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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Entrevista a Luís Abreu

Fale-nos um pouco sobre si.
Nasci em Angola, em 1973. Em Portugal não sou de lado nenhum, já que morei em vários locais, mas aquele com que mais me identifico, talvez por ter passado lá toda a adolescência, talvez por ser mesmo um local especial, é com Almada.
Estudei Engenharia Informática no Instituto Superior Técnico e trabalhei na área. Deu-me especial prazer o meu último emprego por ter trabalhado em algo que influenciava a vida de milhões de pessoas.
Em agosto de 2006 tive um AVC, estive em coma, fiquei tetraplégico e praticamente mudo na sequência do mesmo. Não tinha fatores de risco (pensa-se que tenha sido um problema congénito numa artéria). Como o é normalmente, foi completamente de surpresa e um momento mudou toda uma vida de sonhos e planos. Aliás, mudou várias vidas. O AVC teve, no entanto, o dom de me ensinar que não vale a pena fazer muitos planos. Não vou mentir, não tem sido fácil, mas, ao contrário do que possa pensar, o AVC teve algumas coisas boas. Esse testemunho, no entanto, está no livro e não quero revelá-lo aqui. Estou certo que compreende.

Como entrou a escrita no seu dia-a-dia?
A primeira vez que me lembro de escrever foi um poema na 4ª classe por influência da minha professora, mas foi quando fui morar sozinho para Lisboa, em 2003-2004, que a escrita se tornou mais importante.

Como se sentiu ao publicar o seu primeiro título em prosa?
Honestamente um grande orgulho. Antes do AVC uma das coisas que melhor me caraterizava era não ter paciência para textos tão grandes – um dos motivos que me levou mais para a poesia. Nunca pensei terminar este texto.

Identifica-se com alguma das suas personagens?
Claro. O livro é uma autobiografia ficcionada logo o Rodrigo é totalmente baseado em mim.

Quais são as suas referências e inspirações enquanto escreve?
Na poesia talvez António Ramos Rosa, Al Berto e Eugénio de Andrade, na prosa não tenho.

Qual é que acha que é o papel da blogosfera em geral na divulgação literária?
Extremamente importante. Eu sou tetraplégico e não trabalho. A blogosfera é praticamente a única forma de divulgar o meu trabalho. Se resulta digo-lhe daqui a umas semanas. Também há, obviamente a sorte e o talento, mas a grande maioria dos escritores não se pode incluir nesses grupos.

Tem recebido feedback dos seus leitores?
Pouco até ao momento. Panorama que deve mudar com este livro.

Tem algum plano literário para o futuro?
Tenho. Para o futuro estão planeados quatro livros: dois em prosa, um em poesia e um que o melhor é verem. Um dos livros em prosa está já a ser escrito, conta a história de um esquizofrénico e no final dá uma reviravolta surpreendente. O livro em poesia é composto por uma espécie de haikus ocidentais e também já está a ser escrito.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Entrevista a Susana Silva



Fale-nos um pouco sobre si.
Há pouco a dizer sobre mim. Sou uma professora, desempregada, apaixonada pela vida, que gosta de se deixar levar pela imaginação, de criar, de dar vida e de trazer ao mundo novos mundos através da escrita. Sou de uma geração a quem tudo foi prometido, mas poucas oportunidades concedidas. Com 34 anos ainda procuro o meu lugar no mundo laboral. Luto diariamente porque ainda acredito. Desde que fiquei desempregada tornei-me dona de casa, mãe (a maior das tarefas), blogger, publiquei um livro, e tento criar a minha própria empresa.

Como entrou a escrita no seu dia-a-dia?
O gosto pela escrita tem alguns anos, desde a minha juventude que escrevo. O livro “ao som dos tambores” surgiu num contexto de vida difícil, em que fiquei desempregada e em que atravessava alguns problemas de saúde. Encontrei na escrita um escape à dolorosa realidade que vivia. E foi, de facto, um bom refúgio. Retomei os hábitos de escrita e continuo a escrever sempre que posso.

Como se sentiu ao tornar-se uma autora publicada?
Não posso negar que me senti um bocadinho orgulhosa. Mas de pés bem assentes na terra, com noção das minhas limitações e do caminho que tenho para percorrer.

Identifica-se com alguma das suas personagens?
Cada uma das personagens que crio tem, certamente, algo de mim. Consigo descobrir em cada personagem um pouco da minha loucura, da minha simpatia ou do meu desassossego. Nenhuma representa o que eu sou, mas em cada uma deixo o perfume de um pouco do meu ser, do que fui, do que sou ou do que pretendo ser.

Quais são as suas referências e inspirações enquanto escreve?
Tudo e qualquer coisa. Há sons e silêncios que me inspiram. Há pessoas, objetos e imagens que desencadeiam uma história na minha cabeça. Ou histórias que se desencadeiam umas às outras… também o é assim na vida. E as minhas histórias têm vida e têm vidas que são vividas intensamente por cada personagem, por mim, enquanto autora e pelos leitores. Ou pelo menos assim espero que seja.

Qual é que acha que é o papel da blogosfera em geral na divulgação literária?
Considero que a blogosfera tem um papel importantíssimo na divulgação literária, principalmente de novos autores. Há cada vez mais autores e histórias a serem publicadas. De muitas delas nunca ouviríamos falar se não fossem os blogs, que concedem um espaço aos autores, dando-lhes a oportunidade de se darem a conhecer e às suas obras. E há tão boas obras de novos autores.

Tem recebido feedback dos seus leitores?
Sim, felizmente que sim. Até há pouco tempo apenas recebia opiniões de amigos e familiares. Esses adoravam a história. Todos eles. Talvez porque lessem com os olhos do coração. Os relatos de uma história envolvente e dinâmica são recorrentes. Atualmente o livro está a chegar aqueles que leem com outro olhar, e daí tenho recebido críticas positivas e outras nem tanto. Mas lido muito bem com isso, nem me deixo deslumbrar com as críticas positivas, nem me deixo dececionar pelas críticas negativas. Tenho consciência que estou a dar os primeiros passos neste mundo da escrita e do caminho que ainda tenho pela frente.

Tem algum plano literário para o futuro?
Eu continuo a escrever sempre que posso. Continuam a inundar a minha cabeça histórias sem fim. Não sei se voltarei a publicar novamente, gostaria de o fazer, mas a exigência agora é maior, depois de publicado o primeiro livro. Tenho histórias escritas e guardadas à espera de se verem impressas… Continuo a escrever… essencialmente para mim e algumas histórias infantis para as minhas filhas. Se surgir a oportunidade de serem publicadas serão. Mas não penso muito nisso. As coisas deverão acontecer naturalmente para fazerem sentido. Tudo a seu tempo. Se não acontecer, é porque não era para ser.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Entrevista a Jorge Sousa Correia



1. Fale-nos um pouco sobre si.
Tenho alguma relutância em falar de mim. Não quero contudo que entenda esta resistência como uma fuga.
Não sei que possa mais dizer para além do que vem na badana dos meus livros. Talvez que me aflige tanta injustiça no mundo, falta de solidariedade, desprezo pelas pessoas, a ganância de um certe extracto da sociedade que aos poucos vai criando o abismo. Falamos de uma nova era, o crescimento de uma civilização de senhores e servos. É exagero? O mundo é um rodopio. As comunicações desventram a vida das pessoas, torna-as em vencedores e vencidos, sábios e ignorantes. Mas a vida não é nada disto. Não há ser humano que não tenha valor. Como D. João II disse um dia, “Um homem custa muito a criar” tinha razão. Hoje homens e mulheres morrem por causas que não são suas, expulsos das suas terras por tiranos e homens ávidos de poder. O caso dos refugiados é um novo holocausto.

2. Como entrou a escrita no seu dia-a-dia?
Após aposentar-me, decidi fazer o que há muito tinha adiado. Foi portanto o tempo e a intenção que criou a oportunidade.

3. Como se sentiu ao tornar-se um autor publicado?
Tenho os meus livros nas listas literárias da Biblioteca Nacional e isso compensa-me.

4. Identifica-se com alguma das suas personagens (de qualquer um dos seus livros)?
Na verdade, para ser sincero, não me identifico com nenhuma, embora simpatize com algumas das personagens dos meus livros.

5. Quais são as suas referências e inspirações enquanto escreve?
Tenho em Fernando Campos um autor que talvez me incentivasse a escrever sobre o romance histórico. A Casa das Perguntas (1989) é uma obra notável. A minha inspiração coexiste com as personagens. São elas que dão vigor ao meu pensamento.

6. Qual é que acha que é o papel da blogosfera em geral na divulgação literária?
Confesso que não estou muito atento. No entanto, levando em conta o vigor da comunidade bloguista, não duvido da sua influência.

7. Tem recebido feedback dos seus leitores?
Não sou assim tão conhecido. Mas sim, em alguns casos até fico agradavelmente surpreendido.

8. Tem algum plano literário para o futuro?
Tenho. Não vou divulgá-lo, por questões que têm a ver com o efeito surpresa. Ainda assim posso dizer que não será sobre o romance histórico.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Entrevista a Madalena Barreto



Fale-nos um pouco sobre si.
Chamo-me Madalena, nasci em Moçambique e vivo em Lisboa com a minha alargada família. Entenda-se por alargada, o meu filho, marido, os meus cães e gatos. Tive uma educação católica. Mas sempre me interessei pela Mitologia celta, nórdica, e mais tarde sobre a religião Wicca. Adoro viajar, o que faço sempre que posso. Sou uma apaixonada pela Irlanda. Curiosa por natureza, nunca deixo de me questionar. Sou ainda uma pessoa impulsiva mas tenho como mote de vida o princípio Wicca: “Desde que não prejudiques ninguém, faz o que entenderes”. Mas a verdade é que acima de tudo gosto de contar estórias, de transportar quem lê os meus livros para este meu mundo alternativo onde tudo é possível onde tudo é permitido. Yggdrasil, sou eu. Os meus livros, são ao fim e ao cabo toda uma representação de quem sou. Espero poder levar comigo através desta minha Vida todos aqueles que me queiram acompanhar. E que esse caminho que comecei agora a percorrer ainda seja longo.

Como entrou a escrita no seu dia-a-dia?
Sou viciada em livros. Ainda me lembro do primeiro livro que li, “Os Cinco na Ilha do Tesouro” de Enid Blyton, adorei a sensação que tive, imaginava-me como mais um membro daquele grupo, vivia o que lia como se tivesse sido escrito especialmente para mim. Uns anos mais tarde descobri aquele que será para sempre o meu escritor preferido, e que infelizmente já não se encontra entre nós, o alemão Heinz G. Konsalik. Mas o grande impulso em todos os momentos da minha vida foi sempre a minha avó Lena com quem ganhei o gosto pela leitura e por contar estórias. Fez-me acreditar na força das palavras, sempre adorou ouvir tudo o que eu inventava e acima de tudo sempre acreditou em mim. A sua motivação fez com que nunca desistisse do meu sonho. E esse foi amadurecendo com o meu crescimento até ganhar finalmente forma. Mas até aqui chegar, à publicação de Yggdrasil, foi necessário um último forte empurrão da minha boa amiga Elisabete.

Como se sentiu ao tornar-se uma autora publicada?
Pode parecer um chavão mas foi realmente a concretização de um sonho. Dizem que para uma Mulher se sentir realizada deve: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Neste momento posso dizer que já está tudo feito. Mas ainda não me sinto totalmente realizada, só agora estou a começar. Confesso contudo que ainda mantenho o secreto desejo de me cruzar com alguém que esteja a ler o meu livro. Talvez ai sim me sinta mais completa.

Identifica-se com alguma das suas personagens?
Identifico-me com todas. São todas um pouco de mim, daquilo que sou, de quem gostaria de ser, do que gostaria de fazer. São todas minhas filhas, meus filhos. Mesmo as menos agradáveis, que em Yggdrasil ainda são tantas.

Quais são as suas referências e inspirações enquanto escreve?
Todos os escritores que já li, o que me rodeia, o que vivi, as viagens que faço. Sou o resultado de tudo isso. Gosto de pensar que também eu, sou uma personagem no livro de alguém cujo fim ainda não foi escrito.

Qual é que acha que é o papel da blogosfera em geral na divulgação literária?
É aquele precioso empurrão que projecta o nosso trabalho e nos ajuda dessa forma a chegar mais longe, a mais pessoas. É a ajuda fulcral em qualquer etapa do nosso caminho para nos dar a conhecer, o que fazemos e porque o fazemos. É ainda a fantástica ponte que se constrói ao fomentar o diálogo entre o autor e os leitores e permitir desse modo o diálogo e as críticas que nos ajudam a melhorar, a continuar, a crescer. Quero poder corresponder a essa ajuda que me dão com a certeza de que estarei sempre acessível e responderei sempre a tudo e a todos. Desde já o meu sentido agradecimento.

Apesar de o livro ter saído recentemente, tem recebido feedback dos seus leitores?
Tenho recebido algum. Gostaria que fosse mais, mas para já não me posso queixar afinal ainda só está a fazer dois meses desde a sua publicação. Tenho tido a oportunidade de estar sempre em movimento em diversas partes do país na promoção de Yggdrasil e isso tem sido outra grande ajuda para a projecção do meu trabalho. Tenho inclusive várias pessoas no Brasil que já me fizeram chegar o seu interesse em ler o meu livro, pelo que é muito bom saber que já estou a chegar além-fronteiras. Gostava contudo que quem já leu Yggdrasil se sentisse à vontade para me enviar o seu testemunho, independentemente de ser bom ou menos bom, pois assim vejo o que devo mudar e como devo faze-lo. Aliás um dos comentários que me foi enviado recentemente deu-me algumas ideias para o terceiro livro desta saga.

Tem algum plano literário para o futuro?
Muitos e para um futuro próximo. Já não consigo parar. O segundo livro da saga “Profecia do Sangue” já está escrito e se tudo correr bem o seu lançamento ainda será este ano. Entretanto tenho um primeiro livro “Lua do Lobo” de uma nova saga que se intitula “Irmandade da Cruz”, a sair ainda no mês de Outubro. Entretanto vou continuar pelo país a promover o meu trabalho até porque gosto muito do contacto que tenho tido com os leitores e outros escritores.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Entrevista a Breno Melo


Fale-nos um pouco sobre si.
Olá, leitores do Bloco de Devaneios! Chamo-me Breno Melo, nasci em 1980, na cidade do Rio de Janeiro, que é o mesmo que dizer Brasil. Como escritor, participei em algumas antologias de poesia, especialmente em inglês, como os leitores podem ver na badana do romance que acaba de ser publicado pela Chiado Editora.

Como entrou a escrita no seu dia-a-dia?
A leitura, obviamente, entrou no meu dia-a-dia como entrou no de todos os leitores, isto é, através de livros que eu acreditava bons. Mas perguntava-me sobre a escrita, e agora a resposta que tenho de dar é completamente diferente. Comecei com redacções, como todos somos orientados a fazê-lo na escola, depois com poemas, como muitos tinham o costume de experimentar até recentemente, e por fim com a prosa, o que tampouco é incomum experimentar nos dias de hoje, em que o romance é o género mais lido.

Como se sentiu ao tornar-se um autor publicado?
Provavelmente senti-me como todos os autores se sentem, isto é, senti-me muito contente. Mas sou realista, sei que um livro publicado continua a requerer tempo e dedicação de seu autor, sua presença em eventos literários, seu contacto com os leitores, com os bloguers, etc. Precisamente o que estou a fazer agora.

Identifica-se com alguma das suas personagens?
Naturalmente idenfico-me com todas, em maior ou menor grau. Por mais que pensemos estar a escrever sobre os outros, na verdade estamos a falar mais de nós que dos outros ao escrever. Nenhuma de minhas personagens pode ser alguém que eu nunca seria se me encontrasse nas mesmas circunstâncias. Mas apercebam-se de que isto são possibilidades, não significa que eu agiria, necessariamente ou sempre, do mesmo modo.

Quais são as suas referências e inspirações enquanto escreve?
Como procuro escrever obras realistas, minhas inspirações naturalmente são o mundo real. Do mesmo modo, como procuro escrever sobre temas atuais, minhas inspirações são as questões atuais. Minhas referências, se estamos a falar de literatura, são os clássicos. Ainda com respeito a obras clássicas, eu gosto de pensar que não escrevo senão em latim, mais exatamente em português, que, como disse Camões, é um latim com pouca corrupção.

Qual é que acha que é o papel da blogosfera em geral na divulgação literária?
Se os factos falam por si, basta lembrarmo-nos de que as editoras enviam exemplares dos seus lançamentos aos bloguers, esperando que estes publiquem opiniões favoráveis, que influenciem os leitores. Com respeito exclusivamente aos blogues literários, eles têm um público bem-definido, exatamente o público leitor. Assim, não se desperdiçam acções de propaganda e marketing que, de outro modo, poderiam atingir um público não leitor. Além do mais, as editoras não costumam investir em propaganda na TV ou no rádio e, mesmo que o fizessem, atingiriam um público cuja maior parte não é leitora. O giro, entretanto, é que na blogosfera encontramos pessoas que realmente amam ler, porque, do contrário, não se dedicariam a um blogue. A opinião dos bloguers, quando dignos de credibilidade, é a melhor divulgação que um livro poderia ter.

Apesar de o livro ter saído recentemente, tem recebido feedback dos seus leitores?
Tenho recebido muitos feedbacks de meus leitores. Alguns deles têm a bondade de publicar opiniões num site brasileiro chamado Skoob, semelhante ao goodreaders.

Tem algum plano literário para o futuro?
Para o futuro imediato, meu único plano literário é divulgar este livrinho que acaba de ser publicado. No momento, não me quero dedicar a outra ficção que não seja esta.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Entrevista Paulo Fonseca [Parte 2/2]

Continuação...

Quais são as suas referências e inspirações enquanto escreve?
Esta pergunta surpreende-me. Normalmente perguntam-me quais são as minhas inspirações e referências no que respeita ao mundo literário. A minha resposta a isso é simples. Cresci rodeado de policiais e livros de espionagem; foram essas as minhas primeiras referências, li Agatha Christie, Ruth Rendell, Ellery Queen, Sir Conan Doyle, John Le Carré, Konsalik, para referir alguns. Depois li clássicos como Balzac, Tolstoi, Stendhal, Cervantes, Kafka, Nietzsche, Marquês de Sade, Almeida Garrett, Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Miguel Torga, etc. O Fantástico chegou-me tarde às mãos - infelizmente; foi o livro «Os caçadores da Lua Vermelha», de Zimmer Bradley, que me conquistou e depois «O Senhor dos Anéis», de Tolkien, fez o resto. Desde então faço um esforço por manter o meu menu literário equilibrado em termos de géneros; todos são importantes. 
Contudo, se a pergunta era efectivamente a colocada, respondo a isso, em parte, reportando para minha primeira resposta à entrevista: a mim interessa-me muito a verdade escondida por detrás da mentira, as coisas que se inventam com um propósito mesquinho e que acabam por tomar grandes proporções, fogem do controlo, e têm grandes consequências, influenciam gerações e, às vezes, a história de nações; sinto especial apetência por estes temas, bem como pela multiplicidade da verdade, ou seja, o facto da verdade, enquanto construção sociocultural, poder variar consoante a perspectiva de quem a observa. Estas são as minhas referências temáticas e posso dizer, sem grande margem para erro, que são 90% da minha inspiração. Os restantes 10% serão os autores contemporâneos que me fazem acreditar que é possível viver da escrita de romances, ser-se respeitado enquanto escritor; cada um deles é um professor, ou mentor, e cada romance pode ser um divertido manual de aprendizagem.

Qual é que acha que é o papel da blogosfera em geral na divulgação literária?
A blogosfera em geral é fundamental na divulgação do que quer que seja, hoje em dia. No que respeita às artes, em especial à literatura, é muito importante.
Para mim, que não contei com uma editora tradicional, a blogosfera tem sido essencial na divulgação do meu trabalho de escritor; e estava tão consciente disso que a primeira coisa que fiz, depois de lançamento de «Império Terra: o princípio», em 2008, foi criar o blogue Imperio Terra. Mais tarde, quando me apercebi que teria de ser eu a promover o meu trabalho, criei um perfil do facebook e - muito recentemente - a minha página de autor paulopfonsecaescritor; criei um site e criei o meu blogue de autor; e é claro, o blogue EPA|Escritores Portugueses Autopublicados, também existe, embora sem conteúdo. Por isso, tenho plena consciência da importância da Blogosfera.
Blogues como este podem ajudar levar novos autores ao conhecimento de novos leitores, podem ajudar a promover o trabalho de escritores que são tão bons, senão melhores, do que alguns dos que são publicados pelas editoras tradicionais e dessa forma ajudá-los a serem notados por essas mesmas editoras.
E sobre a blogosfera deixo ainda um aparte: nem tudo é bom; foi exactamente este facilitismo em publicar opiniões que levou à criação da ideia de que todos podem ser escritores, frequentemente justificada com a anglosaxonização - se é que existe esta palavra - do conceito escritor/Writer. É verdade que no mundo anglosaxónico todos os que escrevem são Writers, e esta panaceia tem sido papagueada por todos os que escrevem livros de autoajuda para escritores, esquecendo-se de dizer que, na Anglosaxónia, ninguém é só Writer, há os Novell Writers, por exemplo. Trazendo isto para a língua portuguesa, teremos de dizer que todos somos escritores, porque sabemos escrever, mas nem todos são escritores de ficção; nem todos podem. Este fenómeno encheu as editoras tradicionais de milhares de trabalhos, o que as impede de chegar a todos; e deu muito trabalho - criou um mercado - para as editoras de autopublicação. Há um esforço a ser feito, quer do sistema educativo português, quer dos governos, no que respeito à criação de uma política de educação cultural que permita, por um lado, apoiar quem pode alimentar a cultura, por outro, fornecer a cultura a quem dela precisa e não a pode produzir e, pelo caminho, separar a palha do joio, pela educação.

Apesar de o livro ter saído recentemente, tem recebido feedback dos seus leitores?
Está a referir-se ao ebook «Marta», com certeza. A Trilogia Império Terra tem fãs à espera do terceiro livro e tive muitos feedbacks positivos. Quanto a «Marta», a situação é muito diferente, quanto mais não seja por ser um ebook.
Vamos falar de ebooks. O ebook é novo no mercado português, no sentido de que as pessoas se sentem pouco relacionados com ele; o português - e não só - gosta do papel e de mexer no papel, do cheiro dos livros. Quem gosta dos ebooks, gosta deles pela ideia de que podem ser gratuitos, o que significa que pagar por ele não faz parte dos seus planos. Apostar nos ebooks, com sucesso, implica apostar numa internacionalização o que obriga à tradução do livro para inglês - pelo menos; e isso é muito caro.
Assim, não posso dizer que tive feedback sobre o ebook: é só mais um, no meio de milhares, e ainda por cima numa língua que poucos entendem. Contudo, quem leu a versão anterior à publicação, os Betareaders, como agora se diz, adoraram.

Tem algum plano literário para o futuro? Pretende reeditar os livros já lançados anteriormente?
Não sei se podemos chamar plano literário à minha firme decisão de continuar a escrever. Mas essa é a única coisa que posso afirmar. O que pretendo, acima de tudo, é conseguir ser publicado por uma Editora Tradicional. No entanto, recuso-me a deixar os meus trabalhos a ganharem pó numa gaveta - falando metaforicamente; se uma editora tradicional não aceitar o meu trabalho, publicá-lo-ei eu mesmo.
Comecei nisto, já lá vão 7 anos; e têm sido bons anos de aprendizado. A única forma de um Editora Tradicional aceitar trabalhos de um novo autor, e repare que não digo autor desconhecido - esses não têm hipóteses -, é se esse autor garantir leitores. A lógica é muito simples, na verdade: as Editoras são empresas, têm de garantir lucros, e lucros são vendas que são conseguidas com legiões de leitores - não há por onde criticar. Por isso, ou se tem a sorte tremenda de alguém pegar num livro e achar que é bom e acreditar que aquele trabalho devidamente promovido pode dar lucro, ou se faz o trabalho de casa e se constrói uma legião de leitores; tem sido este o padrão verificado, nos autores que se autopublicam, especialmente na Anglosaxónia e em ebooks: quando atingem um valor interessante de vendas, as editoras caem em cima deles.
Eu, neste momento, tento as duas coisas. Acredito que meu trabalho tem a qualidade necessária para ser publicado por uma Editora Tradicional e tenho a esperança de encontrar esse alguém que acredite que vale a pena apostar em mim; entretanto, enquanto isso não acontece, quero construir a minha legião de leitores.
Quanto à Trilogia Império Terra, existe um projecto para depois de terminar a revisão final do terceiro volume: apresentar a Trilogia inteira a uma editora para a reedicção dos dois primeiros volumes e a edição do terceiro. Digo, sem papas na língua, que quem apostar em mim, só terá a ganhar, porque o universo da Trilogia tem um infindável filão de histórias a ser explorado; quem leu os dois primeiros livros, sabe bem que existem ali referências que podem dar lugar a novos romances; alguns personagens, só por si, podem dar lugar a novos romances. Tenho muito para dar ao mundo e é por isso que digo que o meu plano passa, de certeza, pela continuidade da escrita.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Entrevista Paulo Fonseca [Parte 1/2]


Fale-nos um pouco sobre si.
O meu nome é Paulo Pinto Fonseca.
Nasci em Lisboa, em 1973, cresci em Almada, passei uma parte da minha infância no Alentejo e
formei-me em Sociologia pela FCSH. Actualmente exerço funções numa financeira e escrevo sempre que posso e tenho tempo para tal. Gosto de ler e de cinema, gosto de videojogos e sou um entusiasta da arte digital; sou uma pessoa de múltiplos interesses que gosta de saber e aprender coisas novas. O meu sonho é poder viver para a escrita e da escrita.
Interessa-me particularmente o inexplicável, os fenómenos estranhos, as possíveis explicações que se encerram por detrás da explicação oficial e - essencialmente - as verdades escondidas, ou a mentira que esconde as verdades. Com um reportório destes nunca me poderia cingir a um único género literário, porque todos eles me fornecem imensas possibilidades. Ainda assim, prefiro o género Fantástico. Considero-me uma maratonista; isto quer dizer que prefiro o romance ao conto. No entanto, também escrevo contos, porque - por vezes - a história é para um conto e não para um romance.
A todos aqueles fundamentalistas que não admitem o facto de alguém conseguir escrever diferentes géneros, ou àqueles que acham que o Fantástico não é literatura, tenho apenas uma coisa a dizer: ninguém deve assumir que as suas limitações são a norma, nem que a excepção à regra é uma anormalidade.

Como entrou a escrita no seu dia-a-dia?
A primeira coisa que escrevi foram poemas - ainda escrevo. Depois comecei a escrever sinopses - só pela piada. E, finalmente, resolvi participar num concurso escolar com um conto; não era nada de especial, mas serviu para instalar o bichinho. Anos mais tarde, motivado pelo meu professor de português que adorou uma pequena redacção que fiz, sobre um pescador e o mar revoltado - tendo-me chegado a comparar a Raúl Brandão -, voltei a escrever. Nesse ano comecei a escrever o meu primeiro romance policial - ainda não terminado; parei quando entendi que precisava de experiencia de vida para o acabar. Um dia o acabarei... No entanto, até 2006, por diversas razões a escrita ficou para trás, tendo a produção sido reduzida a alguns poemas e contos; em 2006 resolvi que estava na altura de assumir a minha faceta de escritor. Escrever faz-me bem, faz-me sentir completo, faz-me viver, dá um sentido maior à minha vida e dá-me um propósito no mundo. Acredito que seja por isso que a escrita surgiu na minha vida e por que, de todos os sonhos de juventude que tinha, este seja o único do qual nunca abdiquei.

Como se sentiu ao tornar-se um autor publicado?
Esta é uma questão cuja resposta será longa e levar-me-á a referir aspectos que poderão - à primeira vista - não estar relacionados, mas estão.
Em 2008, a publicação de «Império Terra: o princípio» foi a realização de um sonho. Foi uma tempestade emocional, porque acreditei que dali em diante tudo seria melhor e mais fácil. Acontece que o mercado editorial tem as suas idiossincrasias e eu não estava preparado para elas. Foram 6 meses de felicidade e depois veio o desânimo e a revolta. Em 2010, quando publiquei o segundo livro da Trilogia Império Terra - «Guerra da Pirâmide» -, acreditava ter dominado parte dessas idiossincrasias, por isso escolhi melhor a editora, escolhi a minha própria capa - é única, porque foi desenhada de propósito para o livro - e fiz um excelente lançamento; acreditei que este livro poderia ser a minha afirmação... Mas por vicissitudes do mercado editorial o livro nunca saiu dos armazéns. Por isso, ser um autor publicado é bom, quando se tem uma editora tradicional por trás; em regime de autopublicação, não é muito saudável: não há garantias, não há esforço promocional, não há venda do produto nem do autor e - ainda por cima - pagou-se.
Contudo, quero deixar claro que não sou contra a autopublicação: é uma alternativa para quem quer publicar e enquanto não consegue chegar a uma editora tradicional. Eu próprio recorri a ela, em 2014, para publicar o ebook «Marta» e tenciono voltar a recorrer se, entretanto, não conseguir publicar por uma editora tradicional. Eu defendo que os autores não se deixem amordaçar pelo facto das editoras tradicionais não os publicarem; digo isto, porque apesar de escrever ser uma coisa que me faz bem, que me completa, que dá um sentido maior à minha vida e um propósito no mundo, nada disso será possível se não for lido; e talvez tenha sido por isso, por me sentir assim, que tenha começado a avançar com um projecto denominado de EPA|Escritores Portugueses Autopublicados - uma plataforma de divulgação dos autores que se autopublicam em Portugal -, mas a ideia de autopublicação é tão mal vista que são os próprios autopublicados a não admitirem que o são. De todos os convites que fiz - poucos se dignaram a responder -, não houve uma única resposta positiva.

Identifica-se com alguma das suas personagens?
Todos as personagens reflectem uma parte de nós; mesmo os vilões. Este fenómeno de transferência ocorre inconscientemente e, muitas vezes, só nos apercebemos disso quando relemos o que escrevemos, muito tempo depois. Para muitos, escrever funciona como uma espécie de descarga emocional, uma catarse, e por isso é natural que muitos dos seus processos mentais resultem numa transcrição para os textos dessas emoções transmutadas em acções ou pensamentos das personagens. De uma forma ou de outra, as personagens reflectem-nos sempre, nem que se seja num detalhe, e por isso é natural que nos identifiquemos mais com algumas personagens do que com outras, consoante o nível de transferência que fizemos.
Mas este fenómeno é também uma necessidade do processo de escrita, esta transferência do escritor, ou de outras pessoas que o escritor conhece, para a personagem, é isto que humaniza uma personagem e que a torna credível para o leitor, porque só assim o leitor se pode, por sua vez, identificar com as personagens; se a personagem não tiver essa carga emocional, dificilmente um leitor a aceitará e o livro perderá a sua função, tornar-se-á uma pilha de folhas.

A segunda parte da entrevista será publicada brevemente!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Entrevista a Bruno Franco


Fale-nos um pouco sobre si.
Chamo-me Bruno Franco, tenho 24 anos e sou Licenciado em Radioterapia. Trabalho no IPO de Lisboa, adoro desporto (até começar a trabalhar o ano passado, era atleta federado de Natação) e adoro ler e escrever. Toda a minha vida fui um atleta e grande parte dela um escritor. Agora, com o trabalho no IPO, tenho menos tempo para treinar, mas ainda assim continuo a treinar frequentemente com a minha equipa. Fui Rei do Baile de Finalistas do Secundário em 2008 e namoro com a mulher da minha vida. No fundo sou feliz e considero-me uma boa pessoa, porque se não o fosse jamais estaria rodeado de familiares e amigos tão fantásticos como tenho a sorte de ter perto de mim.

Como entrou a escrita no seu dia-a-dia?
A escrita entrou no meu dia-a-dia numa altura em que precisei de arranjar ferramentas para ultrapassar a pior fase da minha vida, aos 14 anos. Foi também o resultado da leitura de imensos livros e da curiosidade em saber como seria escrever um livro. Desde que comecei, foi impossível parar.

Como se sentiu ao tornar-se um autor publicado?
Senti-me tremendamente realizado. Ver, por fim, obras minhas publicadas para todos lerem é algo maravilhoso e, ao mesmo tempo, assustador. Ser escritor é expor-nos ao mundo. Não é fácil. Mas, se fizermos um bom trabalho, é muito recompensador. Estou muito feliz com a publicação do “Contagem Decrescente”, as críticas têm sido fantásticas e isso dá-me ainda mais vontade de trabalhar para continuar a evoluir e proporcionar leituras cada vez mais interessantes às pessoas.

Identifica-se com alguma das suas personagens?
De certa forma, identifico-me com todas. Todas as minhas personagens têm um cunho meu, mas claro que há sempre uma que poderá ser mais parecida, seja na forma de encarar a vida, seja na forma de agir ou pensar. Nunca tive uma personagem que fosse totalmente igual a mim, mas não digo que não tivesse a sua graça se tal acontecesse.

Quais são as suas referências e inspirações enquanto escreve?
A inspiração é um fenómeno engraçado. Adoro escrever quando estou inspirado. Não sei explicar, mas estar inspirado é ter a sensação de que poderia escrever 24 horas seguidas que as ideias nunca iriam parar de jorrar para o computador. É mesmo fantástico. Mas o que me serve de inspiração? Não sei dizer. Às vezes uma música, um filme ou uma série que me deixe de queixo caído dá-me inspiração extra para escrever, porque penso que é aquele tipo de emoções que quero transmitir.
As minhas referências são várias. Tess Gerritsen, Donato Carrisi, Daniel Silva, Dan Brown, Luís Miguel Rocha, Jeff Abbott, J. K. Rowling e José Rodrigues dos Santos. São os meus escritores favoritos e quem mais admiro. A minha ambição é ser como eles.

Qual é que acha que é o papel da blogosfera em geral na divulgação literária?
É um papel importantíssimo. Antes de publicar o “O Novo Membro” não fazia ideia de que tais blogues existissem. No entanto, rapidamente me apercebi do fabuloso mundo dos blogues literários, e fiquei rendido. Além de ajudarem os leitores a decidir se devem ou não ler determinado livro, têm um papel determinante na promoção de escritores portugueses menos conhecidos, como eu. Acho extraordinário o destaque que dão aos portugueses no meio de tanta literatura estrangeira de qualidade. Acredito que faça toda a diferença, uma vez que o mercado literário é muito injusto e ingrato para os portugueses menos conhecidos. Os blogues literários vieram equilibrar essa balança. Obrigado!

Apesar de o livro ter saído recentemente, tem recebido feedback dos seus leitores?
Sim, já tenho recebido bastante feedback e, como disse, as opiniões têm sido excelentes. Estou mesmo orgulhoso do “Contagem Decrescente”, creio que é o livro da minha afirmação enquanto escritor de policiais. E que não pretendo ficar por aqui.

Tem algum plano literário para o futuro?
Para quem já leu o “Contagem Decrescente”, sei que o que mais querem é que publique a sequela desta obra com o detective Rodrigo Tavares. No entanto, e se tudo correr como espero, antes desse livro ainda hei-de publicar outro no qual estou a trabalhar agora, e que pode dar muito que falar se for tudo bem feito. Trata-se de outro policial com um ritmo alucinante e o mais complexo que já escrevi até agora. Estou muito empolgado com as minhas perspectivas, e mal posso esperar para que o futuro chegue.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Entrevista a Fernando Pessanha

 
Fale-nos um pouco sobre si.
É sempre desconfortável e potencialmente pretensioso falarmos de nós. Prefiro que sejam os livros e a música a fazê-lo por mim.

Como entrou a escrita no seu dia-a-dia?
Sorrateiramente. Escrevo para mim desde tenra idade, sem qualquer tipo de aspiração literária. Comecei a escrever contos em criança. Curiosamente, a minha professora da escola primária – pessoa de suspeitas capacidades pedagógicas - rasgava as minhas composições alegando terem sido preparadas em casa, pelos meus pais… O acto de escrever passou a ser mais frequente e consistente durante os tempos da universidade. A licenciatura em Património Cultural e o mestrado em História do Algarve – cursos de letras - implicaram, desde logo, uma atenção redobrada para com a escrita, não estivéssemos a falar de ciências humanas e sociais… A literatura de ficção surgiu como escape à investigação e produção historiográfica.

Como se sentiu ao tornar-se, pela primeira vez, um autor publicado? E quando teve o apoio da Coolbooks, a chancela de ebooks da Porto Editora?
É sempre uma emoção ver o primeiro livro publicado. No meu caso, foi a 4Águas Edições, através da chancela Edições Mandil, que publicou o meu primeiro trabalho: A Cidade Islâmica de Faro. Foi um trabalho que visou assinalar os 1300 anos do início do domínio islâmico na capital do Algarve e que teve o apoio da Direcção Regional da Cultura do Algarve, Câmara Municipal de Faro e da Associação Faro 1540. Lembro-me da grande satisfação que senti quando o Fernando Esteves Pinto, o editor da 4Águas, mostrou-me o livro no regresso da sua participação num congresso internacional de literatura ibero-americana. Na altura nunca poderia imaginar que, nos anos seguintes, seria eu - com a sua ajuda - a apresentar o Encontros Improváveis e o Hotel Anaidaug em congressos internacionais de literatura ibero-americana, nomeadamente, no Edita Lisboa / Punta Umbria e no Salón del Libro Iberoamericano de Huelva…
No que se refere à Coolbooks, o contacto surgiu aquando da ideia para a criação de uma chancela digital para a Porto Editora. O Pianista e a Cantora foi uma das seis primeiras obras a serem editadas pela nova chancela e permaneceu durante algumas semanas no TOP 10 de eBooks, da Wook. Presentemente encontra-se a ser apresentado, havendo já um conjunto de sessões marcadas para Portugal e Espanha. A próxima apresentação será já no próximo dia 25 de Setembro, na Biblioteca Provincial de Huelva (Andaluzia), estando a apresentação a cargo do escritor espanhol Diego Mesa, o coordenador da Aula José Saramago.

Identifica-se com alguma das suas personagens?
É uma pergunta curiosa e de difícil resposta. Identifico-me, em certa parte, com todas… e, por outro lado, não me identifico com nenhuma. Lembro-me de uma observação feita por José Bivar aquando do ciclo de apresentações do Encontros Improváveis. Segundo o supracitado, todas as personagens do livro eram, no fundo, alter egos meus. Na altura achei aquele comentário muito interessante e até me imaginei a falar dessas personagens, deitado no divã do consultório da Drª Cláudia Fontana, a psicóloga (personagem) desse livro… Talvez um dia escreva uma estória sobre esse encontro improvável…

Quais são as suas referências e inspirações enquanto escreve?
A inspiração é o mundo que nos rodeia. Nós somos fruto das experiências e da matéria empírica que nos corporiza e isso acaba, inevitavelmente, por reflectir-se na produção literária. No meu caso, particularmente, a História e a música assumem papéis preponderantes, pois a minha condição de Historiador e pianista assim o determina. Não são, portanto, inocentes as referências musicais em livros como O Pianista e a Cantora, Hotel Anaidaug ou Encontros Improváveis. Numa entrevista feita pela Canal Sonora, perguntavam-me se eu seria um escritor diferente se não fosse músico. Na altura respondi que para um músico torna-se relativamente fácil descrever estados de espírito e ambientes recorrendo à linguagem musical. Uma imagem pode traduzir mil palavras. O mesmo acontece com o som… Quanto a referências literárias, são tantas que se torna difícil enunciá-las. De Franz Kafka a Henry Miller, de Sandor Marai a Philip Roth, de Paul Bowles a Allan Poe… são tantos os escritores que me marcaram que seria injusto enumerá-los.

Qual é que acha que é o papel da blogosfera em geral na divulgação literária?
Pergunta difícil. Eu próprio tenho um Blog, Intento Memoriam, onde pontualmente partilho alguns dos artigos de carácter historiográfico que vou publicando nos órgãos de comunicação algarvios. Porém, confesso que não lhe dou grande atenção nem sou grande entendido nem conhecedor da blogosfera. Seja como for, tenho a impressão que é muito difícil conseguir “tempo de antena” em blogs dedicados à crítica literária e que nem sempre as apreciações tecidas às obras são as mais justas.

Tem recebido feedback dos seus leitores, tanto do livro lançado pela Coolbooks como dos restantes escritos por si?
Sim, por vezes recebo feedback por parte dos leitores. A página de O Pianista e a Cantora, na wook, está cheia de comentários calorosos, o que é para mim motivo de grande regozijo. No que se refere à História também não me posso queixar. Ainda há pouco tempo, durante a apresentação de Os mouriscos nos Algarves Portugueses…, num congresso internacional de História, em Tânger, fui convidado a apresentar o mesmo estudo na Universidade de Rabat, na capital de Marrocos. Não me posso, portanto, queixar de falta de feedback, tanto no domínio da literatura de ficção como no domínio da História…

Tem algum plano literário para o futuro? 
Os planos são vários, ainda que as condições não sejam as mais favoráveis. Nas próximas semanas irei publicar um novo trabalho intitulado Subsídios para a História do Baixo Guadiana e dos Algarves Daquém e Dalém-mar. Trata-se de um compendium que reúne 50 artigos de carácter historiográfico publicados, anteriormente, em diversos órgãos de comunicação algarvios. Em Novembro também irá sair um outro trabalho relativo à minha participação nas últimas Jornadas de História de Ayamonte, intitulado “V centenario de la fundación de Arenilha y sus relaciones com Ayamonte”. Relativamente a literatura de ficção, irei publicar em breve um conto intitulado O Sétimo Céu e as Meninas de Tânger, numa antologia de escritores do Algarve que será editada pela 4Águas Edições. Para além disso, traduzi há pouco tempo um trabalho do escritor espanhol José Luis Piquero, originalmente intitulado Mi Psicopata. Esta tradução será publicada em Portugal nos próximos meses.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Entrevista a Pedro L. Torres


Pedro L. Torres nasceu no Porto em 1979, onde vive. Licenciou-se em Engenharia Electrónica e Telecomunicações pela Universidade de Aveiro. Passou por diferentes indústrias, trabalhando actualmente na área dos materiais. Publicou diversos contos em revistas literárias. "Isabel, a Condessa Cercada" é o seu primeiro romance.

Fale-nos um pouco sobre si.
Sou um português de trinta e quatro anos, que vive no Porto, com interesses diversos que me levaram a concluir estudos superiores em engenharia, área onde trabalho. As letras sempre foram porém uma área onde tenho uma certa aptidão natural. Durante a escola servia-me dessa aptidão apenas para tirar boas notas sem estudar. No primeiro ano da faculdade, numa noite em que estudava na biblioteca, peguei no Primo Basílio, que estava na prateleira atrás de mim, para distrair a cabeça dos exercícios de física. Tudo começou aí. Li a obra inteira do Eça nos meses seguintes (Os Maias incluído, aos quais tinha escapado no secundário), e depois vieram toda uma série de autores portugueses e estrangeiros que fui descobrindo, e continuo a descobrir.

Como entrou a escrita no seu dia-a-dia?
A escrita surgiu como uma necessidade de cumprir algo, ainda que não tivesse um objectivo definido. Começou em folhas soltas de papel, onde escrevia ideias soltas, pequenos versos, e lentamente – acompanhado pela leitura constante e pela própria experiência de vida – tornou-se num processo mais estruturado, e sobretudo ambicioso, no sentido em que sentia uma vontade permanente de testar as minhas capacidades, à medida que se desenvolviam. 

Como se sentiu ao tornar-se um autor publicado?
Esse era um… devaneio? Muito presente enquanto escrevia este primeiro romance. Sonhava com esse momento da publicação, à semelhança da maior parte das pessoas que escrevem, creio. Decididamente há um antes e um depois, não necessariamente melhor. A publicação no meu caso significou uma revelação desta minha actividade para muita gente próxima. Sempre mantive a escrita como algo íntimo e secreto. 

Identifica-se com alguma das suas personagens?
Nenhuma é inspirada em mim, e no entanto todas terão algo meu, ainda que essa transmissão seja feita de um modo inconsciente. Procurar essas características nas personagens seria um exercício de passagem da criação literária para a vida real, o que é contrário ao processo de escrita. As minhas personagens têm a sua própria vida, no seu próprio mundo, um mundo muito próximo deste, levemente distorcido. Um mundo onde eu não tenho lugar.

Quais são as suas referências e inspirações enquanto escreve?
Enquanto escrevo procuro ler obras e autores que não me influenciem o trabalho no momento. O ideal é mesmo ler obras de não ficção, ou autores e temas que considero neutros, ou seja, que não interferem com a minha escrita. Dito isto, considero fundamental a leitura dos clássicos. São obras que nos enriquecem enquanto humanos, transforma-nos em seres maiores, conscientes de uma forma apurada da vida.

Qual é que acha que é o papel da blogosfera em geral na divulgação literária?
Creio que deve ser uma plataforma de encontro entre leitores, editoras, e autores. É uma via de divulgação de novas obras por excelência, e tem a possibilidade (a par das redes sociais) de promover a discussão e troca de ideias entre os amantes dos livros. O Bloco de Devaneios é um excelente exemplo deste tipo de divulgação e interacção.

Apesar de o livro ter saído recentemente, tem recebido feedback dos seus leitores?
Até agora tenho recebido algumas reacções muito positivas sobre o meu trabalho. O feedback dos leitores é algo de enorme importância, porque afinal de contas, a história pertence a quem a lê, e é feita da forma como a interpreta e vive. Eu apenas a escrevi.

Tem algum plano literário para o futuro? 
Sim, vários. Continuo sempre a escrever, a pôr à prova as minhas capacidades e a explorá-las através da ficção. A criação literária é algo que preciso de fazer, ainda que muitas vezes seja dura e cheia de frustrações. O romance é um colosso feito de sacrifício, ao qual me quero entregar sempre, sem hesitações.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

[Especial 4º Aniversário] Entrevista a Emma Wildes


Pode falar um pouco sobre si?
Nasci no Minesota e depois mudei para o sul do Brasil durante vários anos (costumava falar fluentemente português!) antes de me mudar de novo para os Estados Unidos e assentar no Novo México. Conheci o meu marido enquanto estudava para tirar o curso de Geologia na Universidade do Estado de Ilinois. Agora vivemos numa zona rural no sul de Indiana que tem imensas colinas com árvores e é dotada com lagos. De todos os lugares em que vivi, este é o meu favorito. É lindo e muito privado. Sento-me a escrever e a ver veados e perús selvagens a vaguear no meu quintal da frente. O meu marido e eu temos três filhos, um cachorrinho (que é enorme embora só tenha cinco meses e adora o nosso lago de tal forma que aparece imensas vezes à nossa porta totalmente molhado), e um felino temperamental que autorizou graciosamente a ser chamado de Poot.

De onde vêm as suas ideias?
Para ser sincero, não tenho a certeza. As histórias parecem simplesmente na minha cabeça. É um processo engraçado imaginar a primeira cena e os eventos eventualmente começam a encaixar. As minhas personagens, por norma, surpreendem-me. O meu marido ri-se de mim quando eu digo em voz alta: Não tinha ideia que isto iria acontecer. Obviamente que não me sento e decido de imediato todo o romance. Já tentei fazê-lo e para mim não resulta.

Identifica-se em alguma das suas personagens? E tem alguma que lhe seja mais querida?
Os homens e as mulheres não pensam da mesma forma . Acho que gosto de escrever mais sobre as personagens masculinas do que sobre as femininas. Não que não goste de heroínas femininas e independentes, mas é um desafio sentar-me e imaginar como é que um homem iria reagir à mesma situação. Sendo uma mulher eu sei o que consideraria fazer se fosse a heroína, mas o herói? Por isso acho que é minha resposta é sim, definitivamente que me colocar na pele das personagens e de certeza que a minha visão do mundo acaba por se destacar. Relativamente a uma personagem em especial, isso é muito difícil. Conheço-as de trás para a frente, como pensam, a sua história, os seus traços de personalidade… tento que todas elas sejam especiais.

Tem algum hábito “estranho” enquanto escreve?
Levanto-me e ando de um lado para o outro imensas vezes e não costumo ter noção que o estou a fazer até me encontrar noutra divisão, pensando na cena.

Admito que é uma questão com ratoeira, mas que acha das capas portuguesas dos seus livros?
Acho que são lindas!

Desde que se tornou uma autora publicada, qual foi a coisa mais fantástica e ao mesmo tempo estranha que lhe aconteceu?
Submeti um livro para a minha editora quando esta era pequena e ela respondeu que adorara e que não percebia como é que eu não tinha uma agente. Já me tinha safado bem a vender os meus livros sozinha, por isso não liguei muita importância. Uma hora depois recebo uma chamada de um dos melhores agentes de Nova Iorque a oferecer-se para me representar. Eles lançaram a minha carreira de uma forma que nunca imaginara ser possível. Estou muito agradecida a essa editora até ao dia de hoje.

Que pensa da comunidade bloguer? Acha que de alguma forma ela ajudou quando lançou o seu primeiro livro?
Os blogues são como que uma conversa e é uma óptima forma de arranjar leitores. Sem dúvida que acho que ajudam a vender livros.

E finalmente, tem alguma mensagem para os seus leitores?
Que grupo fantástico de leitores. Recebi alguma da correspondência mais queria de Portugal. Queria tanto visitá-los e já falei com o meu marido sobre isso. Agradecia sugestões do que deveria estar na minha lista de coisas para ver. Sei que é um país lindíssima, mas tirando Lisboa, devo admitir que não sei onde deveria ir para ter um verdadeiro gosto da cultura de lá. Além disso… que tipo de comer não deveríamos perder?

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Entrevista em Inglês

Could you talk a little bit about yourself?
I was born in Minnesota, then we moved to southern Brazil for several years (I used to speak fluent Portuguese!) before we came back to the states and settled in New Mexico. I met my husband while studying for a degree in geology at Illinois State University. We now live in a rural area in southern Indiana that is all wooded hills and dotted with lakes. Of the places I’ve lived, this is my favorite. It’s very beautiful and private. I sit and write and watch deer and wild turkeys wander through my front yard. My husband and I have three children, a rambunctious puppy (that is huge already at five months and loves our lake so he often comes to the door soaking wet), and a temperamental feline who has graciously agreed to live with us named Poot.

From where did you get your ideas?
I’m not sure, to be honest. The stories just seem to unwind in my head. It is a fun process to imagine that first scene and let the series of events fall into place. My characters often surprise me. My husband laughs at me when I murmur out loud: I had no idea that was going to happen. Obviously I don’t sit down and plot out the whole novel ahead of time. I’ve tried that, but it doesn’t work for me.

Do you identify yourself in your characters? And have you got some character that is special to you?
Men and women just don’t think the same way . I think I enjoy writing the male characters more than the heroines! Not that I don’t love independent and yet feminine heroines, it’s just a challenge to sit there and imagine how a male would react to the same situation. Being a female I know what I would do if I was the heroine, but the hero? So I think the answer is yes, I definitely put myself in their shoes, and I am sure my outlook on the world comes through.
As for a special character, that’s a very difficult question. I know them inside and out, what they think, their history, their personality traits…I try to make them all special.

Do you have any "weird" habits while writing?
I get up and walk around a lot and I’m not really aware that I’m doing it until I find myself in another room, thinking through the scene.

I admit this is a trick question, but what do you think about the portuguese covers of your books?
I think they are beautiful!

Since you became a published author, what was the most amazing and at the same time weird thing that has happened to you?
I submitted a book to my editor at a small house and she wrote back and said she loved it, but wondered why I didn’t have an agent. I’d done pretty well selling the books myself, so I just shrugged. An hour later I got call from one of the best agents in New York who offered to represent me. That launched my career in a way I never imagined. I am grateful to that editor to this day.

What do you think about the bloguers community? Do you think they were of any help when your first book was realeased?
Blogs are a conversation and that is a wonderful way to engage readers. I absolutely think they help sell books.

And finally, do you have any message for your portuguese readers?
What a lovely group of readers. I have received some of the nicest notes from Portugal. I so want to visit there and my husband and I have talked about it. I would appreciate suggestions on what should be on my must-see list. I know it is a beautiful country but other than Lisbon, I admit I am not sure where we should go to get a true taste of the culture. Plus, is there a must-have food specialty we should not miss?

terça-feira, 19 de agosto de 2014

[Especial 4º Aniversário] Entrevista a Allie Burton


Pode falar um pouco sobre si?
Sempre tive uma mente criativa mas nunca me vi como escritora até ser adulta. Tive imensos empregos enquanto era adolescente e depois de sair do liceu, e acho que todas essas experiências me ajudaram com a minha pesquisa. Já fiz de tudo, desde um polícia que andava de bicicleta passando por um executivo de marketing até uma mascote profissional. Tudo isto me providenciou experiências muito interessantes. Também já vivi em 3 países diferentes e 4 estados nos Estados Unidos.

De onde vêm as suas ideias?
Tenho ideias a partir de tudo, notícias, conversas que oiço, histórias. Para o livro “Lost Daughters of Atlantis” (não publicado em Portugal), tive a ideia quando estava de férias numa ilha. Eu pensei, e se… e então a história desenrolou-se a partir daí.

Identifica-se em alguma das suas personagens? E tem alguma que lhe seja mais querida?
Acredito que há sempre partes de mim em todas as minhas personagens. Enquanto que não sou tal e qual como elas (não consigo respirar debaixo de água), acho que certos aspectos da minha personalidade acabam por sobressair nas suas histórias. Adoro escrever sobre Sky em Atlantis Dark Tides. Ela foi introduzida no romance como vilã. Tive de descobrir como a retirar do lado mau para o bom.

Tem algum hábito “estranho” enquanto escreve?
Começo sempre os meus esboços no tipo de letra Courier e mantenho-os com apenas um de espaçamento. De seguida, quando passo para a fase de edição, duplico o espaçamento. E finalmente, quando estou a fazer a revisão final, mudo o tipo de letra para Times New Roman. Já tentei começar a escrever em Times New Roman, mas parece que me faz hesitar enquanto estou a sonhar com os meus enredos.

Desde que se tornou uma autora publicada, qual foi a coisa mais fantástica e ao mesmo tempo estranha que lhe aconteceu?
Há algumas semanas atrás, conheci um estranho que já tinha ouvido falar de mim. Era uma adolescente de um estado diferente e que estava a visitar uns familiares onde eu vivia. Uma coisa é receber emails de fãs, outras é conhecer em pessoa alguém que me conhece como escritora, o que é fantástico! Eu agi como fã da minha fã!

Que pensa da comunidade bloguer? Acha que de alguma forma ela ajudou quando lançou o seu primeiro livro?
Eu adoro a comunidade bloguer porque eles informam as pessoas dos livros de que gostam, ou não. Eles partilham o seu entusiasmo do seu amor pela leitura. Todos os bloguers com quem já trabalhei foram extremamente profissionais e simpáticos.

E finalmente, tem alguma mensagem para os seus leitores?
Adoro opiniões! A melhor maneira de ajudar um autor é escrevendo uma opinião no seu site próprio ou no GoodReads. Isto ajuda outros leitores a encontrar histórias que adorem.
Aproveito e quero deixar aos meus leitores a notícia de que as próximas duas histórias da série Atlantis será lançada em Novembro e Dezembro de 2014! Atantis Twisting Tides é uma história pequena e Atlantis Glacial Tides é o próximo livro completo. Ambas as histórias têm como personagens Adria, a irmã do Príncipe do Recife de Atlantis Dark Tides. Estou muito emocionada como estas histórias e espero que os meus leitores também estejam

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Entrevista em Inglês

Could you talk a little bit about yourself?
I’ve always had a creative mind, but never saw myself writing books until I was an adult. I had a lot of jobs as a teen and after college, and I find that all these experiences have helped with my research. I’ve been everything from a bike police officer, to an advertising executive, to a professional mascot escort. All provided interesting experiences. I’ve also lived in 3 countries, and 4 states in the United States.

From where did you get your ideas?
I get ideas from everywhere: news, overheard conversations, history. For the Lost Daughters of Atlantis series I got the idea when I was on vacation on an island. I thought what if… and the story just went on from there.

Do you identify yourself in your characters?
And have you got some character that is special to you? I believe there are pieces of me in all my characters. While I’m not exactly like any of them, (I can’t breathe underwater), I do find that certain aspects of my personality come out in their stories. I loved writing about Sky in Atlantis Dark Tides. She was introduced in the novella as a villain. I had to figure out how to take her from the bad guy to the good.

Do you have any "weird" habits while writing?
I always start my rough drafts in the Courier font and keep it single spaced. Then, when I move to the editing stage I double space. And finally, when I am doing the final proof I switch the type to Times New Roman. I’ve tried to start writing in Times New Roman and it seems to make me hesitate while dreaming up my plots.

Since you became a published author, what was the most amazing and at the same time weird thing that has hapenned to you?
A couple of weeks ago I met a stranger who had actually heard of me. She was a teenager from a different state who was visiting relatives where I live. While I’ve received fan email, to actually meet someone who knew me as a writer first was pretty amazing. I fan-girled on my fan!

What do you think about the bloguers community?
Do you think they were of any help when your first book was released? I love the blogger community because they inform people about books they liked, or didn’t. They share their enthusiastic love of reading. All the bloggers I’ve worked with have been extremely professional and nice.

And finally, do you have any message for your readers?
I love reviews! The best way to help an author is to write a review on the retailer website or Goodreads. This helps other readers find stories they will love.
And, I wanted to let me readers know that the next two stories in the Atlantis series will be released in November and December of 2014! Atlantis Twisting Tides is a short novella and Atlantis Glacial Tides is the next full book. Both stories will feature Adria, Prince Reef’s sister from Atlantis Dark Tides. I’m really excited about these stories and I hope my readers will be too!

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

[Especial 4º Aniversário] Entrevista a Sharon Hamilton


Pode falar um pouco sobre si?
Tenho sido uma autora de bestsellers do USA Today e do NYT (New York Times), conhecida por romances com a força especial da marinha dos Estados Unidos (SEAL), tal como algumas sagas paranormais (Golden Vampires of Tuscany e The Guardians – não publicados em Portugal). Vivo na Califórnia do Norte e adoro jardinagem.

De onde vêm as suas ideias?
É uma questão que me é difícil responder, mas de todo o lado: sonhos, conversas que oiço, coisas que leio nas notícias. Escrever ainda me traz mais ideias. Quando mais escrevo, mais quero escrever e obtenho cada vez mais ideias. Também adoro ouvir música (especialmente instrumental) quando escrevo ou sonho acordada. Ando constantemente a sonhar acordada!

Identifica-se em alguma das suas personagens? E tem alguma que lhe seja mais querida?
Acho que há um pouco de mim em todas as minhas personagens, pelo menos nas heroínas. Não tenho vinte anos nem tenho um corpo tamanho 4 (mais ou menos tamanho 34 em Portugal), por isso gosto imaginar como tal poderá ser. Escrevo histórias que poderiam ser reais, mas são da minha imaginação.

Tem algum hábito “estranho” enquanto escreve?
Por vezes oiço a mesma canção durante todo o dia simplesmente para ter uma cena certa. E depois essas músicas levam-me de novo para o estado de espírito em que me encontrava quando as ouvi anteriormente. Por alguma razão a música ajuda a focar-me, a concentrar-me. Bloqueia o resto do mundo.

Desde que se tornou uma autora publicada, qual foi a coisa mais fantástica e ao mesmo tempo estranha que lhe aconteceu?
É fantástico ter todos aqueles fãs, ser acompanha. Estou conectada a leitores por todo o mundo. Não acho estranho, apenas simpático.

Que pensa da comunidade bloguer? Acha que de alguma forma ela ajudou quando lançou o seu primeiro livro?
Os meios sociais, incluindo os bloguers, são a única forma que as pessoas têm que saber sobre os meus livros. Por vezes tal ocupa grande parte do meu dia, mas é necessário.

E finalmente, tem alguma mensagem para os seus leitores?
Adoro o que faço. Não quereria fazer outra coisa. Escrever é algo que consigo ver-me a fazer durante o resto da minha vida. É a minha terceira carreira, e acho que a última.

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Entrevista em Inglês

Could you talk a little bit about yourself?
I’ve been a NYT and USA Today bestselling author, known for Navy SEAL romances, as well as paranormal series (Golden Vampires of Tuscany and The Guardians). I live in Northern California and am an avid gardener.

From where did you get your ideas?
Hard question for me to answer, but from everywhere: dreams, overhearing conversations, things I read in the news. Writing brings more ideas. The more I write, the more I want to write and the more ideas I get. I also enjoy listening to music (mostly instrumental) when I write or daydream. I do a lot of daydreaming!

Do you identify yourself in your characters? And have you got some character that is special to you?
I think there is a little bit of me in every character, or at least the heroines. I’m not in my 20s nor do I have a size 4 body, so I enjoy living in the fantasy of what that might feel like. I write the stories that could be, but are my own imagination.

Do you have any "weird" habits while writing?
I sometimes will listen to the same song all day long to get a certain scene just right. And then those songs later put me right back in the mood when I listen to them. Music helps me focus, concentrate, for some reason. Blocks off the rest of the world.

Since you became a published author, what was the most amazing and at the same time weird thing that has hapenned to you?
Amazing to get all these fans, to be followed. I’ve connected with readers all over the world. Don’t consider that weird, but just nice.

What do you think about the bloguers community? Do you think they were of any help when your first book was realeased?
Social media, including bloggers, are the only way people will find out about my books. Sometimes sucks up a big portion of my day, but it is necessary.

And finally, do you have any message for your readers?
I love what I do. Wouldn’t want to do anything else. Writing is something that I can do the rest of my life. It is my 3rd career, and I think my last.