Mostrar mensagens com a etiqueta Bertrand Editora. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bertrand Editora. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 9 de abril de 2019

Prémio Livro do Ano Bertrand - Os 30 finalistas


Os 149 títulos apresentados a votação, distribuídos por quatro categorias – Melhor livro de ficção lusófona; Melhor livro de ficção de autores estrangeiros, Melhor reedição de obras essenciais e Melhor livro de poesia –, resultaram de um trabalho de pré seleção que procurou distinguir os livros, em prosa e poesia, que marcaram o último ano editorial, e contou com o valioso contributo dos jornalistas Inês Fonseca Santos e Sérgio Almeida.


Votem em

domingo, 19 de junho de 2016

A História de Uma Serva

Autora: Margaret Atwood
Editor: Bertrand Editora
Edição ou reimpressão: 2013
Páginas: 320
ISBN: 9789722525770

Sinopse:
Uma visão marcante da nossa sociedade radicalmente transformada por uma revolução teocrática. A História de Uma Serva tornou-se um dos livros mais influentes e mais lidos do nosso tempo. 
Extremistas religiosos de direita derrubaram o governo norte-americano e queimaram a Constituição. A América é agora Gileade, um estado policial e fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, são obrigadas a conceber filhos para a elite estéril.
Defred é uma Serva na República de Gileade e acaba de ser transferida para a casa do enigmático Comandante e da sua ciumenta mulher. Pode ir uma vez por dia aos mercados, cujas tabuletas agora são imagens, porque as mulheres estão proibidas de ler. Tem de rezar para que o Comandante a engravide, já que, numa época de grande decréscimo do número de nascimentos, o valor de Defred reside na sua fertilidade, e o fracasso significa o exílio nas Colónias, perigosamente poluídas. Defred lembra-se de um tempo em que vivia com o marido e a filha e tinha um emprego, antes de perder tudo, incluindo o nome. Essas memórias misturam-se agora com ideias perigosas de rebelião e amor.


Opinião:
Este livro veio até mim pelo BookCrossing e admito que inicialmente não dava nada por ele. Tinha curiosidade em lê-lo pela autora, que é extremamente popular e que eu ainda não conhecia e pelas excelentes críticas que li na página desde livro no site do bookcrossing. E tenho que dizer... este livro dá um sentido totalmente diferente à palavra distópia.

Gileade é a antiga América. Há diversos anos atrás uma revolta levara a que o governo do país caísse e agora quem governava era um governo extremista que acreditava que a reprodução era extremamente importante mas apenas para continuar a existência humana e não por uma questão de diversão e sentimentos. Algo que com o passar dos anos se tornou um assunto muito sensível de se abordar, pois inúmeras pessoas começam a nascer estéreis e por mais estranho que parece, apenas as pessoas de classes sociais inferiores são, por vezes, imunes a esse problema.

Defred é uma dessas pessoas. Trabalha, se é que se pode chamar assim, há diversos anos como uma das poucas mulheres férteis que existem em Gileade. Essa característica dá-lhe um certo estatuto que a protege, mas também que a faz tornar-se um ser solitário. Todos a olham de lado, por vezes com nojo devido à sua "tarefa", mas nada lhe podem fazer, pois Defred é extremamente importante devido à sua fertilidade.

O trabalho de Defred é longe de ser prazeroso. Serve como um instrumento para procriação, sendo que quando o seu chefe e dono decide que quer ter a relação de procriação, Defred fica entre o marido e a mulher, sendo que se ficar grávida, esta dádiva apesar de ser dada por Defred, é considerada da esposa da família, sendo a criança dai originada filha do casal e não de Defred, pelas novas leis da comunidade. Defred sabe a sorte que tem por ainda ser fértil mas não consegue deixar de pensar no seu belo passado e em como tinha uma família que adorava mais que tudo. Um marido, uma criança e uma vida ainda no início, prestes a começar... Memórias que se tornam cada vez mais como que uma ilusão.

Não sei bem o que dizer deste livro. Foi um livro que me chocou, mas ao mesmo tempo fascinou. Como já referi, nunca tinha lido nada da autora e como tal não conhecia o género que escrevia nem sabia como era a sua escrita. A leitura deste livro começou por acaso, num acesso de curiosidade da minha parte e que agora acho que foi um bom "acesso de curiosidade", pois gostei imenso do que li e foi sem dúvida uma surpresa agradável (apesar de relatar uma realidade assustadora).

Uma realidade em que em vez de avançarmos, retrocedemos como seres humanos. As classes sociais são mais pronunciadas que nunca, existem pessoas que não são mais do que objetos e procriar é a palavra de ordem. É um livro que demonstra uma realidade assustadora, tudo em prole de religiosos extremistas que conseguiram tomar conta do país. Começamos a ver como as pessoas, que inicialmente lutavam contra tal ordem, começam a "habituar-se" àquele ambiente, sendo como se nunca tivessem conhecido outro, começando a desistir dos esforços para lutar contra aquelas regras...

Um livro que dá um retrato assustador de um futuro que quem sabe poderá acontecer. Descrito do ponto de vista de Defred, vemos como uma mulher livre se acostumara à ideia de estar presa a algo, não se lembrando sequer como era a sua vida antes. Um retrato triste que prende o leitor do início ao fim, pois queremos saber se algo irá mudar na sua vida e o que será esse algo...

Recomendo!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Novidades Bertrand


quarta-feira, 1 de julho de 2015

Estarás aí?

Autor: Guillaume Musso
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 264
Editor: Bertrand Editora
ISBN: 9789722521406

Sinopse:
São Francisco. Elliott, médico apaixonado, nunca se recompôs do desaparecimento de Ilena, a mulher que ele amava, morta há 30 anos. Um dia, uma situação extraordinária permite-lhe recuar no tempo e encontrar o jovem que ele era, há 30 anos atrás. Elliott regressa ao instante decisivo em que um gesto seu pode salvar Ilena e modificar o destino implacável que determinara a sua vida desde então.


Opinião:
Guillaume Musso é um autor muito conhecido internacionalmente. É um autor conhecido por escrever livros pequenos e cuja história até pode não parecer nada de mais, mas que acaba através da escrita e do grande dom que tem para a palavra, por conseguir prender o leitor do início ao fim, atingindo-o em cheio no coração. Como nunca tinha lido nada do autor, tinha imenso curiosidade para conhecer este fenómeno e para saber o que especial tinha o autor, por isso quando recebi o livro em casa, não resisti a começar a lê-lo.

Elliott é um famoso médico. Já na casa dos sessenta e muitos, Elliott tem arrependimentos na vida que sabe que nunca poderá compensar. Apesar de todos os erros que fizera, tem uma boa vida e encontra-se feliz consigo mesmo, adorando a bela filha com quem tem um laço muito forte. Descobrindo que está prestes a falecer, tendo um cancro terminal inoperável, Elliott faz uma longa viagem onde um estranho homem lhe dá uma caixa de estranhos comprimidos. Não sabendo bem o uso exato dos comprimidos, Elliott decide experimentar só porque sim, antes de se ir deitar. Ao acordar entra-se no mesmo mundo, mas num tempo totalmente diferente. Uma altura em que ainda estava com o seu amor de infância e tinham uma vida diferente, sendo pessoas muito unidas em tudo menos num assunto particular... a decisão de ter filhos.

Ao aperceber-se do que se passa, Elliott decide falar com o seu eu mais novo e tentar convencê-lo a salvar a namorada que se encontra morta no futuro, com uma regra. Após o fazer teria que se separar dela, pois a filha de Elliott só existia devido a um caso de uma noite, algo que não aconteceria se nunca terminasse a sua anterior relação. Mas o destino tem uma forma engraçada de regressar ao seu rumo inicial, por mais que isso custe aos seus interferentes...

Admito, fiquei surpreendida com este livro. Nunca tinha lido nada deste autor e por essa razão não sabia bem o que esperar. Este livro chegou-me por empréstimo do bookcrossing, um livro pequenino e de relativamente poucas páginas que me chamou a atenção por ser um livro tão falado e por ter lido críticas relativamente boas. E após ler este livro compreendi o porquê. O autor tem uma escrita muito acessível e cheia de sentimento. É fácil sentir tudo o que as personagens sentem, saber tudo pelo que estão a pensar. Queremos apoiá-las, mostrar a nossa solidariedade. Queremos dar dicas quando temos informações "extra" que as personagens desconhecem...

Este é um livro que fala da vida. Vida e das opções que se fazem que acabam por criar a vida em que vivemos. São as opções que fazem a vida ser o que é, e isso é algo que Elliott aprende, tanto no passado como no presente. Vê as suas opções no passado a mudarem-lhe o seu presente de uma forma rápida e chocante e compreende que tem que viver com as suas escolhas, sendo impossível mudar o passado.

Foi um livro que gostei de ler. Lê-se rapidamente e tem uma escrita e história que prende o leitor do início ao fim. Recomendo!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Linda - Como no Homicídio Linda (Bäckström #1)

Autor: Leif G. W. Persson
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 512
Editor: Bertrand Editora
ISBN: 9789722529433

Sinopse:
Evert Bäckström, um inspetor «atarracado e primitivo» faz a sua estreia no primeiro livro da trilogia com o seu nome.
Durante um verão invulgarmente quente na Suécia, em que a grande notícia são mesmo as temperaturas, uma jovem é assassinada. Os principais efetivos da polícia de Estocolmo estão de férias e o caso é entregue a Evert Bäckström, um homem que dá mais trabalho do que cem delinquentes, se não mais.
Enquanto o homicídio de Linda ocupa as primeiras páginas dos jornais sensacionalistas e dos noticiários televisivos, Bäckström lidera uma investigação que quase lhe escapa das mãos, não fosse o esforço extraordinário da sua equipa.
Uma magnífica intriga policial, onde brilha sobretudo a sátira através do seu protagonista, o anti-herói e politicamente incorreto Evert Bäckström.


Opinião:
Este foi um livro que comecei a ler por causa da capa. Admito. Não sei, há algo que me prende mal olho para ela! Acho que qualquer leitor, mesmo que não seja propriamente um viciado do género, não resiste ao olhar para esta capa. Então eu, que sou extremamente influenciada pela capa, não resisti e descobri um género literário muito diferente do que esperava.

Evert Bäckström é um inspetor à antiga! Um senhor inspetor que sabe que é bom no que faz, que sente arrepios quando sabe que o seu sexto sentido o está a levar para a direção certa e que sabe que é melhor do que todos aqueles com quem trabalha. Eles apresentam uma ideia e ele sabe que já a tinha em mente, nem que fosse muito bem escondida. Por vezes simplesmente não se quer chatear e concorda com todos apenas para o deixarem sossegado. Os seus melhores amigos são a bebida e a pornografia, sendo a melhor forma de terminar o dia após fazer um "bom trabalho".

Num dia como qualquer outro contactam-no devido a um assassinado. Um assassinado que era extremamente importante ser resolvido, não fosse a falecida uma agente da polícia em formação. Uma mulher lindíssima e extremamente sensual, que aparece morta em casa da mãe. De imediato os polícias conseguem perceber que havia sido morta após ter vindo de uma grande festa e que, quem quer que a tivesse morto, já a tinha conhecido. Mas a vítima tinha-se cruzado com centenas de pessoas nessa noite, por isso que melhor forma de descobrir o assassino do que comparar a amostra de ADN que se havia descoberto na cena do crime com o ADN de todas as pessoas que se haviam cruzado com a vítima?

Este foi um dos policias mais irónicos, se não mesmo o mais irónico, que li em toda a minha vida. A personagem principal é simplesmente hilariante e imagino imensas pessoas serem assim e reagirem tal como esta. Os seus pensamentos de "não quero que me chateiem", "vou acenar só para pensarem que concordo", "vou dizer que sim mas interiormente acho que não, mas se o dizer ainda me dão mais trabalho". Adorei e acredito que muitas pessoas pensem assim e não me refiro apenas a inspetores. Todo o livro se encontra escrito nesse tom irónico, apesar de termos pessoas sérias e sinceras, os que acabam por ficar sempre com o trabalho todo e fazem as descobertas, apesar de os créditos serem todos dados aos outros que acabam por não fazer nada.

Foi um livro que começou lentamente e foi um início difícil por ser tão lento, mas quando as coisas começam a aquecer e nos começamos a habituar à escrita do leitor, lemos sem parar. Um livro que me surpreendeu porque eu não tinha lido a sinopse e não sabia que era algo mais irónico, mas que após passar a parte mais lenta da história acabei por ler sem parar.

Recomendo, apesar de avisar desde já que o início será um pouco mais lento.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O Demónio na Cidade Branca

Autor: Erik Larson
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 488
Editor: Bertrand Editora
ISBN: 9789722526319

Sinopse:
Chicago. 1893. Um homem construiu um paraíso na terra. Outro construiu um inferno ao lado. Em O Demónio na Cidade Branca, Erik Larson, autor do best-seller No Jardim dos Monstros, cruza a história da Feira Mundial de 1893 com o percurso de H. H. Holmes, um serial killer astuto que, através da feira, atraiu dezenas de pessoas para a morte. Um livro que combina uma pesquisa meticulosa da recém-descoberta História e as emoções da melhor ficção, dignas de um thriller.


Opinião:
Estava curiosa com este autor. Algo na capa do livro me captou a atenção e então quando comecei a ler a sinopse, quase que posso afirmar que os meus olhos brilharam. Adoro romances que tenham uma mistura entre policial e thriller psicológico e esta sinopse apontava para algo dentro do género. Algo que acabou por se provar não ser de forma alguma o que esperava.

Holmes não foi o seu primeiro nome. Tendo desde muito cedo percebido a sua verdadeira natureza e qual o seu fascínio pelo corpo humano, Holmes usara a sua inteligência para conseguir arranjar a posição perfeita para cumprir o seu sonho. Queria ser um homem conhecido, rico, trabalhando no que gostava. Enquanto fazia isso, outro dos seus passatempos favoritos era analisar as pessoas, levá-las ao seu limite e compreendê-las como ninguém, analisando-as como se fossem simples amostras sem sentimentos. Afinal de contas Holmes era um psicopata, um dos primeiros psicopatas da história. Um homem sem sentimentos, que apenas tinha interesse nas pessoas para se divertir e tentar compreender até onde iam os seus limites. A vida de Holmes muda para melhor quando descobre a abertura de um grande parque de diversões, a famosa malfadada Feira Mundial de 1893.

Daniel H. Burnham é o grande arquiteto por trás do projeto da feira mundial. Um verdadeiro artista, que vê na feira o grande sonho de uma vida. Um sonho que lhe trás demasiados dissabores. Morte. Acidentes trágicos. Dinheiro desaparecido. A verdade é que a vida de Daniel muda para bem pior quando decide entrar no projeto que era suposto torná-lo num dos maiores arquitetos de sempre. Aliás, torna Daniel conhecido, mas sim por ser arquiteto de uma feira que acabara por se descobrir esconder um verdadeiro circo de horrores.

A verdade? Estava à espera de algo totalmente diferente. Estava à espera de um romance negro e cruel sobre um homem que se escondera por trás de uma máscara de simpatia, utilizando a beleza da feira para os seus propósitos. Não descobri nada disso. Este é um relato pesado, quase que como um livro histórico, que fala mais sobre construção da feira do que propriamente de Holmes. A história de Daniel é a principal, como lhe surgiam ideias, a opressão dos trabalhadores sob o seu comando, o stress que sentia devido ao atraso das obras da feira. Já Holmes era a história secundária. Um homem que se via como que um deus, alguém que se considerava no direito de fazer o que quisesse dos outros pela sua sobrevivência. Holmes matava com um propósito, dinheiro. O seu objetivo era matar pessoas praticamente anónimas e utilizar os seus corpos para "a ciência". Ciência essa que na altura pagava extremamente bem para modelos do corpo humano, embora como é claro não sabia que estavam a comprar pessoas assassinadas, pensando que se tratava de corpos doados de livre e espontânea vontade.

A voz do autor ao longo de todo o livro é muito histórica. Ano tal aconteceu isto. A parte tal da tenda tal estava errada. Eram factos históricos que eram narrados. Há que dar os parabéns ao autor pelo seu trabalho de pesquisa. Conseguiu dar a reconhecer toda a história por trás da Feira Mundial, sendo que mais de metade da narrativa provem de diários. Diários de Daniel, de Holmes, de confissões de trabalhadores da feira, entre outras pessoas. Um trabalho de pesquisa muitíssimo profundo, mas não me prendeu, apesar da escrita excelente do autor. Antes pelo contrário, numa altura em que leituras obrigatórias, devido ao estudo, são muitas, este livro era mais uma obrigação do que um prazer.

Óptimo para quem tem curiosidade em saber mais sobre a Feira Mundial e tudo o que aconteceu para ela ser erguida, mas desenganem-se se pensam que está escrito como romance, pois garanto-vos que não está.