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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A Cada Dia

Autor: David Levithan
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 288
Editor: TopSeller
ISBN: 9789898800107

Sinopse:
A cada dia, A acorda no corpo de uma pessoa diferente. Nunca sabe quem será nem onde estará. A já se conformou com a sua sorte e criou regras para a sua vida:
Nunca se apegar muito. Evitar ser notado. Não interferir.
Tudo corre bem até que A acorda no corpo de Justin e conhece Rhiannon, a namorada de Justin. A partir desse momento, as regras de vida de A não mais se aplicam. Porque, finalmente, A encontrou alguém com quem quer estar a cada dia, todos os dias.


Opinião:
Este foi um daqueles livros cuja sinopse não me chamou muito a atenção. Havia algo de muito estranho nela, embora a capa fosse diferente e me tenha dado alguma curiosidade. O que me fez tomar uma decisão de vez foram algumas opiniões que eu li na internet, opiniões muitíssimo positivas.

"A" não sabe onde nem como nascera. Não sabia quem eram os seus pais nem porque era diferente de todas as outras pessoas. "A" é o seu nome, o nome que dera a si mesmo. Acontece que "A" acorda todos os dias num corpo diferente. Pessoas diferentes de diferentes sexos, diferentes etnias, diferentes crenças. Através destas pessoas "A" aprendera como sobreviver sozinho e como viver em redor de pessoas que apenas conheceria durante um dia. Decidira nunca criar ligações com essas pessoas, pois no dia seguinte poderia acordar a centenas de distância dos novos amigos.

Todas essas decisões são postas em prova quando conhece Rhiannon. Rhiannon namora com Justin, o corpo em que "A" acordara naquele dia. Justin não é propriamente o melhor namorado, estando com Rhiannon mais por facilidade do que por gostar dela. Os pais dele gostam dela, os amigos dele gostam dela, ela gosta dele... Uma namorada que não exige muito e que todos no círculo de amizade e familiar de Justin gostam. Mas "A" começa a sentir algo por Rhiannon que não consegue ultrapassar. Adora vê-la sorrir, ver os seus olhos sonhadores e sorridentes quando fala da sua infância ou outras memórias felizes e também quando "A" (no corpo de  Justin) lhe diz o quanto gosta dela. Mas cada dia é um corpo novo, e no dia seguinte "A" vê-se longe de Rhiannon, mas decidido a fazer de tudo para a reencontrar.

Este livro surpreendeu-me, admito. É um livro que, se por um lado acaba por ser extremamente previsível, por outro tem uma surpresa em cada página. Gostei imenso de conhecer "A" e os seus pensamentos. Sendo uma pessoa que nunca se ligara muito àqueles em seu redor, o reconhecimento dos seus sentimentos por Rhiannon acaba por ser uma longa viagem de autodescoberta. Uma viagem cheia de contratempos e decisões, em que ficamos a conhecer melhor "A" e aquilo que ele faria simplesmente para estar com aquela pessoa que ama acima de tudo.

Neste livro vemos apenas aprofundada a personagem de "A". Rhiannon aparece pouco e quando aparece não é nada aprofundada. É uma personagem que embora pareça querida e preocupada com aqueles em seu redor, acaba por ser um pouco sem sal e não é ela que prende o leitor ao livro. A escrita do autor é divertida, leve e muitíssimo fluída. Dessa forma permite uma leitura rápida e que nos prende do início ao fim. Queremos saber como é que a relação entre "A" e Rhiannon irá avançar, sendo que estes nunca conseguem estar juntos. Queremos saber se algum milagre irá acontecer para estas duas personagens ficarem juntas.

O que não queremos? O final que este livro teve. Um final que me deixou deveras deprimida e de que não estava nada à espera. Pelo que vi o segundo livro será lançado em agosto deste ano, espero bem que seja continuação da história e não a mesma história do ponto de vista de Rhiannon, que foi o que me pareceu. É que o final deste livro foi mesmo muito mau e espero que o autor se redima.

No total gostei imenso do livro, adorei conhecer "A" e ler a sua descoberta do que é o amor. O que menos gostei foi o final, mas claro que este não estraga todo o livro. Aconselho, vão ver que irão adorar este livro, tal como eu adorei!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Will e Will

Autores: John Green e David Levithan
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 308
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892328553

Sinopse:
Evanston não fica muito longe de Naperville nos subúrbios de Chicago, mas os jovens Will Grayson e Will Grayson bem que podiam viver em planetas diferentes. Quando o destino os leva à mesma encruzilhada, os Will Graysons veem as suas vidas a sobreporem-se e a seguirem novas e inesperadas direções. Com um empurrão de amigos novos e velhos - incluindo o enorme e enormemente fabuloso Tiny Cooper, jogador ofensivo na equipa de futebol americano da escola e autor de musicais - Will e Will embarcam nas suas respetivas aventuras românticas e na produção épica do musical mais extraordinário da história.


Opinião:
Juro que continuo sem compreender o efeito que John Green tem sobre mim. Embora não seja uma fã louca como muitas pessoas que já conheci e, embora os seus livros não me deixem uma impressão de serem os melhores do mundo, há sempre alguma coisa que me puxa para os seus novos livros. Acho que poderá ser a curiosidade em saber que problema de adolescentes o autor decidira explorar dessa vez e como o fizera, pois acho que é esse o seu talento. Agarrar num tema que todos nós pensamos já ter travado conhecimento de todas as formas possíveis e arranjar uma nova forma, mais imaginativa que todas as outras.

Will Grayson é um rapaz supostamente normal. Tem amigos que adora, uma família perfeita e uma vida que, mesmo arranjando um ou outro problema, continua a ser perfeita de todos os ângulos. É o melhor amigo do rapaz mais homossexual da escola e tem um fraquinho pela rapariga com quem brincara durante toda a sua infância. Já o outro Will Grayson, que vive literalmente no outro estado, é um rapaz calado e solitário que vive longe de tudo e todos, algo que poderá estar relacionado com o estar na "fase do armário", tanto pela fase da adolescência como por se ter apercebido que é homossexual e não saber como lidar com isso. Tendo apenas uma única amiga real, de quem se quer afastar a todo o custo, tem outro amigo virtual. Um rapaz por quem tem uma paixoneta e com quem se quer encontrar, para saber quem este é na realidade.

Este é um livro que acaba, pelo menos na minha opinião, por não ser sobre nenhum dos Will's. Eles são as rodas dentadas de toda a ação, são eles que guiam toda a narrativa e que nos guiam para a verdadeira história. Admito que inicialmente me parecia que a ação não se desenvolvia de forma alguma. Will para aqui, Will para ali, vida horrorosa de ambos os lados, embora fosse bem visível qual o Will com a pior vida. Problemas amorosos de ambos os lados, problemas esses que pareciam não ter fim.

A verdadeira história começou quando o Will que tinha um amigo virtual finalmente arranjara um encontro com esse amigo. Amigo esse que acabara por se demonstrar totalmente diferente do que ele esperava encontrar. É aí então que os dois Will's se conhecem, acabando as suas relações por colidirem de forma muito especial. Acabam ambos por compreender que embora fossem pessoas totalmente diferentes, tinham os mesmos problemas. Escondiam do mundo o seu verdadeiro eu e todos os seus problemas e é graças aos seus amigos que acabam por compreender que essa não é a melhor forma de viver. Esta acaba por ser uma história não sobre os Will's, mas sim sobre os seus amigos, essencialmente o amigo homossexual do primeiro Will.

Um livro que me admirou e até me surpreendeu. Acho que John Green é muito melhor autor quando escreve com outras pessoas. Continua a ter o seu toque em toda a história mas não é um toque tão exagerado como costuma ser. Recomendo.