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quarta-feira, 8 de junho de 2011
Autora: Rebecca Skloot
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 416
Editor: Casa das Letras
ISBN: 9789724620213
Coleção: Memórias

Sinopse:
O seu nome era Henrietta Lacks, mas os cientistas conhecem-na como HeLa. Era uma pobre assalariada numa plantação de tabaco, trabalhando a mesma terra do que os seus antepassados escravos. Mas as suas células - retiradas sem o seu conhecimento - tornaram-se numa das ferramentas mais importantes na Medicina: as primeiras células humanas «imortais» da ciência. Ainda estão vivas hoje, embora Henrietta tenha morrido há mais de sessenta anos. As células HeLa foram vitais para o desenvolvimento da vacina contra a poliomielite; contribuíram para os avanços médicos em relação ao cancro, aos vírus e aos efeitos da bomba atómica; ajudaram nas descobertas médicas importantes, como a fertilização in vitro, clonagem e mapeamento de genes; e, consequentemente, foram compradas e vendidas através de contratos multimilionários. No entanto, Henrietta Lacks permanece praticamente desconhecida.

Neste livro Rebecca Skloot conduz-nos numa extraordinária viagem, começando pela ala «de cor», do Johns Hopkins Hospital, em 1950, até aos grandes laboratórios cheios de células HeLa. A família de Henrietta não sabia da sua «imortalidade» e, embora as suas células tenham lançado uma indústria multimilionária, nunca viram um tostão. Como Rebecca Skloot tão brilhantemente mostra, a história da família Lacks está indissoluvelmente ligada à história da ciência, ao nascimento da bioética, e às infindáveis batalhas jurídicas sobre se podemos controlar as coisas de que somos feitos.


Opinião:
Henrietta era uma simples mulher negra. Bonita, divertida e positiva, sempre foi um espírito livro e adorada por todos! Mas a sua vida não acaba nada bem, quando lhe é diagnosticado um cancro que cresce a um ritmo alucinante e assustador, acabando por lhe levar a melhor. Mas a vida de Henrietta não acaba aqui, melhor dizendo, a vida das suas células. Acontece que o médico que atendeu Henrietta estava a par de uma investigação que era descobrir células que se conseguissem multiplicar e sobreviver no meio externo sem grandes ajudas. Ao fim de muito trabalho e quando estavam prestes a desistir, umas células continuaram a multiplicar-se rapidamente e não morriam! Estas células pertenciam a Henrietta, tendo sido retiradas desta sem a sua autorização (não nos podemos esquecer que tudo isto aconteceu em 1951, uma altura em que a cor de pele importava e muito e sendo Henrietta negra, o médico podia fazer o que quissesse e não se sentia na obrigação de a informar), tornaram-se as famosas células HeLa, que foram utilizadas em diversos tratamentos e descobertas, deste leucemia, cancro, clonagem, etc.

Mas uma coisa que os cientistas sempre ignoraram pois era algo que simplesmente não lhes interessava ou porque era mais fácil assim, era... de quem seriam aquelas células milagrosas? Como estaria a família da dona das células nos dias correntes... e como reagiriam ao saber a verdade?

Este livro surpreendeu-me imenso pela positiva! A autora conseguiu de uma maneira única tornar este livro uma biografia mas ao mesmo tempo um livro científico com imensos factos sobre as células HeLa, havendo inclusivé partes históricas que nos ajudam a compreender o "problema" que era ser negro na altura, a influência que tal deve na recolha das células e na ignorância que a família vivia em relação às HeLa, descobrimentos científicos que fizeram a sucessão de acontecimentos ter sido como foi...

A personagem da própria Henrietta é muito aprofundada, o que tendo ela falecido já há várias décadas e não tendo sido alguém cuja vida fosse noticiada, é algo que me admirou e mostrou o grande empenho e a pesquisa que a autora fez para escrever este livro! As conversas com os familiares vivos da autora (filhos, netos, marido...) estão bem escritas, de uma forma que dá para ver que é algo proveniente de uma entrevista, mas ao mesmo tempo com um carisma empregue pela autora que nos faz continuar a ler e a não ficar fartos. Uma coisa que me tocou muito foi o facto de a família de Henrietta, de quem as células fizeram milagres e revolucionaram a ciências, viverem na pobreza, no analfabetismo e com grandes dificuldades em compras medicamentos que provavelmente tinham sido descobertos graças às células da sua familiar.

O pensamento que me passou a cabeça ao acabar o livro foi "ainda bem que arrisquei". Porque embora eu seja de um curso relacionado com biologia e química e o livro me parecesse interessante, estava com medo que fosse simplesmente um livro teórico e nada mais. Algo que não é. A maneira com a autora o escreveu faz com que este possa ser lido por qualquer um, até pessoas que nada sabem sobre o tema (embora haja uma parte ou outra que possa ser mais complicada). Embora não seja dito nada, acabei com a teoria que a mortalidade da doença de Henrietta deveu-se à velocidade anormal com que as suas células cancerígenas se propagavam e não só à má diagnosticação da doença.

Um livro que li de empréstimo e que irei sem dúvida adquirir e que recomendo a todos sem reservas!!

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