolismo ao longo de todo o livro. Nota-se uma grande pesquisa da parte do autor, o que faz com que este livro não seja apenas sobre assassínios repetitivos e parecidos com tantos outros, havendo um outro tema mais interessante por trás de tudo.

A escrita do autor é muito fluída e acaba por nos fazer sentir que estamos no meio da ação, que conhecemos todas as personagens e as suas motivações, sabendo o que sofrem e o que tentam fazer para melhorarem as suas vidas. Além disso achei imensa graça a ação passar-se entre Lisboa e Almada. Durante 3 anos vivi no Monte da Caparica, estudando na faculdade que lá se encontra, e enquanto lia o livro tive imensas lembranças dessa altura, reconhecia os lugares, o tom da história e como não podia deixar de ser o ambiente em que tudo ocorria.

Um grande truque do autor foi não se centrar em apenas uma personagem. Ao longo de toda a ação sabemos o que se passa pela voz de Rodrigo, Valter, Fábio, Horta, Fonseca... É um livro extremamente completo que aprofunda não só a investigação que está a ocorrer mas também as relações existentes na vida de todos os intervenientes.

Admito que só li este livro porque o próprio autor mo apresentou, e não pensem que digo isto para dar graxa, mas gostei imenso! Não estava de forma alguma à espera de ter ficado tão presa a este livro, a toda a ação e aos personagens excelentemente explorados. E fiquei com imensa curiosidade de ler o precedente deste livro, que não sabia que existia até começar a ler "Contagem Descrescente", pois o autor refere imensas vezes a ação do livro anterior.

Recomendo sem reserva alguma. Vão ver que irão adorar conhecer este autor nacional que tem um talento que não deverá de forma alguma ser desperdiçado. Eu por cá, fico à espera de novos títulos da parte de Bruno Franco, de uma futura continuação da história de Rodrigo Tavares e de outras aventuras fora desta coleção.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Entrevista a Bruno Franco


Fale-nos um pouco sobre si.
Chamo-me Bruno Franco, tenho 24 anos e sou Licenciado em Radioterapia. Trabalho no IPO de Lisboa, adoro desporto (até começar a trabalhar o ano passado, era atleta federado de Natação) e adoro ler e escrever. Toda a minha vida fui um atleta e grande parte dela um escritor. Agora, com o trabalho no IPO, tenho menos tempo para treinar, mas ainda assim continuo a treinar frequentemente com a minha equipa. Fui Rei do Baile de Finalistas do Secundário em 2008 e namoro com a mulher da minha vida. No fundo sou feliz e considero-me uma boa pessoa, porque se não o fosse jamais estaria rodeado de familiares e amigos tão fantásticos como tenho a sorte de ter perto de mim.

Como entrou a escrita no seu dia-a-dia?
A escrita entrou no meu dia-a-dia numa altura em que precisei de arranjar ferramentas para ultrapassar a pior fase da minha vida, aos 14 anos. Foi também o resultado da leitura de imensos livros e da curiosidade em saber como seria escrever um livro. Desde que comecei, foi impossível parar.

Como se sentiu ao tornar-se um autor publicado?
Senti-me tremendamente realizado. Ver, por fim, obras minhas publicadas para todos lerem é algo maravilhoso e, ao mesmo tempo, assustador. Ser escritor é expor-nos ao mundo. Não é fácil. Mas, se fizermos um bom trabalho, é muito recompensador. Estou muito feliz com a publicação do “Contagem Decrescente”, as críticas têm sido fantásticas e isso dá-me ainda mais vontade de trabalhar para continuar a evoluir e proporcionar leituras cada vez mais interessantes às pessoas.

Identifica-se com alguma das suas personagens?
De certa forma, identifico-me com todas. Todas as minhas personagens têm um cunho meu, mas claro que há sempre uma que poderá ser mais parecida, seja na forma de encarar a vida, seja na forma de agir ou pensar. Nunca tive uma personagem que fosse totalmente igual a mim, mas não digo que não tivesse a sua graça se tal acontecesse.

Quais são as suas referências e inspirações enquanto escreve?
A inspiração é um fenómeno engraçado. Adoro escrever quando estou inspirado. Não sei explicar, mas estar inspirado é ter a sensação de que poderia escrever 24 horas seguidas que as ideias nunca iriam parar de jorrar para o computador. É mesmo fantástico. Mas o que me serve de inspiração? Não sei dizer. Às vezes uma música, um filme ou uma série que me deixe de queixo caído dá-me inspiração extra para escrever, porque penso que é aquele tipo de emoções que quero transmitir.
As minhas referências são várias. Tess Gerritsen, Donato Carrisi, Daniel Silva, Dan Brown, Luís Miguel Rocha, Jeff Abbott, J. K. Rowling e José Rodrigues dos Santos. São os meus escritores favoritos e quem mais admiro. A minha ambição é ser como eles.

Qual é que acha que é o papel da blogosfera em geral na divulgação literária?
É um papel importantíssimo. Antes de publicar o “O Novo Membro” não fazia ideia de que tais blogues existissem. No entanto, rapidamente me apercebi do fabuloso mundo dos blogues literários, e fiquei rendido. Além de ajudarem os leitores a decidir se devem ou não ler determinado livro, têm um papel determinante na promoção de escritores portugueses menos conhecidos, como eu. Acho extraordinário o destaque que dão aos portugueses no meio de tanta literatura estrangeira de qualidade. Acredito que faça toda a diferença, uma vez que o mercado literário é muito injusto e ingrato para os portugueses menos conhecidos. Os blogues literários vieram equilibrar essa balança. Obrigado!

Apesar de o livro ter saído recentemente, tem recebido feedback dos seus leitores?
Sim, já tenho recebido bastante feedback e, como disse, as opiniões têm sido excelentes. Estou mesmo orgulhoso do “Contagem Decrescente”, creio que é o livro da minha afirmação enquanto escritor de policiais. E que não pretendo ficar por aqui.

Tem algum plano literário para o futuro?
Para quem já leu o “Contagem Decrescente”, sei que o que mais querem é que publique a sequela desta obra com o detective Rodrigo Tavares. No entanto, e se tudo correr como espero, antes desse livro ainda hei-de publicar outro no qual estou a trabalhar agora, e que pode dar muito que falar se for tudo bem feito. Trata-se de outro policial com um ritmo alucinante e o mais complexo que já escrevi até agora. Estou muito empolgado com as minhas perspectivas, e mal posso esperar para que o futuro chegue.