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domingo, 9 de setembro de 2018

Uma Mulher Respeitável

Autora: Célia Correia Loureiro
ISBN: 9789897542473
Edição ou reimpressão: 10-2016
Editor: Marcador
Páginas: 330

Sinopse:
Pouco depois de se casar, a sorte do conde de Cerveira sofre um revés. Uma série de infortúnios deixam-no à beira da ruína financeira e não demora muito para que comece a desconfiar dos intentos da estranha de beleza intrigante que desposou. Perante a dúvida, decide enviar Leonor Sanches para um exílio temporário junto do tio, que ensina na prestigiada Trinity College, em Dublim. Conforme a epidemia de cólera vai ceifando as vidas de cristãos e anglicanos na Irlanda, também o coração de Leonor Sanches se oferece à tragédia. Cinquenta anos depois de perder o seu bem mais precioso para as tropas de Napoleão, Mariana Turner sente que está a um passo de descobrir toda a verdade sobre os acontecimentos de Março de 1809. Novas revelações apontam para que a condessa de Cerveira, encarcerada no Porto, seja a chave para resolver o mistério. Munida de uma determinação inabalável, tudo fará para conseguir deslindar o passado de Leonor Sanches -fidalga e anjo caído.


Opinião:
Eu gosto muito da escrita desta autora portuguesa. Já li vários livros da Célia, tendo-me encantado com o livro "Demência", que guardo na minha estante com muito amor e carinho. Desde então sempre que consigo tento ler os seus livros, mesmo que, como foi o caso deste, tenha demorado algum tempo a lê-lo, pois precisei de estar com o "espírito" certo para este tipo de leitura.

Leonor Sanches encontra-se encarcerada em prisão perpétua até ao fim dos seus dias. O seu passado é cheio de segredos e intrigas, muitas das quais ninguém conhece ou simplesmente não quer enumerar. Decidida a trazer luz a estes segredos tão obscuros, Mariana Turner faz de tudo para saber se Leonor é quem ela pensa ser e quer a todo o custo saber o seu passado e como chegou ali.

Não vou contar mais sobre este livro, pois ele teve imensas reviravoltas e foi uma narrativa construída de forma lenta e cuidada, atado as pontas soltas com grande mestria. E basta contar-vos uma dessas pontas e "destruía" parte do segredo desta narrativa.

Este livro foi como um puzzle e apenas no final todas as peças se juntam. Saltando de ano em ano, quer para a frente quer para trás, e conhecendo a narrativa a partir do olhar de diversas personagens, tive que ter imensa atenção enquanto lia este livro, pois todos os pormenores eram importante e todas as informações que nos eram dadas iam juntar algo de novo à história e à vida das nossas personagens.

Acho engraçado como todos os livros da Célia têm um estilo ao mesmo tempo muito próprio mas também com algo muito diferente entre si. Uma coisa que os une é o facto de existir sempre tragédia nas suas história, muito à moda do fado português, uma comparação que me surge ao ler os seus livros. Há sempre tragédia a unir as personagens dos livros e por norma as suas histórias andam em redor disso. Por outro lado há livros que se notam mais pessoais (como foi o caso do "Demência" que eu adorei) e aí nota-se uma diferença na maneira de contar a história. Algo que eu acho muito engraçado e bom da autora, como se ela passasse para o papel o seu estado de espírito "literário" do momento.

Apesar de este livro ser o segundo da trilogia a que pertence "A Filha do Barão" (onde se conta a história de Mariana, que aqui nos aparece como uma mulher muito mais velha), pode ser lido de forma autónoma, pois aqui centra-se muito mais em Leonor e toda a história desta fidalga caída em desgraça.

Um livro de uma autora portuguesa que consegue sempre supreender-me. Tenho adorado todos os seus livros e sem dúvida que irei ler o próximo que publicar! Quem não conhece a sua escrita tem que experimentar, sem dúvida que não se irá arrepender!

domingo, 13 de maio de 2018

No País da Nuvem Branca

Autora: Sarah Lark
ISBN: 9789897540134
Edição ou reimpressão: 04-2014
Editor: Marcador
Páginas: 684

Sinopse:
Londres, 1852. Duas raparigas empreendem uma viagem de barco rumo à Nova Zelândia e tornam-se amigas. Trata-se, para ambas, do início de uma nova vida como futuras esposas de dois homens que conhecem apenas por correspondência. É o começo de uma nova vida com homens que não conhecem. Gwyneira, de origem nobre, está prometida ao filho de um magnata da criação de ovelhas, enquanto Helen, uma jovem perceptora, parte para se casar com um fazendeiro. Procuram encontrar a felicidade num país que promete ser o paraíso. No entanto, as ilusões de ambas depressa se esfumam, principalmente quando descobrem que a sua amizade está em perigo porque os maridos são inimigos.
Gwyneira e Helen são mais fortes do que acreditavam ser e rompem com os preconceitos e as restrições da sociedade onde vivem, mas serão capazes de alcançar o amor e a felicidade do outro lado do mundo?


Opinião:
Este livro já saiu há quatro anos, e apesar de nunca ter ido a correr comprá-lo, estive sempre de olho nele. A capa é lindíssima e a sinopse relembra-me várias autoras que sempre gostei. Dessa forma não me contive a ler este livro assim que mo emprestaram.

Helen sente que a vida lhe está a escapar por entre os dedos. Sendo tutora, sabe que nunca irá casar e ter filhos, como sempre sonhara. Até que, após responder a um "anúncio", começa a receber cartas românticas de um agricultor da Nova Zelândia, uma das novas terras descobertas que ainda mal se encontra colonizada. Ao sentir o amor que vinha dessas cartas e ao ver o seu futuro tão triste onde estava, acaba por ganhar coragem e empreender numa viagem que poderia mudar toda a sua vida.

Mas esta não é a única nessa viagem. Helen acompanha diversas crianças e adolescentes que serão empregadas nas casas mais ricas da Nova Zelândia e também encontra uma nova amiga, Gwyneira, filha de uma grande família que se encontra cada vez mais pobre e que quer voltar a brilhar utilizando assim a filha como moeda de troca. Apesar de não se ter visto muito feliz com a troca, Gwyneira adora saber que nesta nova terra poderá ser livre, andar no seu cavalo livremente e ser ela mesma...

Duas personagens com um passado muito diferente e um futuro ainda mais discrepante, mas que acabam por criar uma forte amizade que as une e ajuda numa terra estranha, pouco colonizada e com uns costumes bem diferentes dos seus.

Um livro muitíssimo bem escrito, com cenas românticas, divertidas, violentas, tristes... tem de tudo este livro. Foi uma narrativa que não me deixou indiferente, que me conseguiu pôr as emoções à flor da pele e adorei ambas as personagens. Admito que gostei mais de Gwyneira, a sua rebeldia conseguiu prender-me e queria saber sempre mais da sua história. Já Helen foi uma personagem de quem eu sentia mesmo pena... Tantas esperanças e sonhos que foram destruídos de repente, mas mesmo assim ela arranjava sempre algo para tornar tudo melhor e mais positivo.

Uma narrativa que adorei, uma autora que não conhecia e de quem, agora, quero ler mais coisas. Recomendo!!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Novidades Marcador

sexta-feira, 3 de março de 2017

Novidade Marcador

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A Herdeira

Autora: Kiera Cass
ISBN: 9789897542381
Edição ou reimpressão: 06-2016
Editor: Marcador
Páginas: 320

Sinopse:
A Princesa Eadlyn cresceu a ouvir histórias intermináveis de como a sua mãe e o seu pai se conheceram. Vinte anos antes, America Singer entrou na Seleção e conquistou o coração do Príncipe Maxon - e viveram felizes para sempre.
Eadlyn sempre achou romântica esta história de encantar, mas não tem qualquer interesse em tentar repeti-la. Por si, adiaria o casamento tanto tempo quanto possível. Mas a vida de uma princesa não é inteiramente sua e Eadlyn não pode escapar à sua própria Seleção - por mais fervorosamente que proteste.
Eadlyn não espera que a sua história acabe em romance. Mas com o início da competição, um candidato poderá acabar por conquistar o coração da princesa, mostrando-lhe todas as possibilidades que se encontram à sua frente… e provando-lhe que viver feliz para sempre não é tão impossível como ela pensou.


Opinião:
Apesar de a personagem principal da trilogia anterior me irritar um bocadinho, gostei imenso da trilogia e quando soube que ia sair uma nova trilogia, no mesmo mundo, passado alguns anos e com a filha dos antigos protagonistas, quis saber de imediato como ela seria e mais importante, como estaria o mundo de America após ter vencido a competição pelo coração do príncipe.

Eadlyn é a filha primogénita da rainha America e do rei Maxon, um casal que teve uma história romântica como poucas. Uma história conhecida por todo o país. Eadlyn tem um irmão gémeo, mas por poucos minutos conseguiu nascer primeiro, levando a alterações na lei para que alguém do sexo feminino pudesse governar. Tendo crescido protegida dentro das paredes do palácio, ao contrário da sua mãe que sempre conhecera o pior lado da vida até conhecer Maxon, Eadlyn é uma rapariga extremamente protegida que acha que o mundo lá fora é tal e qual dentro do palácio, perfeito e seguro.

Mas essa realidade está longe de ser verdade e Eadlyn apenas o descobre quando os seus pais a convencem - a custo -, a ter a sua própria Seleção, à semelhança dos seus pais, para encontrar quem pudesse governar a seu lado. É aí que Eadlyn conhece pessoas de outras realidades, muito diferentes entre si mas que têm um ponto em comum... Sabem mais do reino de Eadlyn do que ela própria.

Desta vez a nossa personagem principal é extremamente diferente da personagem principal da primeira trilogia. Eadlyn não conhece nada para além da vida de princesa real. Extremamente protegida pelos pais, Eadlyn acha que o mundo é um mar de rosas. Além disso, devido ao tratamento que sempre teve, é uma criança mimada, oportunista e deveras aproveitadora, características que a mesma tem noção. Mas também é decidida, determinada e com um elevado sentido de justiça.

A autora conseguiu utilizar bem as personagens que criou. No caso da princesa não a tornou demasiado comum e adorável, antes pelo contrário, criou uma personagem real que, devido à forma como fora criada, tinha uma personagem difícil, habituada a ter tudo como queria.

Neste livro acho que o que me prendeu nem foi Eadlyn mas sim alguns dos seus pretendentes. Temos desde um antigo amigo de infância que a conhece como ninguém e não tem medo de a atormentar, a um estrangeiro que não fala a mesma língua que Eadlyn mas que se esforça como ninguém para conseguir compreendê-la e falar com ela e o seu tradutor, um estranho homem com quem Eadlyn deve ter mais afinidade do que com muitos dos pretendentes.

Um livro que só peca pela mentalidade que a autora pôs na escrita em algumas partes... Desde a Eadlyn não puder governar sozinha por ser mulher, a por duas pessoas não serem do mesmo país não poderem de forma alguma se apaixonar... Mas de resto foi um livro que me prendeu e que gostei, talvez mais do que a trilogia original!

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Novidades Marcador

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O Amor é Vermelho

Autora: Sophie Jaff
ISBN: 9789897542152
Edição ou reimpressão: 2016
Editor: Marcador
Páginas: 360

Sinopse:
Katherine Emerson nasceu para cumprir uma profecia secular, mas ela ainda não o sabe. No entanto, há um homem que o sabe: um assassino que persegue as mulheres da cidade de Nova Iorque, um monstro que os media apelidaram de Homem Foice devido à arma que utiliza para transformar os corpos das suas vítimas em telas para a sua arte perversa. Ele rouba mais do que a vida das suas vítimas, e cada morte aproxima-o mais da mulher que tem de possuir custe o que custar.


Opinião:
Que capa lindíssima!! É o que tenho a dizer. Eu li este livro por impulso, porque adorei a capa, as cores a simplicidade. Está muito bem conseguida e adorei tudo nela. A sinopse também me chamara atenção para um policial mais psicológico. Um estilo que pensei de imediato que me iria prender... Algo que aconteceu mas não da forma como eu esperava.

Alguém anda a assassinar mulher em plena Nova Iorque. Um assassino que nunca deixa os corpos intactos, profanando-os de forma cruel e que deixa qualquer um a fervilhar de ódio por aquele estranho homem apelidado de Homem Foice. Um homem a que ninguém consegue chegar e que as pistas existentes não são suficientes para se saber quem esta pessoa é e porque é que mata aquelas pessoas. Tudo jovens mulheres bonitas e cheias de vida.

Enquanto o departamento da polícia se encontra ocupado a tentar decidir quem é o horrível assassino, Katherine anda sem saber bem que caminho deverá seguir com a sua vida. Nunca consegue ter um relacionamento duradouro, todos os homens acabam por a desapontar mais tarde ou mais cedo e nunca consegue ter algo que saiba que é para a vida. Pelo menos até agora. Agora tem dois homens a lutar por ela e Katherine não sabe que aqueles relacionamentos são apenas algo temporário ou se realmente tem ali o seu futuro...

Um livro que me confundiu. Esta à espera de um policial e deparei-me com um livro um pouco sem estilo denominativo. Tanto tinha romance, nas parte de Katherine e os dois homens que lutavam por ela, tendo esta sido a parte mais desenvolvida de todo o livro, como tinha assassinados a acontecer do nada, e descrições do ponto de vista das mulheres que eram assassinadas mesmo antes da sua morte. Tanto tinha capítulos que me faziam querer saber mais e ler mais, como existiam outros em que apenas me apetecia revirar os olhos pois irritavam-me profundamente. 

Acabou por ser um livro totalmente diferente do que esperava. Não havia assim tanto policial como eu pensara inicialmente e o triângulo amoroso era confuso e eu não conseguia perceber de onde tinha vindo tanto amor de repente. O que mais gostei acabaram por ser as partes do assassino. Os seus pensamentos e os pensamentos das vítimas antes de serem mortas...

Achei um livro meio desfocalizado. Não dá para perceber bem em que é que realmente o autor se quer centrar e por isso existem diversas coisas a acontecer ao mesmo tempo que supostamente se relacionam mas que não parece.

Um livro que não recomendo nem deixo de recomendar, pois sinceramente fiquei um pouco sem saber o que pensar dele.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Novidades Marcador

quinta-feira, 10 de março de 2016

A Escolha

Autora: Kiera Cass
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 296
Editor: Marcador
ISBN: 9789897541643

Sinopse:
Chegou a altura de coroar a vencedora. Quando foi escolhida para competir na Seleção, America nunca imaginou chegar perto da coroa - ou do coração do Príncipe Maxon. Mas à medida que o fim da competição se aproxima e as ameaças fora dos muros do palácio se tornam mais cruéis, America descobre o quanto tem a perder - e o quanto terá de lutar pelo futuro que deseja.


Opinião:
O último livro da trilogia!! Aquele sentimento de "aleluia!!" mas ao mesmo tempo tristeza por ser o fim desta história que, apesar de não ser uma lufada de ar fresco, é algo que prende os leitores e que nos deixa a desesperar por mais. Por isso sim, apesar de ter ficado tristonha por a trilogia terminar, estava cheia de vontade de saber como tudo iria terminar.

A guerra no reino é iminente. As pessoas andam com os nervos à flor da pele e isso nota-se em qualquer pessoa no palácio. Enquanto isso a seleção diminui para apenas 5 escolhidas, as 5 favoritas. Raparigas muito diferentes umas das outras, que ocupam o coração do príncipe cada uma à sua maneira. America era a que tinha a categoria mais baixa de todas as raparigas que ali tinham entrado e encontra-se entre as finalistas, algo que nunca esperara acontecer. Mas a sua teimosia ajudara-a e o ter amigos nos sítios certos fora outro dos seus grandes trunfos. Mas cada vez mais, ser escolhida não é algo que quer tentar vencer, é o que tem que vencer.

America quer mudar o mundo onde vive, quer terminar as castas e unir-se aos rebeldes para destruir o grupo que anda a assassinar pessoas por todo o reino. Para isso conta com o apoio dos chefes rebeldes, do príncipe e como não podia deixar de ser, de Aspen...

Não sei... sei que existem imensas pessoas que adoraram este livro, mas para mim foi apenas... meh... Não me prendeu, mas também não odiei. Acho que tal se deve muito porque, enquanto todas as personagens cresceram e todas se revelaram ao longo do livro, a personagem principal, ou seja America, acaba por se manter muito igual. A mesma pessoa indecisa de sempre. Que continua numa guerra não pelo reino em si mas pela indecisão amorosa que tem entre mãos. E vou ser sincera, a indecisão só termina quando um dos pretendentes diz que encontrara outra pessoa, senão teríamos um livro com estas pessoas ao 100 anos ainda a decidir a sua vida.

O ponto de todo o livro que me atingiu mais, pela positiva, foi quando as castas começaram a ser abolidas, mais por esforço de príncipe do que de America. Foi um livro que não me marcou muito. Uma trilogia com uma premissa excelente e que prometia ser fantástica, mas que pecou por ter uma personagem que teimava em não crescer, sendo extremamente indecisa.

Apesar disso é uma boa leitura para passar um bom bocado.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Trono de Vidro

Autora: Sarah J. Maas
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 400
Editor: Marcador
ISBN: 9789897541773

Sinopse:
Numa terra em que a magia foi banida e em que o rei governa com mão de ferro, uma assassina é chamada ao castelo. Ela vai, não para matar o rei, mas para conquistara sua própria liberdade. Se derrotar os vinte e três oponentes em competição, será libertada da prisão para servir a Coroa com o estatuto de campeão do rei - o assassino do rei. O seu nome é Celaena Sardothien. O príncipe herdeiro vai provocá-la. O capitão da Guarda vai protegê-la. Mas um halo maléfico vagueia no castelo de vidro - e está lá para matar. Quando os seus concorrentes começam a morrer um a um, a luta de Celaena pela liberdade torna-se numa luta pela sobrevivência e numa jornada inesperada para expor um mal antes de que este destrua o seu mundo.


Opinião:
Este livro despertou-me a curiosidade por críticas que tinha lido na blogosfera e no goodreads, pois inicialmente a capa nem me chamara assim tanto a atenção quando isso, o que acabou por se revelar uma falha, pois o livro é totalmente o meu estilo. Mistura romance, aventura, magia... enfim, um pouco de tudo, o que acabou por permitir que este livro fosse uma surpresa total, pela positiva.

Celaena era conhecida como a melhor assassina do mundo. Ninguém sabia como ela era, mas como os seus feitos eram muitos, todos imaginavam um homem já mais de idade, com grande sabedoria e esperteza. Celaena tinha estas duas últimas características, mas era apenas uma adolescente e mulher. E tinha sido apanhada há vários meses e levada para um campo de trabalhos forçados, um trabalho mil vezes pior do que a prisão ou até mesmo a morte. Mas nem mesmo aí baixa os braços, continuando determinada e forte, e chegando mesmo a assassinar alguns dos guardas que se metiam com ela. Repentinamente e sem aviso, a guarda real leva-a até à presença do rei, onde lhe é feita uma proposta. A sua liberdade em troca de se tornar a assassina do rei durante alguns anos. Uma proposta que, apesar de enojar Celaena por servir aquele que a escravizou, é a melhor hipótese de sobrevivência que tem.

Na corte Celaena finge ser uma simples ladra, que não resiste a coisas bonitas e brilhantes. Para manter o disfarce acaba por não se esforçar nem metade do que consegue. Mas o seu temperamento e a relação que tem com o príncipe, acabam por a tornar, de qualquer forma, o centro das atenções, o que leva a que todos a olhem com receio e inveja...

Gostei imenso deste livro! Uma excelente aposta da editora. É um livro que apesar de ter elementos que parecem ser conhecidos de outras narrativas, acabam por se conjugar de uma forma única, e levaram-me a devorar este livro como se não houvesse amanhã. As personagens são um ponto muito positivo. São desenvolvidas o quanto baste, sendo muito reais e humanas. A personagem principal, ou seja, Celaena, foi uma das minhas personagens femininas favoritas dos últimos tempo. Adorei a determinação que demonstra, e a força de vontade para não mostrar o seu lado mais real e humano, lutando pela sua liberdade.

A relação que se foi desenvolvendo entre ela e o principe foi também algo muito bem escrito, não sendo lamechas. É uma relação de confiança que começa a crescer lentamente e, devido a provas que ambos dão um ao outro, acabam por confiar na palavra um do outro, algo que no início do livro poderíamos julgar impossível.

Um excelente livro. Sem dúvida que esta saga quero acompanhar.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A Criança N.º 44

Autor: Tom Rob Smith
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 368
Editor: Marcador
ISBN: 9789897541117
Coleção: Marcador Literatura

Sinopse:
A União Soviética de Estaline é, oficialmente, um paraíso, onde os cidadãos vivem livres do crime e apenas temem uma coisa: o todo-poderoso Estado. Defendendo este sistema, temos o oficial de segurança Leo Demidov, um herói de guerra que acredita no punho de ferro da Lei.
Mas quando um assassino começa a matar indiscriminadamente e Leo se atreve a investigar, este obediente servidor do Estado dá por si despromovido e exilado. Agora, apenas com a sua mulher ao seu lado, Leo tem de se debater para descobrir verdades chocantes a respeito de um assassino - e de um país onde o crime supostamente não existe.


Opinião:
Um livro que se tornou um filme. Admito que ainda não vi o filme, mas fiquei curiosa com a sinopse do livro e quis imenso lê-lo. Já em relação à capa, compreendo que seja um truque de marketing, mas não gosto nada de capas que são os posteres dos filmes. Gosto de capas próprias, capas de livros, se é que me entendem.

A segunda guerra mundial é uma altura negra na história da humanidade. Crimes comedidos pelos motivos mais idiotas possíveis e assassinos que se denominavam líderes de uma comunidade que vivia em medo de tudo e todos aqueles que os rodeavam. Muitos romances foram escritos do ponto de vista das principais vítimas. Todos sabemos os horrores por que passaram, e sabemos, pelo menos teoricamente o que sofreram. Mas poucos livros existem sobre aqueles que os mataram, aqueles que os fizeram sofrer. Sobre o porquê de seguirem aquelas ordens, sobre as crenças desses homens. Este é um livro que apesar de ser ficção, vira-se um pouco para esse tema. Leo Demidov é um oficial de alta patente na época de Estaline. Um dos homens de confiança do exército e um dos que aplicava as regras dessa época. Um homem que se orgulhava do seu trabalho e que acreditava estar a tornar o mundo um lugar melhor.

Mas é também um homem que põe em causa as suas crenças quando um crime horroroso de um rapaz que foi assassinado a sangue frio é varrido para baixo do tapete para o governo não se mostrar fraco e disfuncional. Decidido a tentar perceber o que se passara ali na realidade, é a vez de Leo, um verdadeiro amante da política em que vive, ver-se afetato pelos princípios que tanto defende. É nessa altura que compreende que talvez nem tudo devesse estar como estava e que o mundo estava virado de pernas para o ar, estando a lei a ser tudo menos respeitada.

Foi um livro em que me custou a entrar na narrativa, pelo menos a princípio. Com o andamento da narrativa comecei a gostar do que estava a ler e não só a história me prendia, como adorei as personagens. São personagens fortes e foram muitíssimo bem aprofundadas. Bem estudadas e muitíssimo bem caracterizadas. A luta interior de Leo entre o que está certo e errado e as normas e regras em que acreditou toda a vida são o fio condutor da história e é esse fio que me prendeu até ao final de toda a narrativa.

Um livro em que me custou entrar, mas quando entrei na narrativa não a consegui largar!!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A Elite

Autora: Kiera Cass
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 352
Editor: Marcador
ISBN: 9789897541445

Sinopse:
A Seleção iniciou-se com 35 raparigas. Agora, com o grupo reduzido a 6, a Elite, a competição para conquistar o amor do Príncipe Maxon é mais feroz do que nunca.
Quanto mais perto America se encontra da coroa, mais se debate para perceber onde está verdadeiramente o seu coração. Cada momento que passa com Maxon é como um conto de fadas, instantes cheios de romantismo avassalador e muito glamour. Mas sempre que vê Aspen, o seu primeiro amor, é assaltada pelo desejo da vida que tinham planeado partilhar.
America anseia por mais tempo. Mas enquanto se sente dividida entre dois futuros, o resto da Elite sabe exatamente o que quer e a oportunidade de America para escolher está prestes a desaparecer.


Opinião:
Um género literário que está na moda e que eu admito que adoro!! E esta é uma coleção com uma história um tanto ou quanto cliché mas que me prende da primeira à última página. E é por essa razão que quando me emprestaram o segundo da saga queria saber mais sobre a grande "telenovela" que se passava dentro do castelo. As intrigas tanto políticas como pessoais. Os problemas românticos entre o príncipe e as suas diversas pretendentes. Pretendentes essas que nem sempre querem ganhar por amar o príncipe, mas para salvar alguém ou algo.

A seleção está na sua segunda fase, prestes a terminar. Uma fase assustadora e cheia de sacrifícios em que todos começam a revelar as suas verdadeiras intenções e o seu verdadeiro eu. Uma fase em que America, sabendo finalmente os verdadeiros sentimentos de Maxon, vive uma época de confusão sentimental, sem saber se o seu lugar é ao lado de Maxon como rainha ou se a sua posição social é um impedimento para tal lugar. Não sabe se conseguiria desempenhar o papel e estar à altura do mesmo sem destruir o que resta do povo.

Além dessas dúvidas, America fica cada vez mais insegura com os seus sentimentos relativamente ao príncipe e aos deste por ela. Não sabe se este continua a gostar dela e se tal estará relacionado com a forma direta como expressa as suas opiniões ou com um repentino compreender do seu estatuto social...

É um livro que segue a confusão sentimental de America. Numa altura da narrativa em que compreendemos que a situação política do país se arrasta pela lama, estava com esperança que se falasse mais e mais sobre essa situação, mas a autora preferiu centrar-se em America e nos seus dois pretendentes. Apesar disso começamos a ver que America se vai infiltrar mais na política do país, umas vezes sendo forçada a tomar decisões que o rei a obriga a tomar e outras que a ajudarão, lentamente, a mudar o país... Admito que esta mudança na vida de America me deu esperança para que a situação política seja mais explorada no próximo título desta coleção, algo que quero imenso!!

Apesar de ser um livro em que temos uma personagem muitíssimo indecisa, temos também uma personagem que quando quer toma boas decisões e que apenas precisa de um empurrãozinho para as coisas funcionarem. É um livro que se lê rapidamente e que me prendeu do início ao fim. Tenho pena que a autora se centre maioritariamente no triângulo amoroso, especialmente quando a base da história dava para muito mais, mas também tenho esperança que isso mude nos próximos livros.

Uma saga que gosto e tenho que ler os próximos livros assim que conseguir!

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Novidades Marcador



quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Novidade Marcador

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Entrevista a Jorge Sousa Correia



1. Fale-nos um pouco sobre si.
Tenho alguma relutância em falar de mim. Não quero contudo que entenda esta resistência como uma fuga.
Não sei que possa mais dizer para além do que vem na badana dos meus livros. Talvez que me aflige tanta injustiça no mundo, falta de solidariedade, desprezo pelas pessoas, a ganância de um certe extracto da sociedade que aos poucos vai criando o abismo. Falamos de uma nova era, o crescimento de uma civilização de senhores e servos. É exagero? O mundo é um rodopio. As comunicações desventram a vida das pessoas, torna-as em vencedores e vencidos, sábios e ignorantes. Mas a vida não é nada disto. Não há ser humano que não tenha valor. Como D. João II disse um dia, “Um homem custa muito a criar” tinha razão. Hoje homens e mulheres morrem por causas que não são suas, expulsos das suas terras por tiranos e homens ávidos de poder. O caso dos refugiados é um novo holocausto.

2. Como entrou a escrita no seu dia-a-dia?
Após aposentar-me, decidi fazer o que há muito tinha adiado. Foi portanto o tempo e a intenção que criou a oportunidade.

3. Como se sentiu ao tornar-se um autor publicado?
Tenho os meus livros nas listas literárias da Biblioteca Nacional e isso compensa-me.

4. Identifica-se com alguma das suas personagens (de qualquer um dos seus livros)?
Na verdade, para ser sincero, não me identifico com nenhuma, embora simpatize com algumas das personagens dos meus livros.

5. Quais são as suas referências e inspirações enquanto escreve?
Tenho em Fernando Campos um autor que talvez me incentivasse a escrever sobre o romance histórico. A Casa das Perguntas (1989) é uma obra notável. A minha inspiração coexiste com as personagens. São elas que dão vigor ao meu pensamento.

6. Qual é que acha que é o papel da blogosfera em geral na divulgação literária?
Confesso que não estou muito atento. No entanto, levando em conta o vigor da comunidade bloguista, não duvido da sua influência.

7. Tem recebido feedback dos seus leitores?
Não sou assim tão conhecido. Mas sim, em alguns casos até fico agradavelmente surpreendido.

8. Tem algum plano literário para o futuro?
Tenho. Não vou divulgá-lo, por questões que têm a ver com o efeito surpresa. Ainda assim posso dizer que não será sobre o romance histórico.

sábado, 4 de julho de 2015

Começar de Novo

Autora: Sue Moorcroft
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 356
Editor: Marcador
ISBN: 9789898470706

Sinopse:
Tess Riddell considera o seu querido Land Rover Freelander mais confiável do que qualquer homem - especialmente o ex-noivo, Olly Gray. Depois deste terminar a relação por e-mail, Tess segue em frente com a vida e muda-se para um chalé perfeito no campo. Tess descobre a alegria da vida na aldeia e é lá que conhece Miles Rattenbury. Ao conversarem, descobrem que são praticamente vizinhos. Separados por todo um mundo, acabam por criar uma amizade tão intensa quanto improvável.
Porém, no momento em que a relação está prestes a tornar-se em algo mais profundo, uma velha paixão vem procurar Miles e abalar a relação…
Será o amor entre ambos forte o suficiente para ultrapassar o passado? Ou vai exigir mais do que estão preparados a dar?
Um romance comovente e divertido sobre uma mulher que aprende que é possível a vida mudar e ficar melhor.


Opinião:
Mais um livro que me chegou às mãos graças ao bookcrossing. Não resisti a lê-lo por ler críticas tão positivas, apesar de não reconhecer o nome da autora. Mas há sempre uma magia por trás de um novo autor que me fez começar a ler este livro. Aquela magia de saber se é um autor que quereria seguir ou se seria apenas mais um no meio de um mar cheio de novos autores.

Tess quer começar uma nova face da sua vida. Tendo estado noiva durante imenso tempo, uma relação que fora terminada da forma mais insensível e cobarde possível, por email, Tess sente necessidade de fugir de tudo aquilo que conhece e nada melhor do que uma pequena terrinha no meio do nada. Um lugar familiar, onde todos se conhecem, estando sempre prontos para prestar auxilio quando necessário. Quando vai para a sua nova casa, o seu querido carro, que nunca antes a havia desiludido, acaba por parar no meio da estrada. Sem saber o que fazer, tem a sorte de encontrar Miles Rattenbury pelo caminho.

Miles é o típico mulherengo que consegue terminar sempre bem os seus casos de uma noite. Sendo uma pessoa divertida e carinhosa com todos aqueles que o conhecem, é uma pessoa adorada na pequena cidade para onde Tess vai morar, porque sim, Miles mora mesmo ao lado de Tess, acabando ambos por se tornarem vizinhos. Mas, apesar de todos dizerem que Miles é um amor de pessoa e alguém em quem se pode confiar, não é assim que este se mostra perante Tess, sendo rude e até mesmo malcriado para a recém chegada, um mal estar que depressa se torna em algo mais.

Este foi um livro que infelizmente tinha as expectativas demasiado elevadas. Li várias críticas fantásticas à autora e a esta história. Chego mesmo a achar que tal foi negativo para a minha decisão final do que achava sobre o livro. Apesar disso, este acaba por ser um livro decente, com uma boa escrita e com personagens que queremos seguir, apesar de não nos prenderem do início ao fim, foi um livro agradável para ler numa tarde mais sossegada. Mas admito que não achei que fosse muito mais que isso. Gostei da personalidade de Tess, achei uma pessoa "real", com problemas que qualquer pessoa tem e que pensa nas suas decisões antes de tomar. Uma pessoa que demora a confiar em alguém, muito possivelmente a já ter sofrido um pouco no passado pelas confianças que tinha depositado em diversas pessoas que conhecia. Por outro lado, Miles é o seu oposto em tudo. É muito mais confiante, tem amigos em todo o lado e não tem medo de arriscar.

O bom deste livro foi ver estas duas personalidades, tão diferentes entre si, a juntarem-se. Este é um livro que dá uso ao ditado "os opostos atraem-se", pois é isso que as personagens principais são, opostos. Claro que no fundo acaba por ser mais uma história sobre uma mulher que acaba com o ex namorado (um relação que acaba mal) e que não conseguido estar perto do ex acaba por mudar-se. Aí conhece outro homem e acaba por se desenvolver algo entre eles, algo que é abalado quando o ex-namorado de Tess volta à carga. Mas apesar de ter esta sinopse que acaba por ser um pouco repetitiva e cliché, a verdade é que é um bom livro.

Um livro que só me desiludiu porque eu tinha expectativas muito elevadas, mas não foi uma desilusão muito "profunda". Continuei a aproveitar a leitura e as personagens que me foram apresentadas, sendo um livro leve e até mesmo divertido. Perfeito para ler agora enquanto se apanham alguns banhos de sol.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

1089 - O Livro Perdido das Origens de Portugal

Autor: Emílio Miranda
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 496
Editor: Marcador
ISBN: 9789897541414

Sinopse:
Ano de 1089. Uma nação em formação ergue-se na bruma do tempo, movida pelo forte e leal braço do povo, pelo arrojo de senhores feudais e pela fé nos ditames da Igreja e dos seus ministros. Num velho mosteiro, são muitas e sinceras as preces, mas também as manobras pela conquista do poder nesse novo território.
Magistralmente concebido, 1089 - O Livro Perdido das Origens de Portugal relata, de forma precisa, viva e cativante, os dias da fundação de Portugal tendo como palco central as terras de um mosteiro beneditino. E não deixa de fora relatos concisos da ambição dos homens e, em particular, dos da Igreja, com os seus segredos e jogos de luz e sombra.
No alvor da nação, plebeus e senhores lutam pelo Céu e pela Liberdade. Um antigo mosteiro esconde ambições, desejos e amores proibidos. 1089 - O livro perdido das origens de Portugal, o nascimento de uma nação, as lutas dos homens, o destino de um povo.


Opinião:
Quase que parece que andei numa maratona dos livros RTP. Após o livro anterior sentia necessidade de um livro histórico. Algo que fosse romanceado mas que por trás tivesse uma boa história com um ou outro facto histórico. E sim, encontrei isso neste livro. Um início lento que muda totalmente de ritmo a certa altura da narrativa, quando traições e mentiras entram na história.

Tudo começa num dia como qualquer outro, não fosse um simples acontecimento... A coragem de um servo para com o seu senhor. Um senhor que se encontrava decidido a atirar sobre um animal que ainda estava a amamentar os seus filhos, tendo sido impedido pelo servo, que se colocara à frente do animal. Mas se pensam que o senhor teve pena do servo estão enganados. Arreliado por as suas vontades lhe terem sido negadas, atirou contra o servo, deixando-o abandonado à morte. Mas a sorte por vezes bate à porta dos mais infortunados e é isso que acaba por acontecer. Um velho casal que morava perto do mosteiro que ali se encontrava, encontra o rapaz à beira da morte e, vendo nele o filho que nunca haviam tido, decidem tentar salvá-lo.

Enquanto isso, noutro lugar também perto do mosteiro, existia uma pequena casa com uma família de três, que agora contava com quatro, não estivesse a irmã da mãe da família a morar "temporariamente" com eles. Uma família que só quer viver sossegada, alimentar-se do que a terra lhes dá e não dar trabalho a ninguém. Algo que é ameaçado pela natureza demasiado livre e apaixonada do novo "membro da família", que encontra no mosteiro um lugar de paixão e ódio.

Também dentro do próprio mosteiro as coisas não são preto no branco, tal como deveriam ser. Uma vida que inicialmente nos é apresentada como pacífica e calma, acaba por ficar de pernas para o ar quando o antigo chefe do mosteiro começa a ficar demasiado velho e cansado para o trabalho, levando a que novas vozes e opiniões se elevem, algumas delas com demasiada arrogância e ganância. A juntar à luta pela chefia, antigos segredos começam a ser lentamente revelados, enquanto as paixões dentro das portas fechadas do mosteiro dão lugar a novos segredos.

Foi um livro que me surpreendeu e cuja escrita é construída à medida que se avança na narrativa. Inicialmente todas as histórias parecem separadas e não dá para compreender bem qual o fio condutor entre todas as narrativas, para além, claro, do mosteiro. Mas passado umas 100 páginas a narrativa toma outro ritmo, as personagens acabam por se tornar reais e ficamos de tal forma ligados a toda a história que não a conseguimos largar.

Este é um livro que tem imensas nuaces históricas, desde os costumese mentalidades a actos e todos refletem a mentalidade da época. As personagens foram o ponto forte de toda a narrativa. Apesar de o ínicio ser lento acabamos, ao longo do livro, por conhecer todos os pontos das suas personalidades, conseguindo por vezes antecipar as suas ações, pois conhecemo-las de tal forma que parece que são reais. Mas,apesar de anteciparmos as suas ações, não antecipamos ao que estas levam.

Um livro que me surpreendeu, especialmente porque com o início lento estava a ficar desanimada, mas após essa parte devorei o livro. Recomendo e fico à espera de novos títulos do autor!

terça-feira, 23 de junho de 2015

Viagem ao Coração dos Pássaros

Autor: Possidónio Cachapa
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 176
Editor: Marcador
ISBN: 9789897541377

Sinopse:
Viagem ao Coração dos Pássaros remete-nos para um universo único mas que se repete sempre no tempo dos seres humanos. Fala-nos das contradições e dialéctica do mundo, do amor, da vida, mas também dos seus opostos.
É um livro que se lê num sopro, como se fosse um instante, numa viagem que o leitor faz ao coração, o seu próprio, e o dos protagonistas da história, realista, autêntica e bela.
Possidónio Cachapa conduz-nos através da sua escrita profunda, revelando-nos os dons que todos temos e as nossas virtudes mas também as nossas debilidades e fraquezas, numa simplicidade narrativa que nos prende da primeira à última página.


Opinião:
Tenho andado decidida a ler mais autores nacionais. Autores de diferentes géneros, com escritas e estilos diferentes. Uma excelente coleção para cumprir este objetivo é a coleção "Os Livros RTP", e graças a diversos empréstimos tenho conseguido ler alguns livros dessa colectânea. Este é um género diferente daquele que estou habituada a ler e admito que já compreendi o porquê. É um livro "demasiado" para mim.

Kika era ainda criança quando fora visitada por um anjo. Uma menina inocente e pura que durante diversos anos não abria a boca para soltar som que fosse. Comunicava por gestos e olhares e os seus grandes amigos eram os pássaros. Vivendo num ambiente rural, o seu dom era considerado uma maldição e as suas amizades em nada alegravam os pais. Numa altura em que a principal atividade das crianças era andar de um lado para o outro para assustar os pássaros e expulsá-los dos campos, Kika fazia precisamente o contrário, chamando essas criaturas e conversando com elas. Estes faziam o que ela queria, aconselhavam-na e apoiavam-na.

Desde cedo os pais compreendem que aquela maldição tinha que ser escondida do povo, mas a filha não consegue esconder a sua verdadeira natureza, por mais que tende negá-la.

É um livro diferente, tem uma escrita muito fantasiada e parece que estamos dentro de um sonho que ainda está dentro de outro sonho. Nada é real na história e o autor escreve de uma forma muito própria, tendo uma escrita através da qual facilmente o identificamos. Esta é uma história de uma menina com um grande poder para decidir entre a vida e a morte. Uma criança que cresce depressa e que tem um grande conhecimento da vida, apesar de ser apenas uma criança.

O livro tem passagens muito bonitas, mas são passagens representativas a maior parte das vezes, não sendo uma escrita direta e "normal". É um daqueles géneros literários a que sei dar o seu devido valor, mas que admito que não é o meu género e não é daquelas histórias que me levarão a voltar a ler algo do autor. É um estilo demasiado estranho, que não se entranhou. Um livro que fala das fraquezas do ser humano mas também dos seus pontos fortes que não me prendeu do início ao fim.

Um autor que transmite diferentes mensagens a diferentes leitores, não sendo o meu género literário favorito, sendo esta uma das grandes razões para a narrativa não me ter conseguido agarrar.

terça-feira, 26 de maio de 2015

O Cavalheiro Inglês

Autora: Carla M. Soares
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 400
Editor: Marcador
ISBN: 9789897541254

Sinopse:
PORTUGAL. 1892. Na sequência do Ultimato inglês e da crise económica na Europa e em Portugal, os governos sucedem-se, os grupos republicanos e anarquistas crescem em número e importância e em Portugal já se vislumbra a decadência da nobreza e o fim da monarquia.
Os ingleses que permanecem em Portugal não são amados.
O visconde Silva Andrade está falido, em resultado de maus investimentos em África e no Brasil, e necessita com urgência de casar a sua filha, para garantir o investimento na sua fábrica.
Uma história empolgante que nos transporta para Portugal na transição do século XIX para o século XX numa descrição recheada de momentos históricos e encadeada com as emoções e a vida de uma família orgulhosamente portuguesa.


Opinião:
Já tinha lido o primeiro livro publicado da autora e quando vi este novo título seu, queria mesmo lê-lo. Não só o nome me chamou a atenção, mas a própria capa. Há algo na capa que me prende de imediato. As cores são o grande ingrediente e foi este ingrediente que me encantou.

O visconde Silva Andrade está totalmente falido. Sofia, a sua filha, ainda se lembra da altura em que se davam ao luxo de ter inúmeras mansões, de poderem comprar vestidos lindíssimos quando lhes apetecia e de morar numa das melhores casas de Portugal. Mas isto havia sido no passado. Agora Sofia mora numa das últimas casas da família, uma casa de tal forma pequena que todos os seus pertences se encontram amontoados no seu quarto num intrigado jogo de tetris. Até o espaço debaixo da sua cama é inexistente e para se mover ao longo do quarto o esforço acaba por ser grande, pelos diferentes malabarismos a que se tem que sujeitar.

Um nome de família que agora é associado ao desastre financeiro, mas que mesmo assim consegue encantar um jovem rico de uma importante família. Encontrando uma receita para a recuperação financeira, a família de Sofia começa a convidar esse jovem, alguém que Sofia só quer à distância, mas com quem, pela família, decide casar. Mas como um azar nunca vem só, o noivo de Sofia é o pior tipo de homem possível... e Sofia descobre isso numa altura em que o seu coração bate por outro. Um estrangeiro com quem a sua união nunca seria reconhecida por parte dos seus pais.

Este livro, comparativamente ao livro "Alma Rebelde" da autora, está sem dúvida muito melhor. A leitura é muito mais fluída, o leitor liga-se mais a estas personagem e mesmo a ação prendeu-me mais do que no livro que tinha lido anteriormente. Adorei a personagem de Sofia, a típica menina rica cuja evolução acompanhamos ao longo do livro. No início vimos uma rapariga mimada, que não sabe nada da vida e que é afastada de tudo o que lhe pode obrigar a pensar por si. Mas ao longo do livro vemos como começa a crescer, a compreender o que se passa à sua volta e a saber que sacrifícios tem que fazer por ser quem é.

O crescimento desta personagem é acompanhado por questões políticas do país. Este trama é narrado pelas ações de Sebastião, o irmão mais velho de Sofia que está aliado às revoluções anarquistas do país. É um homem que ao ter um grande desgosto romântico abandona tudo e todos, aliando-se de vez a estes ideias.

E ainda temos outro assunto muito falado, algo que ainda hoje se encontra muito... Ódio pelos estrangeiros que encontram em Portugal um país perfeito para investir. Um país em que, devido à crise, a obtenção de negócios tem um baixocusto,

Foi um livro que adorei e que me surpreendeu pela positiva. Nota-se um grande crescimento da autora ao longo da narrativa e fiquei com mais curiosidade de ler o livro "A Chama ao Vento", o único livro publicado da autora que me falta ler. Aconselho!!

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Novidade Marcador