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domingo, 5 de outubro de 2014
Autora: Jean Sasson
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 272
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892327983

Sinopse:
Nascida no Líbano, Yasmeena era jovem, bela e sofisticada. Tinha formação universitária, falava fluentemente inglês e trabalhava como assistente de bordo. Era também virgem e conservadora, como mandava a tradição familiar.
O seu mundo ruiu no dia em que o avião em que deveria sair do Kuwait ficou retido no aeroporto. Saddam Hussein acabara de invadir o país. A guerra começava.
No meio do caos, Yasmeena foi enclausurada numa prisão controlada por soldados iraquianos. A violação e a tortura faziam parte da rotina. A impunidade era total.
Após o brutal ataque de que foi alvo às mãos do chefe da prisão, Yasmeena fechou-se em si própria e na sua dor… até ao momento em que conheceu Lana, cujo destino estava à mercê de um sádico. Por temer pela vida da amiga, Yasmeena usou o seu frágil poder junto do chefe. Mas a sua coragem teve um preço. Para salvar Lana, Yasmeena foi forçada a fazer uma escolha...
Há muito que Jean Sasson queria revelar ao mundo a história de Yasmeena. Mas sabia que, por ser sexualmente explícita, seria difícil de publicar. Contudo, Yasmeena nunca abandonou os seus pensamentos. E, um dia, Jean Sasson simplesmente soube que era a altura certa para a partilhar e impedir que a verdade sobre o que passou entre as paredes daquela prisão caísse no esquecimento.
Chocante e comovente, este é um relato fundamental sobre um crime de guerra menosprezado: a violação. Um grito contra o silêncio a que as suas vítimas são condenadas para a vida.


Opinião:
Desta autora apenas conhecia "A Vida Secreta das Princesas Árabes". Um romance que me envolveu do início ao fim e, apesar do seu grande volume, nunca me desiludiu durante a narrativa. Era um livro que parecia quase como que fição, graças ao dom da escrita que Jean Sasson nos demonstra, mas havia um pequeno pormenor muito importante. Não era de todo fição. Era um livro baseado em factos verídicos. Um livro que fora escrito após muita pesquisa e entrevistas a pessoas de carne e osso que sofreram na pele o que era ser de uma cultura muito diferente da nossa. Uma cultura que ainda usava os antigos costumes e onde as mulheres eram simplesmente carne de troca. Após ter adorado esse romance e me ter surgido a possibilidade de ler algo mais da autora, não resisti. Tinha que ler. Tinha que saber quem era Yasmeena. E qual havia sido a sua escolha.

Yasmeena era muitíssimo afortunada. Numa cultura onde se queria um filho homem e onde as mulheres eram moeda de troca e por vezes muitíssimo desprezadas, Yasmeena era filha de um homem que adorava as suas filhas, apesar de estas serem mulheres, e que amava a sua esposa de alma e coração. Era de uma família que vivia bem, tendo uma boa estabilidade financeira, o que também permitia que tivessem forma de fazer as suas próprias escolhas, que por norma eram apoiadas por toda a família. Yasmeena era a mais velha e uma verdadeira beldade. Desde que nascera que era considerada lindíssima e embora soubesse que essa beleza a podia levar muito longe, acaba por ser no seu intelecto que descobre uma verdadeira preciosidade.

Quando cresce, Yasmeena decide que quer sair do Líbano e conhecer o resto do mundo. Consegue então, devido não só ao seu intelecto mas essencialmente devido à sua beleza, tornar-se uma hospedeira de bordo numa grande companhia aérea, viajando sem parar por diversos países que nunca pensara ver. Num desses países, Yasmeena e todos os seus companheiros são apanhados no meio de uma guerra. No meio de Kuwait, uma terra quase desconhecida para a protagonista, acaba por ser apanhada por soldados iraquianos, sendo escolhida para ser a nova diversão do capitão.

Mais uma vez a autora não me desiludiu. Embora seja uma narrativa muito mais curta do que o livro que tinha lido anteriormente escrito pela mesma, é uma narrativa também chocante e acaba por nos atingir o pensamento que neste preciso momento, em algum lugar do mundo, alguém está a sofrer o mesmo mal que Yasmeena sofreu durante longos meses. Temos o retrato de uma mulher que decide ir contra toda a cultura em que nascera apenas para sobreviver, dando o corpo e usando o seu intelecto para conseguir sair daquela horrorosa prisão. Além disso, ao fazer o que fez, Yasmeena conseguiu ajudar algumas das mulheres que lá se encontravam, através de alimentos e até mesmo medicamentos que conseguia do seu opressor.

O que também me atingiu imenso foi a grande diferente entre Yasmeena, uma mulher que já vira o mundo e que decide ir contra a cultura para sobreviver, e Lana, outra prisioneira que se mantém fiel aos ensinamentos de toda uma vida, preferindo a morte à profanação do seu corpo, algo sagrado nessa mesma cultura. Lana era aquela que dava pena a todas as mulheres daquela horrorosa prisão. Sendo a mais bonita de todas, Lana tivera o azar de ficar com o homem mais assustador e cruel entre todos os soldados. Um homem que tinha horário fixo para as violações, não se contentando pela simples violação. Batia-lhe, magoava-a, feria-a. Há inclusive uma parte no livro que refere como o seu captor tinha adquirido material médico utilizado por obstetras, ainda coberto de sangue seco, e o utilizara nela, apenas pelo prazer de a ouvir gritar.

Os homens que violavam estas mulheres eram homem que ainda viviam presos numa cultura em que as mulheres são objectos. Eles não consideravam os seus actos errados e profanos. Consideravam que sendo soldados longe das mulheres, e ao serviço do seu país, mereciam ter entretenimento, caso contrário não conseguiriam cumprir os seus propósitos, não considerando que estavam a fazer algo de errado. É uma realidade que temos noção que existe. Uma realidade que é abordada muito ao de leve nos meios de comunicação e que neste livro acaba por se revelar de forma chocante e directa.

É um livro que pode fazer impressão aos mais sensíveis, pois o propósito da autora é contar a história real de alguém, é abrir os olhos do mundo. E fá-lo de uma forma perfeita, conseguindo criar uma narrativa que nos agarra e nos deixa a pensar em como tal realidade ainda existe nos dias de hoje, não tão longe quando julgamos. Um livro que recomendo a todos. Homens, mulheres, seja qual for a religião ou crença. Leiam este e outros livros da autora e não se arrependerão.

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