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Anteriormente conhecida como v_crazy_girl, a 30 de Agosto de 2014 essa conta foi apagada, tendo assim decidido criar algo mais pessoal e próprio para o blogue literário de longa data.

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sábado, 17 de agosto de 2013

Fala-nos um pouco sobre ti.

Chamo-me Nuno Nepomuceno, tenho 35 anos, sou natural das Caldas da Rainha e resido em Torres Vedras. Licenciado em Matemática pela Universidade do Algarve, fui professor durante um ano e meio, mas o controlo de tráfego aéreo é a minha profissão. Já trabalhei na Torre de Controlo de Ponta Delgada, embora actualmente esteja na do aeroporto de Lisboa, onde desempenho funções operacionais e de supervisão. A escrita é uma actividade recente e que mantenho em paralelo. O meu primeiro livro chama-se O Espião Português, encontra-se publicado pela ASA desde Novembro de 2012, conta com o apoio da revista Lux Woman e, como o título o indica, insere-se num género difícil e raro em Portugal, o romance policial de espionagem. Venceu a 1ª edição do Prémio Literário Book.it, razão pela qual se encontra a ser comercializado em regime de exclusividade por esta cadeia de livrarias, pelas lojas Worten e Continente. De uma forma simples, narra a história de um alto funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros português que tem uma vida dupla enquanto espião. No decurso de uma cimeira em que participa, vai ser colocado perante uma conspiração que o vai obrigar a percorrer várias cidades europeias numa viagem de descoberta pessoal que inclusivamente irá mudar a sua vida. É também um livro sobre o amadurecimento, já que, através de várias analepses, é dado a conhecer ao leitor um acontecimento marcante no seu passado e que terá implicações futuras. Combina elementos clássicos da literatura de espionagem com uma abordagem contemporânea e intimista. Os valores tradicionais portugueses são o tema do livro.

Como surgiu a escrita na tua vida?
É uma aspiração antiga. Sou um leitor bastante regular e sempre senti algum fascínio em relação à possibilidade de criar algo só meu. Fiz algumas tentativas iniciais, mas sabia que este é um meio de difícil acesso e enorme instabilidade, pelo que decidi investir primeiro em outra carreira profissional. Quando comecei a ter mais disponibilidade, resolvi dedicar-me a um projecto antigo. Queria escrever um livro de acção, mas com uma profundidade emocional e psicológica profundas, onde as personagens e os seus sentimentos fossem os protagonistas, tudo num estilo muito cinematográfico e visual, quase gráfico. O resultado foi O Espião Português, um trabalho que decorreu durante seis anos, com um interregno de dois por questões pessoais. Nunca contei a quem quer que fosse acerca do que estava a fazer até à altura em que venci o prémio. Aí, tornou-se impossível escondê-lo.

Identificas-te em algumas das tuas personagens?
Com o André, o herói do livro. Acho que é natural, já que ele tem a idade que eu tinha quando comecei a redigir os primeiros parágrafos. Achei que seria mais fácil compreendê-lo se tivéssemos alguns pontos de contacto, já que sou um autor com pouca experiência. Agora, como me encontro a escrever uma continuação, acabo por passar muito tempo na sua companhia e dentro da sua cabeça. Tornou-se num protagonista muito rico, humano, e com o qual tenho a honra de conviver diariamente, quanto mais não seja em termos imaginários. Depois, existem outras personagens paras as quais sinto um prazer especial em escrever. Os pais e a irmã mais nova são um exemplo. Outro, é o Kimi. Trata-se do cão do André. É um labrador e a relação entre ambos é tão divertida e disfuncional, que tenho dificuldade em resistir-lhe.

Quais são as tuas referências e inspirações enquanto escreves?
Já o referi em outras entrevistas e, para mim, é um nome incontornável no momento presente do policial de espionagem. Falo do Daniel Silva, cuja carreira admiro imenso e invejo, pois um dia gostaria de ser tão bom quanto ele. Já li todos os seus livros e considero a série do Gabriel Allon notável, sensível, e de uma actualidade extrema. Há ainda a televisão e o cinema de acção. Cresci a ver A Missão Impossível, A Vingadora, ou a trilogia do Jason Bourne, só para citar alguns. O grafismo da minha escrita advém daí. Por vezes, recorro também à música ou imagens. É o caso de um do capítulos de O Espião Português, que foi inspirado numa música do George Michael (Kissing a fool). Já no caso do segundo livro, tenho usado uma fotografia. Há uns tempos, comprei uma revista de viagens cuja capa era uma ponte na Europa Central envolta em nevoeiro. Assim que a vi, pensei “tenho de colocar o André ali”.

Como foi ganhar o prémio Book.it 2012? Que alterações trouxe à tua carreira literária?
É um prémio novo e pouco divulgado, mas, no meu caso, está a fazer toda a diferença. O mercado editorial português encontra-se pouco receptivo a novos autores e as oportunidades escasseiam. Por outro lado, tenho um estilo que considero diferente, quando comparado com o típico autor nacional. Estou, por isso, muito grato à Lux Woman, à Book.it, à ASA, e aos grupos Sonae e LeYa por acreditarem em mim e mostrarem que eu tenho qualidade. O Espião Português tem tido uma receptividade enorme e, de alguma forma, surpreendente . Não podia pedir mais. Contudo, tenho a noção de que não passa disto mesmo, ou seja, de uma porta que se abriu, um primeiro passo que foi dado. A partir daqui, cabe-me a mim continuar a trabalhar para me manter como autor.

Qual é que achas que é o papel da blogosfera em geral na divulgação literária?
Estou há pouco tempo no meio para poder ter uma opinião madura e bem fundamentada, mas, pelo que já vi, acho que blogosfera é um aliado poderoso das editoras e autores. Trata-se de um trabalho muito meritório, feito a troco de nada ou pouco, por pessoas cuja primordial motivação é o gosto pela leitura, e que deviam ser enaltecidas. Hoje em dia, quando sentimos curiosidade em relação a algo, a primeira coisa que fazemos é ir procurar na internet. E lá estão os blogues com as novidades e as opiniões. Regra geral, têm uma linguagem acessível, directa, e o acesso é gratuito, o que faz com cheguem mais facilmente ao leitor. Além de começarem a substituírem a própria imprensa tradicional. Este conjunto de entrevistas promovidas pelo Bloco de Devaneios é um exemplo disso mesmo. Qual é o jornal ou revista que dedica o mês de Agosto à divulgação dos autores portugueses?

Tens recebido feedbacks dos teus leitores, sejam eles mais antigos ou novos na descoberta da tua escrita?
Todos os meus leitores são novos, já que este é o meu primeiro livro. Tenho uma página oficial na internet (www.nunonepomuceno.com), além de um perfil no Facebook. Não estava à espera, mas tenho recebido várias mensagens de pessoas que compraram o livro. Trocam impressões comigo e colocam questões em relação à continuação, há quem agradeça e destaque somente o que mais lhe agradou no livro, e até algumas pessoas que perguntam por próximas sessões de autógrafos pois gostariam de me conhecer. Têm sido todos de uma simpatia e apoio incondicionais, e que só posso agradecer. O Espião Português tem uma carga emocional bastante intensa e eu tentei escrevê-lo de forma a proporcionar uma leitura compulsiva e em crescendo, rumo a um final que visa essencialmente surpreender. Poder constatar isso mesmo através dos testemunhos reais dos leitores do livro é extraordinário e algo que me deixa bastante sensibilizado.

Tens planos literários futuros?
Sim. Apesar do final fechado, O Espião Português faz parte de uma série de três volumes. Encontro-me actualmente a trabalhar no segundo, estando inclusivamente num estádio algo avançado. Espero não demorar muito tempo a concluí-lo, já que, pelo que tenho percebido, está a ser criada alguma expectativa. De uma forma geral, irei preservar alguns elementos que são transversais à trilogia como o cosmopolitismo da história, o estilo intimista, ou a estrutura narrativa de constantes avanços, cortes e retrocessos. Contudo, estou a preparar algumas novidades. Trata-se de um livro que me está a dar um prazer imenso escrever e que espero vir a ser capaz de reflectir o meu próprio crescimento pessoal e literário. Assentará no trinómio dúvida-confiança-traição e, ao contrario do primeiro volume, terá múltiplos protagonistas e um espectro espacial mais alargado. O final de O Espião Português estabelece relações muito interessantes e complexas entre as diversas personagens e é isso mesmo que quero explorar. Será um livro mais tenso, complexo e romântico do que o primeiro. Estou mais velho desde a altura em que o comecei a escrever, menos ingénuo, amadureci, e espero ser capaz se mostrar essa mesma evolução.

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