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segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Autor: Andrew Miller
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 344
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722348393

Sinopse:
A Cidade Impura é um romance contemporâneo britânico, publicado em 2011, que venceu o aclamado Costa Book of the Year Award relativo a esse mesmo ano, prémio inglês para escritores residentes no Reino Unido e Irlanda, também atribuído a J.K. Rowling, em 1999.
Os tempos são os que antecedem a Revolução Francesa, o local é Paris. Jean-Baptiste Baratte é um jovem engenheiro que chegou da Normandia, chamado a Versailles pelo ministro do rei, que pretende contratá-lo para um trabalho: planificar e executar a demolição do cemitério e igreja de Les Innocents, vizinhos do mercado de Les Halles, em Paris. O cemitério tem sido usado ao longo dos anos mas recentemente começou a alastrar para a zona residencial em volta, que começou a ser invadida por um cheiro desagradável. A Cidade Impura ergue-se contra todas as adversidades, fura por entre os poucos raios de luz, emerge do caos e explode como uma obra de uma enorme beleza, fabricada a partir de uma matéria putrefacta e mórbida.


Opinião:
A sinopse deste livro era estranha e diferente. Nunca tinha ouvido falar deste livro, nem sequer tinha ouvido falar do próprio autor, mas não resisti à sinopse.

Jean-Baptiste Baratte é um engenheiro que finalmente arranjou um trabalho que lhe é dado pelo ministro, um trabalho que lhe pode impulsionar a carreira. Mas não é um trabalho fácil, pois Jean-Baptiste tem que demolir um cemitério inteiro, um dos mais antigos e conhecidos da cidade de Paris, mas que agora deita um cheiro nauseabundo que se entranha inclusive nos habitantes da cidade, tal como se diz no livro, até o hálito das pessoas que lá moram cheiram àquele cemitério!

Mas se pensam que este vai ser um livro sobre uma obra de arquitectura, se pensam que vão simplesmente acompanhar o desmantelamento de um cemitério estão totalmente enganados. Este é um livro de sentimentos, de profundos pensamentos. Aqui fala-se da natureza humana, da solidão, da necessidade de guardar algo que nos relembre do passado e de ter algo que nos prometa um bom futuro. Algo que saibamos que nos irá acompanhar no futuro. Neste livro há imensos pensamentos deste carácter, muito deles que vêm a partir da personagem principal que no seu percurso vai conhecendo imensas personagens distintas que lhe ajudam a compreender algo sobre a sua vida.

Há deste simples empregados, ex-mineiros, ministros, reis, mulheres distintas (uma que vive no cemitério, uma que exerce um estranho fascínio no personagem principal e que é prostituta e uma rapariga de boas famílias que se mostra bem diferente do que parecia), amigos distantes, etc.

É um livro que não é para todos os gostos e que não se lê assim tão depressa quando isto, pois é muito descritivo. Essa descrição é parte da magia do livro, pois estamos numa Paris onde o cheiro impregna todos os poros, onde o cheiro nauseabundo incomoda aqueles que são novos na capital, mas que para aqueles que já lá moram passou a ser uma forma de vida. Mas apesar de ter demorado a ler este livro, pois não é propriamente o meu género (demasiada descrição não é para mim), gostei da história, aliás, gostei da história por detrás da história, tinha profundidade, despertou sentimentos.

É um livro que não é para todos, mas sem dúvida que aconselho a todos a experimentarem lê-lo antes de lhe darem o vosso veredicto final. :)

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