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Anteriormente conhecida como v_crazy_girl, a 30 de Agosto de 2014 essa conta foi apagada, tendo assim decidido criar algo mais pessoal e próprio para o blogue literário de longa data.

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sábado, 8 de agosto de 2015
Autora: Sharon M. Draper
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 304
Editor: Booksmile
ISBN: 9789897070006

Sinopse:
Melody tem onze anos e uma memória fotográfica. O seu cérebro é como uma câmara de filmar que está sempre ligada. SEMPRE. Não existe forma de o parar. Ela é a rapariga mais inteligente da sua escola, mas ninguém imagina que isso possa sequer ser possível.
A maioria das pessoas, incluindo os seus professores e médicos, não acredita que Melody seja capaz de aprender, e os seus dias são passados a ouvir as mesmas canções da pré-escola, uma e outra vez. Se ao menos ela conseguisse falar, dizer às pessoas o que pensa e o que sabe. Mas não consegue. Não consegue falar. Não consegue andar. Não consegue escrever.
Estar presa dentro do seu corpo é cada vez mais difícil de suportar. Mas tudo está prestes a mudar com a descoberta de algo que a pode ajudar finalmente a comunicar com as suas próprias palavras. Só que nem todos à sua volta parecem estar prontos para a ouvir.
Um livro extraordinário e que nos faz ver o mundo com outros olhos.


Opinião:
Este foi um livro que me chamou a atenção pela capa, mas quando li a sinopse fiquei ainda mais curiosa. É um tema forte, mas pertencendo à coleção BookSmile sabia que iria ser tratado com calma e de uma forma diferente, não sendo tão forte como se fosse um tema retratado num livro unicamente para adultos.

Melody aparentava ser uma criança sem problema algum até ter cerca de um ano/dois anos. Nessa altura os pais começam a estranhar a filha parecer desligada de tudo, não conseguir caminhar nem mesmo gatinhar. A fala era outra habilidade que a filha parecia não possuir e os pais de Melody ficaram sem saber bem o que fazer. Depois de inúmeras consultas e muito apoio, descobrem que a filha tem um atraso mental, o que a impede de fazer todas as coisas que seriam normais numa criança, andar, comer sozinha, falar, escrever. Mas apesar disso os pais acreditam que a filha sabe o que se passa em seu redor. Que as suas reações, apesar de fortes, são a sua resposta às suas perguntas e ao que acontece no mundo.

Por outro lado, o que para os pais é uma desconfiança, para Melody é uma certeza. Tem a certeza que é inteligente. Sabe que tem uma memória fotográfica que poucos se podem gabar e recorda-se de coisas que não passariam pela cabeça de ninguém. Mas odeia ter tanto para dizer e discutir e não o conseguir fazer. Da sua boca apenas saem grunhidos e isso revolta-a. Mas quando tem a oportunidade de crescer intelectualmente e de se integrar, acaba por descobrir que não é só a sua dificuldade que a impede de chegar ao que quer...

É um livro muito bem escrito, com uma "voz" leve para um assunto tão forte e pesado. Desde o início que nos vimos perante uma criança muito inteligente mas que não se consegue expressar. Sendo o livro escrito do ponto de vista de Melody, temos um lugar privilegiado durante toda a narrativa e comportamentos que para os pais pareciam ser doidos, para nós faziam todo o sentido. Uma passagem que me marcou foi quando o peixe dourado de Melody andava feito louco a saltar no aquário. Por azar cai para fora do aquário e sem forma de comunicar, Melody começa a chorar e a gritar alto e desalmadamente... Quando chega a mãe, o aquário estava derrubado, do esforço de Melody para salvar o peixinho, mas a mãe pensa que num ataque de fúria Melody acabara por matar o peixe, ficando extremamente chateada com a filha... Foram episódios como este que me fizeram ter pena de Melody.

Mas ao longo do livro a pena foi substituída por admiração, à medida que Melody se tornava alguém mais independente graças à tecnologia. Quando Melody consegue demonstrar a sua inteligência. Foi um livro com um final muito real, onde se prova que por vezes o problema são os outros e não nós próprios. Um final meio triste mas que por outro lado mostra como Melody é forte e superior a muitas pessoas. Aconselho! Eu gostei muito.

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