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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Deixa Dormir o Diabo

Autor: John Verdon
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 480
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04373-3

Sinopse:
David Gurney, um ex-detetive da Polícia de Nova Iorque, aceita encontrar-se com uma jovem que está a realizar um documentário sobre o Bom Pastor. Uma década atrás, uma série de assassinatos fizeram deste serial killer notícia de primeira página. Mas os crimes pararam, sem que ninguém tenha percebido porquê.
Para o FBI este era um caso arquivado, até Gurney descobrir elementos que a investigação inicial tinha desprezado e arriscar a própria vida para encontrar o Bom Pastor, transformando-se no próximo alvo do assassino.
Dave Gurney sabe que está perante um homem perigoso e inteligente… um diabo que despertou.


Opinião:
Deste autor já tinha lido um livro, "Pensa Num Número" e adorei o que li. Adorei como o autor conseguira criar algo tão aleatório e ao mesmo tempo tão certeiro no caso do livro anterior, e a referência a sequências de número e afins ainda me captara mais a atenção. Dessa forma quando me surgiu a hipótese de ler outro livro do autor não resisti, embora deva dizer que o que me chamou mais a atenção neste livro não foi a sinopse, mas sim a capa e o título. A capa promete um policial negro e muito suspense e embora o policial não tenha sido tão negro quanto a capa prometia, a verdade é que adorei o que li, de uma ponta à outra, tendo apenas pena de ter saltado um livro na saga do polícia David Gurney, algo que notei pelos pormenores que relatavam o último incidente que este tinha tido, que de certeza aconteceu no volume anterior.

David Gurney começa a desconfiar estar a ficar louco. Sente-se constantemente irritado, o zumbido que agora faz parte do seu dia a dia devido ao ferimento de bala que sofrera na cabeça não o deixa ter um único momento de sossego e sente-se a ficar cada vez menos atlético e preparado para se se encontrar de novo em algum sarilho. Quando pensa que finalmente terá algum tempo para recuperar, recebe um telefonema de uma jornalista que há uns anos tinha escrito uma peça sobre si, o "superpolícia". Essa jornalista quer pedir-lhe um pequeno favor. Que Gurney ajude a sua filha com o seu novo documentário. Esse documentário é sobre o décimo aniversário dos homicídios do Bom Pastor. Um assassino que matara seis vítimas e do nada parara e desaparecera, sendo um caso que nunca fora resolvido. A filha da jornalista, Madeleine, ia fazer um documentário sobre as famílias das vítimas e de como estas se sentiam após os dez anos que haviam decorrido desde o assassinado.

Mas alguma coisa não está certa. Estranhas ameaças de uma voz sem nome ameaçam Madeleine constantemente, deixando mensagens com sangue e facas em sítios estratégicos. Mas quando a ameaça passa para Gurney, este compreende que o documentário acordara o diabo e que tudo poderá voltar a acontecer como há dez anos atrás...

Muito sinceramente gostei mais do livro "Pensa Num Número" do que este, muito provavelmente devido à importância do valor dos número por trás de toda a história. Este é um romance que apesar de ter a parte policial do caso do Bom Pastor, centra-se muito em Gurney e na mudança operada neste desde, o que eu presumo, o livro anterior. Tendo eu apenas lido o primeiro livro, essa diferença foi muitíssimo notável. Está uma personagem mais avarenta, mais irritadiça com tudo em seu redor... Ao mesmo tempo temos uma personagem mais sentimentalista, especialmente no que toca à sua relação com o seu filho, sendo que finalmente percebe o que perdera durante todos os anos em que apenas se centrara com a carreira.

Neste livro estamos perante um assassino que é um verdadeiro psicopata. Frio e calculista, mas ao mesmo tempo picuinhas com os pormenores e a perfeição. Um assassino de quem se desconfia a meio do livro, mas que nunca temos provas suficientes para apontar para ele e dizer "este é o assassino!". Devo dizer que gostei do motivo, por demais racional, do assassino para cometer os crimes. Um motivo que por um lado soube a pouco, mas por outro era a explicação perfeita.

Um bom policial, com personagens que já conhecemos de outros livros pertencentes à saga e que nos fazem querer ler mais e mais sobre David Gurney e as suas aventuras.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Pensa num Número

Autor: John Verdon
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 448
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04333-7

Sinopse:
Pelo correio chega uma série de cartas perturbadoras que terminam com uma declaração inquietante: «Pensa num número qualquer até mil, o primeiro que te vier à cabeça... Repara agora como eu conheço bem os teus segredos.» Estranhamente, aqueles que obedecem constatam que o remetente de tais cartas previu com precisão a sua escolha. Para Dave Gurney, um inspetor de homicídios recém-reformado da Polícia de Nova Iorque e amigo de um dos alvos das missivas, o que primeiro lhe pareceu um caso estranho depressa se transforma num complicado quebra-cabeças que levará a uma investigação em grande escala na busca de um pérfido assassino em série.
Convidado como consultor pelo gabinete do procurador, em pouco tempo Gurney consegue alguns avanços na descoberta de pistas que a polícia local negligenciara. Ainda assim, diante de um adversário que parece ter o dom da clarividência e antecipar-se a todos os passos, vê os seus melhores esforços dissiparem-se como areia por entre os dedos. Terá encontrado, ao fim de vinte e cinco anos de carreira exemplar, um adversário capaz de o vencer?


Opinião:
Adorei este livro! Ando cada vez a descobrir mais o meu gosto por policiais e devo dizer que embora ainda seja uma "novata" nesse campo, ando a descobrir muitos bons autores que escrevem esse género de histórias muitíssimo bem! E este autor é um deles.

Dave Gurney está finalmente reformado. Uma reforma que não é propriamente o que esperava, pois é um homem que adora a emoção de uma boa aventura. Para a sua esposa é precisamente o que esperava, uma vida sabendo que o marido não está em perigo e está à espera dela. Mas tudo muda quando um velho amigo de Dave, que já não o contacta há mais de 20 anos lhe pede ajuda, pois Dave é o único polícia (mesmo reformado) que conhece.

Acontece que do nada, o colega de Dave - de seu nome Mark Mellery -, recebe uma estranha carta a dizer pensa num número. E na carta seguinte vem precisamente o número em que ele havia pensado! Mas o mais estranho é que por mais que Mark tente pensar se tal número lhe diz algo, a verdade é que ele afirma que o número não tem para ele significado algum. Mas as coisas pioram quando as ameaças nas cartas vão piorando até que repentinamente Mark é encontrado morto!

Sendo amigo da vítima, Dave acaba por voltar aos seus loucos horários dos dias de esquadra, o que para a sua esposa não era nada um bom sinal. Mas Dave adora o que faz e cada vez que se entranha mais no caso cada vez mais as coisas deixam de fazer sentido! Como é que o assassino consegue adivinhar os números? Números que aparentemente nada significam para as vítimas? E o que é que as vítimas têm de igual entre si?

Adorei! Durante todo o livro estamos sempre a seguir determinadas pistas, determinados factores que nos fazem ficar baralhados, sem saber o que pensar, sem saber o que dizer sobre o que está a acontecer em todo o livro. Mas por mais que pensemos nunca conseguimos juntar as pistas de forma a fazerem sentido e a apontarem para uma só direcção. O que faz com que a conclusão seja ainda mais espectacular!

A escrita do autor é directa e crua e através desta, o autor dá-nos a conhecer um ex-polícia que adora de tal forma o seu trabalho que se esquece de tudo o resto à sua volta. Família, amigos e ele própria. Tudo colocado para segundo lugar para perseguir um assassino. Dave é um polícia solitário que fica de tal forma preso no trabalho que se esquece do resto do mundo.

Adorei este livro e tenho mesmo que ler o próximo volume, especialmente com aquele final que embora bom não deixa de ser horroroso.